Mistura e Manda
Nº 17 - 29/09/2003
CAPES - não deixe fecharem a porta do conhecimento!
A leitora Camila Neumam, estudante de Jornalismo
de Bauru (SP), alertou-nos que o MEC estaria cogitando de tirar do ar o portal
de periódicos da CAPES (http://periodicos.capes.gov.br/),
por estar com baixa visitação. Em seguida, outra acadêmica,
Tilly Aune, de Macaé (RJ), e a advogada Jane Lapa, de Niterói (RJ)
(que já colaborou no Mistura
e Manda nº 5) também alertaram para o mesmo fato.
O
Brasileirinho se solidariza com a campanha. Não se pode fechar a
porta do conhecimento! Visitei o portal duas vezes na semana que passou, a última
no domingo, 28. Ele está, ao contrário do que afirmaria o MEC, recebendo
um volume muito expressivo de visitas (mais que o dobro do Brasileirinho!),
inclusive isso é comemorado num banner animado na página principal
deles. Por meio do portal, é possível acessar artigos de revistas
especializadas de praticamente todos os ramos do conhecimento, em português,
inglês, espanhol e francês, além de haver links para outros
portais semelhantes, como o da Biblioteca Nacional.
Se o acesso estava
baixo (o que não parece ser verdade!), o que resolve é divulgar,
e não tirar do ar. Para vocês terem idéia, sem o portal da
CAPES, o acesso aos artigos deixaria de ser gratuito e poderia custar até
US$ 20 por matéria.
(Fabio Gomes)
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Catabandas
Mudando
de assunto, mais ainda falando de divulgação: não adianta
a pessoa ter talento e os outros não saberem. Foi essa a idéia que
animou o cearense Thiago Maniglia a, no final de 1999, criar o Sistema Catabandas.
Em janeiro de 2001, ele lançou dois frutos desta empreitada: uma revista
(substituída depois por um CD-ROM interativo) e uma página na internet,
o www.catabandas.com. No momento, o Catabandas
está aceitando inscrições para o novo CD-ROM e os músicos
que se inscreverem até o dia 30 de setembro concorrem a um espaço
"avançado" (a expressão é do próprio Thiago)
no CD. De qualquer forma, não se prendam pelo prazo, pois haverá
um novo CD a cada quatro meses - e o site é permanente, óbvio.
(F.G.)
***
Pixinguinha e Benedito Lacerda
Pixinguinha não vivia um bom momento em 1945.
Já há três anos não gravava como solista de flauta
- talvez jamais se saiba ao certo, mas é possível que, devido ao
alcoolismo, não conseguisse mais tocar o instrumento. Na mesma época,
afastou-se da Rádio Mayrink Veiga e parou de ser contratado como arranjador-regente
- o último êxito em que colaborou fora gravado em 21 de novembro
de 1940, "Alá-lá-ô" (Nássara - Haroldo Lobo),
sucesso de Carlos Galhardo no carnaval de 1941. A situação fazia
com que Pixinga atrasasse freqüentemente as prestações de sua
casa.
Surge então Benedito Lacerda, líder do melhor conjunto
regional da época, para salvá-lo: conseguira com a Editora Vitale
adiantamentos no valor suficiente para colocar as prestações em
dia, além de acertar com a RCA Victor a gravação de 25 discos
com Pixinguinha tocando saxofone e Benedito, flauta, acompanhado ou não
do regional. Até aqui, tudo bem. A cláusula que ainda hoje gera
críticas a Benedito é aquela em que ele passaria a ser co-autor
dos choros de Pixinguinha que a dupla viesse a gravar. Mesmo aqueles que Pixinguinha
escrevera quando Benedito nem sabia o que era flauta: "Um a Zero" ou
"Oito Batutas", por exemplo.
Não há porque,
entretanto, criticar Benedito. Em primeiro lugar, foi graças à sua
mobilização que Pixinguinha não foi despejado e pôde
voltar a trabalhar. Em menos de dois anos, a dupla passava a ser a principal atração
do programa O Pessoal da Velha Guarda, produzido por Almirante para a Rádio
Tupi (o programa durou até 1954, tendo passado também pelas rádios
Clube do Brasil, do Rio, e Record, de São Paulo). Segundo, o autor das
músicas, Pixinguinha, concordou. Terceiro, Dito e/ou a RCA foram além
do prometido inicialmente: foram 34 os discos da dupla, tendo o último
saído em 1951. É verdade que a melhor fase é a que vai até
o disco "Sedutor"/"O Gato e o Canário" (ambas assinadas
por Pixinguinha - Benedito Lacerda), de 1949; depois é como se os dois
cumprissem tabela (se bem que eu prefiro um Pixinguinha e/ou um Benedito Lacerda
cumprindo tabela a dezenas de pseudotalentos dando o máximo de si!). Boa
parte dessas gravações consta do CD duplo Pixinguinha - 100 Anos
(BMG, 1997).
O mais curioso disso tudo é que, sendo Benedito
indiscutivelmente um de nossos melhores chorões, quando compunha preferia
sambas ("Despedida de Mangueira", com Aldo Cabral), valsas ("Número
Um", com Mário Lago) ou marchas ("Verão do Havaí",
com Haroldo Lobo). No fundo, talvez esta campanha a favor de Pixinguinha (na qual,
quero deixar claro, vejo sinceridade) fosse também uma forma de incluir
na sua musicografia verdadeiras pérolas do choro (como "Sofres
porque Queres").
(F. G.)
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