Misture e Mande

Arquivo

Mistura e Manda

Nº 11 - 18/08/2003

Parceria com o Clube do Choro

A partir de agora, o Brasileirinho passa a ser a casa do Clube do Choro de Porto Alegre na Internet. Através desta parceria que muito nos orgulha, nossos leitores vão dispor, em breve, de um diretório na página dedicado ao Clube, com fotos, arquivo de reportagens e músicas, entre outras atrações. A chamada nas Dicas para as apresentações semanais no Clube Ypiranga já está, desde a última atualização, ladeada por dois logotipos do Brasileirinho, simbolizando nosso apoio a todas as apresentações do Clube, o mais antigo grupo de choro em atividade na capital gaúcha.

O presidente do Clube, Runi Viegas Correa, comentou que esta parceria é um passo importante para a valorização da música brasileira feita em Porto Alegre, tanto para os músicos quanto para o público. Concordamos inteiramente, Runi!

(Fabio Gomes)

***

Músicas requintadas dão o tom da Moenda

Melodias elaboradas, letras densas, interpretações arrebatadas. Este o perfil das músicas que fizeram a história da 17ª Moenda da Canção de Santo Antônio da Patrulha (RS). Assim eram “Alto Mar” (Fausto Prado – Caetano Silveira), a vencedora na voz de Ana Krieger e Alex Alano, e “No Universo de Borges” (Lênin Nunes – Vaine Darde), com Chico Saratt. Outra canção arrebatada, “Despedida” (Ricardo Freire – Jaime Vaz Brasil), proporcionou o prêmio de melhor intérprete a Ângela Gomes. A terceira colocada, “O Caretão da Duque e a Doidinha da Cidade Baixa”, de/com Zelito, nada tinha de arrebatamento, era antes uma canção muito simpática, de boa melodia e arranjo primoroso na combinação voz-violão-violino-gaita. Zelito é morador de Santo Antônio e contou com torcida organizada, que ajudou a eleger “O Caretão...” como música mais popular. Uma empresa da cidade, a Mania de Loja, distribuiu a letra da música a todos os espectadores para que pudessem cantar junto. “O Caretão...” pode ser considerado o grande vencedor do festival, pois ainda rendeu o prêmio de melhor instrumentista a Sandro de Souza. Todas estas músicas estavam entre as mais aplaudidas pelo público, mostrando assim uma sintonia deste com os jurados que dificilmente ocorre.

A Moenda se caracteriza por ser o único festival gaúcho aberto a todas as tendências musicais e a autores de fora do Rio Grande do Sul (o festival de Porto Alegre, também abrangente no aspecto musical, exige que um dos autores more do município). Este ano, foram recebidas inscrições de 11 estados brasileiros, mais uma da Argentina e outra dos Açores. Desta seleção, saíram 18 concorrentes, que se juntaram a 2 da fase regional do evento, a Moendinha, em que Zelito classificou “O Caretão...” e “Ilusão de Ótica”, e mais 2 de compositores sorteados entre os que já haviam vencido edições anteriores da Moenda, forma pela qual “No Universo de Borges” entrou no festival.

As canções finalistas eram realmente muito parelhas, mas quero destacar ainda “Pedalload” (Karine Cunha), que a autora cantou sobre uma bicicleta, incorporando à melodia com sabor das músicas dos festivais dos anos 60 os sons da correia e da campainha. Talvez se repetisse no domingo o desempenho vocal mais contido do sábado, Karine pudesse estar entre os premiados.

Os problemas no som na noite de encerramento, domingo, dia 17 de agosto, não chegaram a tirar o brilho da festa. Maurício Barcellos precisou recomeçar a ótima chacarera que defendia, “O Livro” (Carlos Madruga – Vaine Darde), chegando a ser aplaudido durante a música (que merecia algum prêmio!), fato raro que aconteceu ainda com “Guasqueiro” (Alberto Ventura Neto – Ramiro Amorim), uma milonga (embora Alberto jurasse que compusera um chamamé). “Mão na Estrada” (Renier Salgado – Vera Affonso), balada cantada por Renier, também sofreu com tropeços no som e, a exemplo de “O Livro”, ficou de fora da premiação.

O espetáculo nacional do domingo ficou a cargo de Zeca Baleiro, com músicas do CD PetShopMundoCão. Zeca apresentou canções com arranjos bem roqueiros, fechando com “Heavy Metal do Senhor”. Pouco antes, quase levou a segurança da Moenda ao desespero, ao descer do palco para cantar no meio do público, andando pelo ginásio e citando músicas de Teixeirinha, Vítor Ramil e Berenice Azambuja, além de dedicar o espetáculo a Mary Terezinha, Nei Lisboa e Gaúcho da Fronteira.

(F. G.)

***

O Traço vai voltar a fazer a União

O espaço da Roda de Samba Traço de União, em São Paulo, teve as atividades suspensas na semana que passou devido à venda do imóvel que utilizava. Com certeza, o novo proprietário não quer saber de samba & choro dentro de seus domínios. Uma pena. Deixamos aqui a nossa solidariedade aos amigos do grupo É do Baú para que em breve voltem a alegrar os sábados da paulicéia desvairada, porque temos a certeza: o Traço vai voltar a fazer a União! (Podem usar o slogan).

(F. G.)

***

Fala Brasil lança DVD

O jornal Fala Brasil lançou seu DVD na Cia. de Arte (Porto Alegre – RS), no dia 6, com apoio do Brasileirinho. Rosane Scherer, editora do jornal e idealizadora do Movimento Fala Brasil, não tem dúvidas de que “a tendência global é o crescimento dos movimentos independentes”, pois “todos os segmentos culturais, unidos, têm grande força”. O movimento engloba o trabalho de pessoas no Brasil, Argentina, México e Estados Unidos, “quebrando as idéias de preconceito, fronteira e raça”. O músico Neto Schaeffer se declarou feliz ao trabalhar com o Fala Brasil, ajudando a “conectar culturas”. “Tecnologia e conteúdo precisam estar unidos”, acrescentou.

Antes da exibição do DVD, Neto (voz e violão) e Broder Bastos (voz e baixo de 5 cordas) apresentaram músicas pop em inglês do seu projeto Neto Música Brasil. Na seqüência, cantaram Pedro Mazan (à direita na foto) e Luiza Caspary (centro da foto), ambos de 14 anos. Pedro brilhou com duas composições suas, “Guerra Paz” e “Eu Vim Aqui”. Luiza também exibiu um tema seu, “Esnobe”. Os dois igualmente navegam bem em águas alheias: Luiza impressionou em “Malandragem” (Cazuza) e, com Pedro e o reforço de Evandro ao violão (à esquerda na foto) , mandou bem em “My Wings”, do Lacuna Coil. Num final em que os queixos da platéia caíram, Luiza fez um vocalise bem agudo por vários minutos, enquanto Pedro ao violão tocava uma espécie de compasso 8/4, afinado com o movimento do seu cabelo. Não vou cair no chavão de “ah, eles têm futuro”. Eles têm, já, é um bom presente, aliás, presenteados fomos nós que pudemos assisti-los!

(F. G.)

***

Ano Lupicínio

O empresário Lupicínio Rodrigues Filho esteve na quinta, dia 14, na Câmara Municipal de Porto Alegre solicitando o apoio dos vereadores na campanha para que o Ministério da Cultura declare 2004 como Ano Cultural Lupicínio Rodrigues, a exemplo do que fez neste ano com o centenário Ary Barroso. Já estão afinados com a proposta o Sindicato dos Músicos do Rio Grande do Sul e a OAB/RS. No ano que vem, Lupi estaria completando 90 anos, além de se completarem 30 que nos deixou.

(F. G.)

Copyright © 2003. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais