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Agência de Notícias Brasileirinho

Boletim de 3/11/08

NAU DE ARIANO SUASSUNA ATRACOU EM PORTO ALEGRE
Aula-espetáculo foi abertura festiva da 54ª Feira do Livro

A aula-espetáculo Nau, de Ariano Suassuna (abaixo, em foto de Luís Ventura), encantou a platéia que lotou o Teatro Sancho Pança (no armazém B do Cais do Porto), na noite do sábado, 1º. Ao longo de aproximadamente duas horas, o autor de A Pedra do Reino contou histórias dele e de Simões Lopes Neto, criticou a mediocridade imposta pelos meios de comunicação e conduziu o público por um rico mergulho na cultura brasileira.

As aulas-espetáculo são um projeto antigo de Ariano, retomado no começo do ano passado quando, a convite do governador Eduardo Campos, tornou-se Secretário Especial de Cultura de Pernambuco. Através delas, busca romper o isolamento imposto às diversas manifestações artísticas ao longo do século 20, principalmente por parte de críticos e filósofos preocupados com a "pureza". O próprio Ariano, aliás, tem sido criticado por defender a pureza da cultura brasileira, o que ficou negado tanto por suas palavras quanto pela concepção da aula-espetáculo.

Em vários momentos, Ariano criticou a mania brasileira de imitar os estrangeiros, mesmo em seus aspectos mais medíocres (citou o uso indiscriminado de vocábulos estrangeiros, como quando jornais de São Paulo chamaram Nau de "aula-show"; diz Ariano que em sua terra "show é interjeição de espantar galinha"). Disse, porém, que quem, como ele, deve tanto a autores como Calderón de la Barca, Cervantes e Molière não pode, de maneira alguma, ser xenófobo. Declarou também não ter "preconceito" contra a mediocridade, e sim raiva mesmo. Em especial, rebateu uma declaração do produtor musical Carlos Eduardo Miranda, publicada na imprensa paulista: "O grupo Calypso tem a cara superbrega do povo brasileiro. Já o guitarrista Chimbinha é genial." Além de não ver o povo brasileiro como "superbrega", Ariano arrancou gargalhadas da platéia ao se dizer preocupado:

- Se eu definir Chimbinha como genial, vou ter que inventar outra palavra para classificar Beethoven!

Já na aula-espetáculo, a diversidade se fez presente em todos os momentos. Nas três primeiras músicas, "Toré" (representando o indígena), "Nau" (sobre os povos ibéricos) e "Estrela Brilhante" (um maracatu, aludindo aos negros), enquanto as músicas remetiam às etnias que formaram o povo brasileiro, as coreografias tinham muito do balé clássico. A dança foi menos estilizada nos números finais "Maxixe" (solo da bailarina Ana Paula Santana), "Dobrado" (já com elementos rítmicos e coreográficos do que viria a ser o frevo) e "Tradicional" (o frevo, num solo do bailarino Jáflis Nascimento). Entre os dois blocos, uma homenagem à Nossa Senhora, através das músicas "Excelência", com letra de uma incelência (canto entoado por rezadeiras no interior do Nordeste como rito de passagem do falecido) tradicional e música de Antônio Madureira, interpretada pela cantora Isaar França, e "RoMaria", na voz do cantor Ednaldo Cosmo de Santana.

Todas as músicas apresentadas são de autoria de Antônio Madureira, ex-integrante do Quinteto Armorial, grupo idealizado por Ariano na década de 1970. Junto a Madureira ao violão, compunham o grupo os instrumentistas Eltony Nascimento (flauta, e flautim em "Tradicional"), Sérgio Ferraz (violino), Sebastian Poch (violoncelo) e Jerimum de Olinda (percussão). Além dos bailarinos já citados, também participaram Gilson Santana (o Mestre Meia-Noite), Pedro Salustiano e Maria Paulo Costa Rêgo (coreógrafa do espetáculo). Na condução da aula-espetáculo, auxiliou Ariano o arquiteto e mestre em Literatura Brasileira Carlos Newton Júnior.

(Fabio Gomes/ Agência de Notícias Brasileirinho)

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