ELTON MEDEIROS: "A MÚSICA É O MEU AR"
Por Fabio Gomes
Entrevista realizada em Porto Alegre, em 18 de fevereiro de 2004
BRASILEIRINHO - Há quanto tempo tu não
vinhas a Porto Alegre?
ELTON MEDEIROS - Eu não vinha a Porto Alegre desde o início da década de 70, quando eu vim aqui fazer o Sarau com o Conjunto Época de Ouro e o Paulinho da Viola, no Teatro Leopoldina. E lamentavelmente, amanhã tenho que ir-me embora, porque eu queria ao menos dar umas voltas por aí. Mas cheguei de Minas, fiquei um dia no Rio e vim pra cá. E agora vou passar o Carnaval lá meio escondido, porque eu não quero mais saber... Tô no Carnaval desde os 8 anos, eu tô com 73, então chega.
B - Cansou
do Carnaval?
E - É, chega. A garotada é que tem
que tomar conta do Carnaval, não sou eu. Eu fundei três escolas de
samba: a Tupi de Brás de Pina, que acabou, o Quilombo, que foi uma escola
que representava a resistência ao luxo, à ostentação
das escolas de samba e os Unidos de Lucas, que tá no 3º grupo.
B
- O Quilombo foi um projeto do Candeia, não?
E - É, a idéia foi do Candeia, mas quem participou da fundação foi Paulinho da Viola, Martinho da Vila, eu e muita gente, jornalistas como Juarez Barroso... Foi um movimento bastante interessante.
B - Tens composto ultimamente, como é que tá a tua produção?
E
- Você respira todo dia?
B - Sim.
E -
Se não respirar, o que que acontece?
B - Eu morro.
E - A música é o meu ar. Eu continuo fazendo música.
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