Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 27 - 15/12/2003

Novidades no Brasileirinho

Nesta semana, colocamos no ar uma reportagem sobre o debate que antecedeu a realização do 6º Festival de Música de Porto Alegre - Festival de Porto Alegre: Caminhos Percorridos, Rumos Possíveis. Aliás, o Festival marcou mais uma prova da agilidade do Brasileirinho: o resultado do certame entrou no Mistura e Manda na página e foi enviado a nossos assinantes às 23h30 do dia 7 de dezembro, menos de uma hora após o anúncio oficial dos vencedores no Auditório Araújo Vianna. Os principais jornais da capital gaúcha só estamparam o resultado na terça.

Também passamos a comercializar o CD do Clube do Choro de Porto Alegre. Veja como adquiri-lo em Clube do Choro - Músicas.

(Fabio Gomes)

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Clube do Choro grava Jornal do Almoço

O Clube do Choro de Porto Alegre - representado por Myriam Sampaio (voz), Sampaio (violão), Cebolinha e Madruga (cavaquinhos), Barbosa (gaita), Runi Corrêa (surdo), André (pandeiro) e Paulo Platt (caixeta) - gravou "Boas Festas" (Assis Valente) na terça, dia 9, nos estúdios da RBS TV. O clip será levado ao ar no Jornal do Almoço Especial de Natal, no dia 25, junto com outras músicas natalinas gravadas por diversas bandas de Porto Alegre.

Os músicos providenciaram uma segunda voz, ressaltando trechos do refrão, e se saíram muito bem. Inclusive Barbosa, que comentou jamais ter tocado aquela música antes.

(F. G.)

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Camerata Brasileira

O violonista Moysés Lopes informou no dia 10 a decisão sobre o novo nome da antiga Camerata Alma Brasileira. Agora o grupo se chama Camerata Brasileira - parecido o suficiente com o anterior para permitir a identificação pelo público e diferente o necessário para não ser confundido mais com o Alma Brasileira Trio.

Atualizamos o nome do grupo nos artigos em que ele é citado, bem como na entrevista. As menções nos Arquivos das Dicas e do Mistura e Manda não serão alteradas.

(F. G.)

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Samba-Canção - o filme

O diretor mineiro Rafael Conde esteve no dia 10 no Cine Santander, em Porto Alegre, comentando seu filme Samba-Canção. A história é incrível: a fita conta as peripécias de um cineasta, Zé Rocha, que pretende fazer um filme sobre o samba-canção, a se chamar Flor do Tempo. Dificuldades de orçamento, porém, impõem diversas modificações ao projeto - e essas modificações são imediatamente transpostas para a tela. Assim, Samba-Canção começa em 35mm, colorido, e vai passando para preto-e-branco, 16mm, 8mm... O mais genial disso tudo é que, na vida real, Conde queria mesmo fazer um filme chamado Flor do Tempo. Passou, porém, por muitas dificuldades que, levadas à tela, resultaram nesse filme a um só tempo alegre e triste. E que não deve se restringir a um circuito para estudantes e cineastas, como planeja Conde. O grande público não pode ser privado do contato com uma obra de tal qualidade. Não se prive: leia nas Dicas os horários do filme. Ah, por enquanto ele só está em Porto Alegre, a cópia é filha única.

(F. G.)

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Samba-Canção - as cuecas

A um dado momento do filme Samba-Canção, o cineasta Zé Rocha vai buscar financiamento para seu filme num banco e a diretora que o atende diz que o título Samba-Canção lhe sugere cuecas. Rocha reage horrorizado, rejeitando a possibilidade de patrocínio da fita por uma fabricante de cuecas.

Por que será que um nome de gênero musical acabou denominando uma peça do vestuário íntimo masculino? É curioso, principalmente se pensarmos que a música considerada o primeiro samba-canção ("Linda Flor", de Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto) é de 1929, quando as referidas cuecas já existiam. E dominaram o mercado ainda por muitas décadas, até por falta de concorrência. Apenas em meados dos anos 1950 é que foram lançadas as cuecas modernas, mas sem muita publicidade, como se deduz do que Juca Chaves contou em seu depoimento no livro A Primeira Vez... à Brasileira, de Heloneida Studart e Wilson Cunha (Rio de Janeiro: Nosso Tempo, 1977). O livro relata as primeiras experiências sexuais de gente como Elke Maravilha, Ney Latorraca, Sandra Bréa, Marília Pêra e até o pintor Di Cavalcanti.

Pois bem, Juca relata que, quando fez 16 anos, em 1954, um colega mais velho o apresentou a uma mulher que iria iniciá-lo. A coisa deveria ser resolvida rapidamente pois ela era noiva. Marcaram no apartamento dela, ele tocou uma canção, ela ofereceu uísque e cigarro, ele aceitou, ela sorriu e começou a tirar a roupa, ficando de calcinha e sutiã. Passamos agora a palavra a Juca:

"E ela.

- E você, não vai tirar a roupa?

Tirei. Fiquei plantado diante dela, de cuecas, com ar de idiota. Aí um susto lhe passou pelo rosto. Dúvida cruel, acho eu. Acabavam de ser lançadas essas cuecas de malha, em substituição às famosas sambas-canção. A moça olhou com espanto para aquela peça.

- Que é isso? - repreendeu, severamente. - Você está com sunga de mulher?

- É uma moda nova - expliquei, humildemente.

Aí ela se tranqüilizou e foi tirando o resto das peças que faltavam.(...)"

É bom lembrar que, com o advento da bossa nova, no final da década de 1950, passou-se a chamar tudo o que parecia ser diferente, moderno, como bossa nova - mesmo que nada tivesse a ver com a nova batida de violão de João Gilberto. Me parece que, por oposição, algumas coisas que passaram a ser vistas como antiquadas tenham sido denominadas samba-canção - entre elas as cuecas.

(F. G.)

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