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Agência de Notícias Brasileirinho
Boletim de 12/11/08
Os músicos populares são, sem sombra de dúvida, as atrações que têm reunido maior público, dentro da programação que Pernambuco trouxe para a 54ª Feira do Livro de Porto Alegre, que homenageia o estado nordestino.
Se é certo dizer que, no primeiro final de semana da Feira (1º e 2 de novembro), os cantadores Ivanildo Vilanova e Raimundo Caetano e o cantor e compositor Allan Sales foram muito aplaudidos, não há como comparar com o grande número de pessoas que acorreu à Praça da Alfândega, ao lado do estande de Pernambuco, para assistir as duas apresentações dos emboladores Caju e Castanha, nas noites de sábado e domingo, dias 8 e 9.
A dupla esbanjou bom humor e demonstrou grande habilidade e velocidade no raciocinar e no cantar, arrancando aplausos e gargalhadas do público gaúcho com suas emboladas falando das diferenças entre os ricos e os pobres, da mulher bonita pra mulher feia ou musicando divertidas histórias de cordel como a que fala do "Futebol no Inferno" - onde a final do campeonato é disputada entre os times de Satanás e de Lampião. O futebol também foi tema do improviso da dupla no show de domingo, ao abordar os dois grandes times do Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional - naturalmente, um dos números que mais empolgou o público presente.
Entre uma e outra embolada, Castanha contou divertidas histórias como a da participação da dupla numa edição do Rock in Rio (sim!). A idéia é que os emboladores fizessem uma breve apresentação no intervalo de duas bandas de rock. Como levaram uma das maiores vaias de sua carreira (com direito a uma hola de "E... fora!"), o que era pra ser breve passou a ser brevíssimo: após cantar uma música, Caju e Castanha agradeceram e saíram. Também falaram dos apuros que passaram ao viajar aos Estados Unidos para um show em Los Angeles: eles não falam inglês e quem os contratou não providenciou intérpretes...
No domingo, Caju e Castanha fizeram questão de saudar seus conterrâneos Ronaldo Aboiador e Toinho do Acordeon, que assistiam a seu show. Ronaldo e Toinho cantaram na Feira nas tardes de sábado e domingo, com um repertório em que predominava o aboio. Chegado ao Nordeste como uma herança ibérica, de raiz moura, servindo então basicamente para chamar o gado, o aboio se desenvolveu como um interessante estilo musical, que tem sido utilizado pelos compositores da região para cantar amores e fazer crítica social, como bem demonstrou Ronaldo em seus shows, encerrados com um aboio-improviso sobre a participação de Pernambuco na Feira. Em ambos os dias, também foi homenageado o Rei do Baião, Luiz Gonzaga - no sábado, Ronaldo cantou "Asa Branca" (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)/"A Volta da Asa Branca" (Luiz Gonzaga - Zé Dantas) e no domingo "O Xote das Meninas" (Luiz Gonzaga - Zé Dantas). Toinho também variou as músicas que solou nas duas apresentações: dia 8, tocou "Milonga para as Missões" (Gilberto Monteiro); dia 9, "Brasileirinho" (Waldir Azevedo).
Ouça aqui os improvisos:
Ronaldo Aboiador - Improviso da Feira do Livro - 8/11/08
Caju e Castanha - Desafio do Grêmio e do Internacional - 9/11/08
(Fabio Gomes/ Agência de Notícias Brasileirinho)