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Boletim de 13/6/08
Ao
longo do tempo, as gravações feitas por Noel Rosa têm recebido
pouca atenção. Entre 1930 e 1936, ele gravou 42 músicas de
sua autoria, entre elas clássicos como "Com que Roupa?", "Gago
Apaixonado", "Feitiço da Vila" e "Conversa de Botequim"
(as duas últimas, parcerias com Vadico). Em praticamente metade deste repertório
- 21 músicas, para ser mais exato -, Noel teve um cantor convidado; a recordista
foi Marília Batista, que gravou com ele 6 sambas, mas a lista inclui parceiros
como Ismael Silva, João de Barro, Artur Costa e ainda I. G. Loyola, João
Petra de Barros e Léo Vilar (mais tarde líder dos Anjos do Inferno).
Toda esta produção fica disponível a partir de hoje na página
"Rádio" do Projeto Noel Rosa do site Brasileirinho,
no endereço www.brasileirinho.mus.br/noelrosa/radio.htm.
A obra gravada do Poeta da Vila, deste modo, aponta em duas direções. Numa, ao fazer tantas parcerias vocais, Noel mostrou-se um artista do seu tempo: como cada disco tinha apenas duas músicas, e muitos cantores lançavam vários discos por ano, esses duetos ocasionais eram muito comuns. Noutra, ao gravar regularmente suas composições, o que era raro na época, Noel antecipou o que é quase uma regra hoje, quando são poucos os artistas exclusivamente cantores.
A página de '"Rádio" do Projeto Noel Rosa também traz a ficha técnica das gravações, inclusive o número da matriz de cada uma. Esta informação, que não consta das biografias de Noel escritas por Almirante e João Máximo & Carlos Didier, é importante para que se consiga estabelecer, mesmo que de modo aproximado, em que data cada música foi gravada e até mesmo em que gravadora. Por incrível que pareça, da maioria das gravações de Noel não se conhece a ficha técnica completa.
- Atribuo essas lacunas ao descaso com que a obra de Noel como cantor tem sido tratada - diz o jornalista Fabio Gomes, editor do Brasileirinho. - Embora haja muitos relatos do sucesso que ele fazia cantando no rádio e em shows, e a venda expressiva de discos como o "Com que Roupa?", também se sabe de restrições que Noel recebia por não ter um "vozeirão", o que era muito valorizado em seu tempo.
Certamente outro fator que contribuiu para a pouca difusão das gravações de Noel foi o fato de ele, num curto espaço de tempo, ter atuado em várias gravadoras, que nem sempre tinham um repertório suficiente para um LP ou CD inteiro (na Victor, hoje parte da Sony BMG, por exemplo, Noel gravou apenas quatro músicas). Assim, só quando do lançamento da caixa de CDs Noel Pela Primeira Vez (Velas/Funarte, 2000), o público teve acesso à totalidade das interpretações de Noel para suas próprias músicas. Sim, porque, como o conceito da caixa era de músicas assinadas por Noel, não havia como incluir o samba "Sentinela, Alerta!", de Ary Barroso, que o Poeta da Vila gravou em dupla com João Petra de Barros.
Menos conhecidas ainda são as gravações de Noel como integrante dos grupos Bando de Tangarás, Batutas do Estácio e Turma da Vila:
- Sobre este material, eu hoje não arrisco ao menos uma estimativa de quantas músicas seriam - completa Fabio Gomes. - Basta dizer que, no levantamento que Sérgio Cabral, biógrafo de Almirante, fez da discografia do Bando de Tangarás, não estão incluídas "Samba da Boa Vontade" e "Picilone", em que Noel foi o cantor, junto com João de Barro.