Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 28 - 22/12/2003

Avisos

(Fabio Gomes)

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Mensagens de Natal

Agradecemos e retribuímos os votos de feliz Natal e próspero 2004 recebidos da Camerata Brasileira (RS), da Roda de Samba Traço de União (SP), da Sociedade do Choro (SP), da Belotur (MG), da Cem Cerimônia Eventos (RS), da atriz Viviane Juguero (RS), da cantora Letícia Oliveira (SP), da pianista Dulce Auriemo (SP), do compositor Roberto Porcher (RS), dos violonistas Cláudio Jorge e Gabriel Improta (RJ), dos produtores Alexandre Antunes, Alê Barreto (RS) e Roberto Moura (RJ), dos jornalistas Marcello Campos (RS), Maria Dinorah de Araújo, da Unisinos (RS), e Érica Nagumo, da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo, do webdesigner Luís Menezes (RS), das professoras Cândida Rosa Ferreira Costa (RJ), Eliane Corrêa (TO) e Maria Berenice da Costa Machado (RS), e dos leitores Larissa Gil Siqueira (BA), Roseli Gurgel (DF), Tatiane Passos (GO), Ana Lira, Cerize Ferrari (PE), Juliana dos Santos Barbosa (PR), Felipe Sal (RJ), Fernanda Gomes, Glória Lacerda Peixoto, Vânia Ben (RS) e Carolina Monteiro (SP). Abaixo, compartilho com os leitores uma mensagem em especial que me emocionou muito, servindo de incentivo para prosseguir no mesmo diapasão a jornada do Brasileirinho - A Sua Página de Música Brasileira em 2004.

(F. G.)

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Mensagem do Mestre Altamiro

Olá Fábio!

O artigo que mandou para mim há tempos atrás (O Eterno Jovem Altamiro) já está na França, Alemanha e pelo Brasil afora! Traduziram para mim. Já faz parte do material que envio junto com o release e fotos para eventos. Agradeço novamente suas palavras de carinho.

Sua mensagem, muito bonita e verdadeira, me deixou comovido. Obrigado, filho. A você e aos seus eu também desejo um Feliz Natal e um 2004 muito melhor ainda do que o ano que termina.

Um abraço do amigo

Altamiro Carrilho

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"Boas Festas"

"Boas Festas", de Assis Valente, é a mais conhecida música brasileira tendo como tema o Natal. O baiano Assis, que vivia então numa pensão em Icaraí (Niterói), expressou na marcha sua saudade da família. Composta no Natal de 1932, a música foi gravada por Carlos Galhardo na Victor em outubro de 1933 e lançada com grande êxito no Natal daquele ano, constituindo-se no primeiro sucesso do cantor e do compositor. O arranjo de Pixinguinha incluía um sino fazendo contracanto após o verso "o sino gemeu" e numa breve pausa no verso "Papai Noel, vê se você tem". Galhardo precisou regravá-la em 1942 (o termo exato é este: precisou, porque na época as matrizes eram de cera e iam se desgastando se eram feitas muitas cópias; nesses casos, a gravadora convocava o cantor a fazer novo registro para poder ter outra matriz copiável). Nova versão foi feita pro LP Datas Felizes (1968).

Mais tarde, a canção entraria para o repertório dos Novos Baianos (gravada num compacto simples ao vivo, em 1974, pela Continental).

(F. G.)

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Ciclo natalino dos anos 30

Outras músicas já haviam cantado o Natal desde 1913 (ocasião em que a Banda do 10º Regimento de Infantaria do Exército gravou o xote "Natal das Crianças Pobres", de Eduardo F. Martins), mas foi só com o espetacular sucesso de "Boas Festas", em 1933, que as gravadoras decidiram explorar o filão. Assim, em 34, Francisco Alves lançou "Meu Natal", que compusera com Ary Barroso, e Almirante gravou "A Bênção, Papai Noel" (Bide - Alberto Ribeiro). O mesmo Bide, em parceria com Ataulfo Alves, escreveu "Papai Noel" para Galhardo lançar em 1935. Neste mesmo ano, Carmen Miranda apareceu com "Dia de Natal" (Hervê Cordovil), em que o presente pedido a Papai Noel era "fazer chegar depressa o carnaval"...

Apesar do indiscutível talento dos autores e intérpretes citados, nenhuma dessas marchas repetiu o sucesso de "Boas Festas" nem entrou para o inconsciente coletivo, o que levou ao fim do ciclo.

(F. G.)

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Música de Natal nas paradas de sucesso

A partir de 1950, as gravadoras voltaram a apostar nas músicas de Natal. Vem desse período, que se estende até o final da década de 1960, a maior parte do repertório que se canta até hoje na noite de 24 de dezembro.

A bem da verdade, houve algumas tentativas na década de 40. Carlos Galhardo incluiu "Sonho de Natal" (Sanches Andrade) no disco com a regravação de "Boas Festas" em 1942. Francisco Alves e o Trio de Ouro lançaram um disco em 1945 tendo, de um lado, adaptações de Luiza Margarida para "Noite Feliz" (Franz Gruber), denominada aqui "Noite Santa, Silenciosa" e para uma música de Wolfgang Amadeus Mozart que foi batizada como "Amanhã Vem o Papai Noel"; do outro lado, "Natal", de Herivelto Martins e Rogério Nascimento.

Mas foi em 1950 que Galhardo (sempre ele! O cantor que dispensava adjetivos foi o maior lançador de músicas natalinas no Brasil) gravou a canção "Feliz Natal" (Peterpan - Ghiaroni). A partir daí, o caminho estava aberto para Francisco Alves gravar em 1951 "Canção de Natal do Brasil" (dele, David Nasser e Felisberto Martins) e "Sinos de Natal" (Victor Simon - Wilson Roberto), e, nos anos seguintes, Orlando Silva, Elizeth Cardoso e o Trio de Ouro manterem o ciclo ativo. Mas os sucessos novamente vieram na voz de Galhardo, com as valsas de 1957 "Natal das Crianças" (Blecaute) e "O Velhinho" (Otávio Santos), que seguem sendo cantadas em todos os Natais.

Fora do rock (ver abaixo), o maior destaque natalino da época ficou com o palhaço Carequinha, que lançou em 1958 "Lá Vem Papai Noel" e no ano seguinte "Meu Bom Papai Noel". Sem contar, claro, com o megafenômeno Louis Bordon, que colocou seu LP A Harpa e a Cristandade na parada de sucessos em 1960. Relançado em 1964, novamente vendeu bem, motivando o lançamento de A Harpa e a Cristandade - Vol. 2, em 1965. Até hoje, esses discos são campeões de execução nos shoppings em dezembro.

(F. G.)

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Rocks de Natal

Os intérpretes do jovem rock brasileiro passaram a dedicar-se ao repertório natalino seguindo os passos de Elvis Presley, que lançara em 1957 seu Christmas Album, com os rocks de Natal pioneiros. Já em 1958, Os Golden Boys regravaram "Natal das Crianças" e uma versão de Evaldo Rui para "Jingle Bells", intitulada "Sinos de Natal" (que o Trio de Ouro já gravara). Pelo visto, era uma espécie de teste da gravadora Copacabana para ver a reação do púbico. Como este gostou, receberia nos anos seguintes novas músicas de Natal cantadas por Celly Campello, The Bells, Demétrius e Maria Regina.

Durante a Jovem Guarda, Os Populares lançaram O Natal dos Populares como compacto duplo em novembro de 1966 e como LP em dezembro. No mesmo ano, fizeram sucesso os compactos duplos Feliz Natal, de The Pops, e Natal com Lafayette, com o grupo do tecladista que acompanhava todo mundo na CBS.

(F. G.)

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Não mudou o Natal, mudou o mercado musical

Parafraseando o título da última gravação de Galhardo para as festas de final de ano - "Não Mudou o Natal" (Alcyr Pires Vermelho - Oswaldo Santiago), de 1967 -, acredito que as mudanças pelas quais o mercado fonográfico vem passando desde o início dos anos 70 levaram ao fim da música natalina como gênero. Durante os anos 50 e 60, dispunha-se de uma variedade de suportes musicais à disposição do público - compacto simples, compacto duplo, LP -, que permitiam, por exemplo, à gravadora lançar em dezembro um compacto com duas (ou quatro) músicas de Natal, que só venderia naquele período, recolhê-lo em janeiro e relançá-lo no final do ano seguinte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Altemar Dutra, que fez sucesso com "Balada para Qualquer Natal" em 1966 e 1967.

O LP de Natal foi sempre uma exceção, para sucessos certos como o harpista Bourdon - como vimos no tópico anterior, Os Populares testaram a idéia lançando primeiro um compacto.

A partir de meados dos anos 70, com a opção das gravadoras pelo LP (depois CD) como formato único a ser oferecido ao público, era natural que o repertório natalino sumisse do mapa. Com a nova ordem, ou o artista lança um disco inteiro só de músicas de Natal (como o que Simone fez nos anos 90, puxado pela versão para "Happy X'mas" de John Lennon) ou inclui uma canção natalina num CD de carreira, o que em termos de mercado só parece interessante se o disco sair em dezembro. Mas quem faz isso? Nem Roberto Carlos, que desde 1965 lança seu disco nesse mês. Em todo esse período, ele só gravou uma canção de Natal - "Meu Menino Jesus" (parceria com Erasmo Carlos, 1998).

(F. G.)

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Presos no dia de Natal

A única música brasileira que encontrei tendo o Natal como cenário é "In the Hot Sun of a Christmas Day" (Caetano Veloso - Gilberto Gil), em que os baianos comentam a sua prisão em 1968 no dia de Natal. A bem da verdade, a prisão aconteceu no dia 27 de dezembro, mas a antecipação ajuda a criar o clima dramático tenso da canção, escrita em inglês e incluída por Caetano no seu LP gravado em Londres em 1971 (intitulado apenas Caetano Veloso).

(F. G.)

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