ZIRINGUINDIM - ZILAH MACHADO
Considerada
uma referência no samba produzido no Sul do País, a intérprete,
compositora e percussionista Zilah Machado lança Ziringuindim, o
segundo CD de sua carreira. Produzido pela jornalista e produtora cultural Silvia
Abreu, o trabalho contou com a participação do músico Gelson
Oliveira, que assina a direção musical e artística em co-produção
com Rodrigo Panassolo. O CD registra, em 16 faixas inéditas, diferentes
facetas da intérprete e do seu rico universo musical e poético,
revelado em sambas-canções, sambas-de-roda e sambas-exaltação.
O projeto recebeu financiamento do Fumproarte da Prefeitura de Porto Alegre. Canções
como "Calmaria", "Tá chegando gente", "Irresistível",
"O samba está aqui", "Aruandê", "Bahia no
coração", "Ziringuindim", entre outros sambas, todos
expressões genuinamente brasileiras, compõem o repertório.
O CD
Uma das grandes dificuldades apontadas pelo diretor musical, Gelson Oliveira, que também assina os arranjos, foi escolher, entre mais de 200 canções compostas por Zilah, as que iriam integrar o disco. Uma curiosidade a respeito do processo criativo da cantora, é que ela compõe marcando o ritmo com um tambor, fabricado por ela própria. Como parte da estratégia de divulgação do trabalho, pela primeira vez, Zilah terá seu trabalho divulgado na internet. O site www.zilahmachado.org - foi desenvolvido por Elinka Matusiak, da Toccata Consultoria em Música, em parceria com a jornalista Silvia Abreu, e traz diversas informações sobre a carreira e a vida da artista, além de fotos e amostras de seus registros fonográficos, incluindo seus trabalhos anteriores.
Ziringuindim
foi gravado no Transcendental Áudio, em Porto Alegre. A mixagem e masterização
ficaram ao cargo de Léo Bracht e Rodrigo Panassolo. Participaram do CD
os músicos Gelson Oliveira (violão, guitarra, backing-vocal), Edinho
Espíndola (percussão, bateria e backing-vocal), Luiz Mauro Filho
(teclados), Luizinho Santos (saxofones/flauta), Lucas Esvael (contrabaixo), Fernanda
Lopes (backing-vocal) e Sil (backing-vocal), além da participação
especial de Silfarnei Alves (violão).
Zilah
Machado
Considerada uma das principais cantoras e compositoras
gaúchas, Zilah Machado, que também é percussionista, ainda
guarda um tesouro de muitas canções, ávidos por serem cantadas,
e histórias, que carecem ser registradas. Histórias que falam de
seu pioneirismo como cantora, em uma época em que era preciso vencer preconceitos,
ou aprender a conviver com eles, já que a necessidade de cantar era maior
do que qualquer julgamento.
Zilah Machado nasceu na Ilhota, em Porto
Alegre, em 13 de abril de 1928. A mãe era lavadeira e não poupou
esforços para que a filha única estudasse, a fim de se tornar professora.
A proximidade com Lupicinio Rodrigues, entretanto, que era seu vizinho e grande
incentivador, frustrou as expectativas da mãe, que não conseguiu
alterar o destino da filha. Destino esse que Lupicínio já previra:
"Essa menina vai ser cantora porque já chora afinado", teria
dito. Foi com ele, seu padrinho musical, que aprendeu, aos três anos de
idade, a "Marcha do Jacaré", uma marcha de Carnaval.
Para
cumprir o desejo da mãe, foi estudar no Colégio Paula Soares, onde
participou do coro orfeônico. Aos dez anos, iniciou o estudo do canto lírico
com o maestro Roberto Eggers. Depois de três anos, a soprano-ligeiro teve
de abandonar o curso, por falta de recursos financeiros. Mais tarde, retomaria
os estudos musicais, com o mesmo professor, mas enfrentou preconceitos. "Por
ser negra, tive grande dificuldade de ingressar no mundo da música erudita,
apesar de ter estudado um total de onze anos", diz.
Abandonando
definitivamente o canto lírico, Zilah embarca para a Argentina, em 1962,
para uma temporada de três meses com a orquestra do maestro Délcio
Vieira. É o início de uma carreira internacional, que a levou até
o México. Ao retornar a Porto Alegre, passa a cantar na Rádio Gaúcha,
quando vence um concurso para substituir Elis Regina. Passa a se apresentar também
no Clube dos Cozinheiros, casa noturna de Lupicínio e de Rubens Santos,
e em programas de auditório.
Com o fim da "Era de Ouro"
do Rádio, em 1971 Zilah vai tentar a sorte no Rio de Janeiro, cantando
em casas noturnas e programas de rádio e TV. Lá permanece até
1982. Reveza-se entre o trabalho como diarista e gravações como
integrante de coro em discos para a Odeon e CBS. Em 1980, lança seu primeiro
LP, Já se Dança Samba como Antigamente, pela CBS. No Rio
de Janeiro, cantou ao lado de Cauby Peixoto e participou de musicais de Osvaldo
Sargentelli, no Hotel Nacional e na Rádio Globo.
Trabalhou como
atriz de teatro, cinema e rádio. Participou dos filmes Quem Matou Pacífico?,
As Manicures e Lúcio Flávio, Passageiro da Agonia.
No teatro, atuou nas peças A Volta do Araraí e Sem tua
Presença e integrou o elenco da novela A Cabana do Pai Tomás,
da TV Tupi. Em 1981, Zilah recebeu o diploma Cinco Estrelas, como Revelação
do Ano, do Jornal Copacentro.
De volta à terra natal, apresenta-se em casas noturnas como Carinhoso, Velho Amigo, Acalanto, João de Barro. Em 1988, lança pela CBS seu segundo LP, Lupiciniana, em que interpreta o mestre Lupicínio Rodrigues. No mesmo ano, foi agraciada pela Prefeitura da capital gaúcha com a Medalha Cidade de Porto Alegre. Em 2000, por intermédio da Secretaria Municipal da Cultura, lança seu primeiro CD, Passageira da Nave dos Sonhos, um registro de suas composições inéditas. Neste trabalho, mostra sua essência poética e revela o legado herdado do mestre Lupicínio. Agora, Zilah Machado ressurge, revigorada, com o seu Ziriguindim, que mereceu a direção musical de outro grande artista, Gelson Oliveira, e no qual brinda a todos com mais um pouco de seu rico legado cultural.
Ficha Técnica do CD
Direção Artística e Musical: Gelson OliveiraCopyright © 2009. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais