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Agência de Notícias Brasileirinho
Boletim de 17/12/09
A atividade de Noel Rosa como autor de textos para radioteatro é pouco conhecida e raramente comentada. Entre agosto de 1935 e fevereiro de 1936, o Poeta da Vila trabalhou na Rádio Clube do Brasil, por indicação de seu ex-parceiro de Bando de Tangarás, Almirante. Havia poucos meses que Noel voltara de Belo Horizonte, onde fora se tratar da tuberculse, quando o amigo o indicou para a direção da emissora. A princípio, Noel deveria catalogar os discos do acervo da rádio e auxiliar no controle do pagamento dos cachês. Mas em seguida entusiasmou-se com duas idéias de Almirante, que deram origem aos textos que publicamos hoje: os esquetes cômicos Conversas de Esquina e as operetas radiofônicas Ladrão de Galinha e O Barbeiro de Niterói (há uma terceira opereta, também deste período, intitulada A Noiva do Condutor, que Noel escreveu em parceria com o maestro Arnold Glückmann).
Os textos das Conversas de Esquina se destinavam a serem encenadas, ao vivo como era toda a programação de rádio da época, entre a execução de dois números musicais. O material não é original: Noel partiu de piadas e textos publicados em almanaques e revistas. Foi a única parte de sua obra escrita para rádio que foi ao ar em vida do autor.
O traço noelesco está mais visível em Ladrão de Galinha e O Barbeiro de Niterói, as duas operetas radiofônicas que Noel escreveu sozinho, e que portanto se acham em domínio público desde o princípio de 2008. A segunda delas é uma adaptação da famosa ópera O Barbeiro de Sevilha, do italiano Gioacchino Rossini; já a primeira é um texto original de Noel. Na parte musical de ambas, Noel recorreu a paródias de músicas que eram sucesso na época. O Barbeiro... contém sátiras das valsas "Teus Ciúmes" (Lacy Martins - Aldo Cabral) e "Boneca" (Benedito Lacerda - Aldo Cabral) e do samba "Cordiais Saudações", do próprio Noel, além de citações de "Por Teu Amor" (Francisco Alves - Orestes Barbosa) e "Que Vale a Nota sem o Carinho da Mulher" (Sinhô). Já em Ladrão de Galinha ouvem-se adaptações de vários sucessos de carnaval: "Marchinha do Grande Galo", de Lamartine Babo e Paulo Barbosa, "Ganhou, Mas não Leva", de Benedito Lacerda e Milton Amaral, "Foi Ela", de Ary Barroso, e "Palpite Infeliz", do próprio Noel. O texto, que Almirante conservou e radiofonizou no 14º programa da série No Tempo de Noel Rosa, na Rádio Tupi (Rio de Janeiro), em 6 de julho de 1951, é bastante simples, a ponto de João Máximo e Carlos Didier considerarem-no apenas um esboço.
É possível, mesmo, que Noel viesse a desenvolver mais o texto de Ladrão de Galinha, pois da outra opereta, O Barbeiro de Sevilha, nos chegaram duas versões: a primeira, conservada por Almirante e igualmente levada ao ar no programa já citado de 1951, é bem mais simples que a segunda, publicada por Máximo e Didier em 1990 no livro Noel Rosa: Uma Biografia. Eles nada comentam na obra sobre a existência da outra versão. Já os textos que Almirante conservou, a pedido da família de Noel, foram incluídos no livro No Tempo de Noel Rosa.
Em 2004, o grupo teatral paulista Cia. de Domínio Público adaptou os textos de Ladrão de Galinha e O Barbeiro de Niterói para o palco, montando assim o espetáculo Operetas de Noel Rosa.
(Fabio Gomes/ Agência de Notícias Brasileirinho)