Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 29 - 29/12/2003

Benedito: "Tem um garoto aí tocando flauta muito bem"

O garoto em questão era Altamiro Carrilho, que Benedito Lacerda indicava para substituí-lo no Regional do Canhoto, formado em 1951 por antigos integrantes do Conjunto Regional de Benedito Lacerda. Na entrevista que fizemos com ele, Altamiro conta em detalhes esse grande momento da história da música brasileira, além de falar ainda de Jacob do Bandolim, relembrar a Bandinha e as viagens para o exterior com a caravana da música popular criada por Humberto Teixeira - numa dessas viagens, estava junto uma cantora que começava a fazer sucesso: Elis Regina. Seu novo CD, Música, Graça de Deus, e o programa que ele apresenta na Rádio MEC não podiam ficar de fora da conversa.

(Fabio Gomes)

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Feliz Ano Novo

Provavelmente a única música brasileira para ser cantada na passagem de ano seja "Fim de Ano", de Francisco Alves e David Nasser, gravada por João Dias em 1951. Todo mundo já cantou ao menos o refrão: "Adeus ano velho, feliz Ano Novo/ Que tudo se realize/ No ano que vai nascer./ Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender."

Existem ainda duas músicas em que a troca de ano é o tema. Uma delas é "Ano Novo", de Chico Buarque, gravada pelo autor em 1967, em que ele propunha à amada e ao amigo que, mesmo tristes e maltrapilhos, fingissem alegria pelo novo ano, porque senão "o rei não vai gostar".

Outra música em que a passagem é o tema é "31 de Dezembro", de Fernando Lobo e Evaldo Rui, lançada por Elizeth Cardoso em 1956. A letra abordava a tristeza de uma mulher que não poderia passar a festa de Ano Novo com seu amado - o que não ficava claro no texto é que a impossibilidade era por ele ser casado com outra. Menos ainda se sugeria que, na vida real, a mulher era Elizeth e o amado era Evaldo Rui, que recebeu a parceria de presente de Fernando Lobo - afinal, sem ele a música não existiria... De qualquer forma, a música foi poucas vezes cantada por Elizeth em público, salvo em programas de rádio especiais em fim de ano.

(F. G.)

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Mensagens de Natal

Nesta semana, recebemos ainda várias mensagens de Natal e Ano Novo: da violonista Liza Maria (SC); da cantora Adriana Deffenti (RS); do sambista Fábio Canalli (RS); do músico Paulinho Guitarra (RJ); da atriz Carolina Garcia (RS); da relações públicas Loren Hofszetz (RS); da leitora Rosa Maria Roque de Jesus (RS); do Status Café Cultura e Arte (MG); da gravadora Collector's (RJ); da agência de turismo Rota Cultural (RS); do Instituto Jacob do Bandolim (RJ); e do jornal Fala Brasil (RS).

(F. G.)

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Brasileirinho pelo mundo

Neste ano que se aproxima do final, o Brasileirinho, além de estar com excelente audiência do Oiapoque ao Chuí, também recebeu visitas de 21 países de 3 continentes. Até o dia 26 de dezembro, tivemos ao menos uma leitura comprovada de cada um dos seguintes países: América do Sul - Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Colômbia e Venezuela; América do Norte - EUA e México; Europa - Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Suíça, Irlanda, Dinamarca e Polônia; Ásia - Israel, Tailândia e Japão. Além disso, duas assinantes das Dicas, brasileiras, residem atualmente fora do país, uma na Inglaterra, a outra nos Estados Unidos.

Nessa internacionalização que vem ocorrendo, o fato mais curioso se deu em outubro, quando um grupo chamado Brasileirinho apresentou-se na Suíça, mais especificamente no cantão (província) do Jura. A pessoa que fez a agenda de concertos do cantão naquele mês incluiu no nome do grupo um link para nosso site, na certa imaginando que www.brasileirinho.mus.br só podia ser a página do referido grupo...

(F. G.)

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Samba-Canção - as cuecas (2)

No Mistura e Manda nº 27, apresentei a hipótese de que o nome de samba-canção a um tipo de cueca certamente havia sido dado por volta de 1960, em oposição à onda de denominar tudo que parecesse diferente como "bossa nova".

A junção entre peça e nome, no entanto, ocorreu não no início, e sim no final da década de 60, como relata Caetano Veloso em seu livro Verdade Tropical (Cia. das Letras, 1997, pág. 375), referindo-se à prisão dele e de Gilberto Gil no final de 1968:

"...ao chegar a cada um dos três quartéis por onde passamos, nos despojavam de todos os nossos pertences e roupas. Eles nos mandavam tirar os relógios, as carteiras com o que houvesse de dinheiro e documentos, e, por fim, as roupas, com exceção apenas das cuecas mínimas, tipo sunga, então ainda uma novidade (e, no entanto, todos os rapazes do meu xadrez [prisão] usavam-nas igualmente, sem nenhum caso de preferência pelo que a essa altura se começou a chamar de 'cueca samba-canção' - embora esta devesse ser encontradiça no xadrez de Gil, cheio de homens mais velhos)."

Em relação à época do nome, creio que Caetano esteja certo. Só penso que ele se enganou ao indicar a cueca tipo sunga ainda como "novidade" em 1968 - pois ela já era usada por Juca Chaves em 1954...

(F. G.)

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