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Agência de Notícias Brasileirinho

Boletim de 8/12/08

SITE BRASILEIRINHO DIVULGA OBRA
DE NOEL ROSA COMO MÚSICO

Nova página abre as comemorações dos 98 anos do Poeta da Vila

Na semana em que se comemoram os 98 anos do nascimento de Noel Rosa (o aniversário é na quinta, dia 11), mais um aspecto de sua obra é destacado no site Brasileirinho: sua atuação como instrumentista. Enquanto o compositor Noel é praticamente uma unanimidade nacional e o cantor segue dividindo opiniões mesmo depois de 70 anos de sua morte, o músico de estúdio é praticamente ignorado.

Foi como instrumentista que Noel começou sua atuação profissional na música, em 1929, quando Almirante, João de Barro, Alvinho e Henrique Britto, ex-integrantes do conjunto amador Flor do Tempo, convidaram-no para participar do novo grupo que estavam organizando, o Bando de Tangarás. Com o Bando, Noel gravou até 1932 vários discos nos selos Parlophon, Odeon e Victor. Quase sempre o cantor que solava as músicas era Almirante, cabendo a Noel o acompanhamento ao violão e participação no coro. O primeiro disco dos Tangarás saiu pela Parlophon em junho de 1929 com os sambas de Almirante "Mulher Exigente" e "Conseqüências do Amor" (este, em parceria com Henrique Britto). Já o último gravado com a participação de Noel trazia os sambas "Não Brinca Não" (uma embolada de Noel) e "Cabelo Branco" (Almirante - Valdo Abreu), lançado em junho de 1932; o solista era, novamente, Almirante. Após a saída de Noel, o Bando ainda lançou em 1933 um disco com "Festa de São João", classificado pela Odeon como uma "cena" (sic) de João de Barro, a quem coube o canto.

A saída de Noel do Bando se deu ao natural, já que o grupo pouco aproveitava seu talento de compositor. O próprio Noel já gravara cantando as músicas "Festa no Céu" e "Minha Viola", acompanhado por um conjunto não identificado no selo do disco, antes de ter um samba seu lançado pelo grupo que integrava ("Eu Vou pra Vila", em agosto de 1930). Outro ano se passou até que Noel fosse o solista de um disco do Bando - "Cordiais Saudações"/ "Mulata Fuzarqueira", em agosto de 1931 (antes disso, chegara a cantar alguns poucos versos em "Lataria", lançado em janeiro).

Noel participou de ao menos outros dois grupos de estúdio, que acompanhavam cantores em gravações da Odeon: Batutas do Estácio e Turma da Vila. Pouco se sabe desses grupos, salvo que Ismael Silva também participava do primeiro (possivelmente de ambos). Suas gravações conhecidas, com a participação de Noel, já foram publicadas no site: os Batutas acompanharam Noel e Ismael no samba "Escola de Malandro" (1932); e a Turma da Vila tocou em 1933 num disco de Noel ("Onde Está a Honestidade?"/ "Arranjei um Fraseado") e em outro de Francisco Alves ("Sei que Vou Perder"/ "Pra Esquecer"). Alguns autores citam a presença de Noel no grupo Gente Boa, o que não é confirmado em livro de Luiz Antonio Giron.

Fora estes, há a menção em alguns selos de discos de outras formações que Noel lideraria e sobre as quais nada consta em suas biografias. Em "Gago Apaixonado" (1931), o acompanhamento era de Noel Rosa e seu Grupo; em 1932, denominação quase idêntica - Noel Rosa acompanhado pelo seu Grupo - constava na ficha de "São Coisas Nossas".

As quatro músicas publicadas hoje na Rádio Noel Rosa - Músico são todas do Bando de Tangarás tendo Almirante como cantor, gravadas entre 1929 e 1931. Uma foi um grande sucesso, além de ser histórica: o samba "Na Pavuna", identificado no selo como "choro de rua" (sic!). Foi a primeira vez em que se usou na gravação de um samba grande número de instrumentos de percussão, à maneira do que já faziam as escolas de samba que surgiam no Rio de Janeiro na época. Outro disco, o do lundu "Vamo Falá do Norte", hoje é importante porque foi a partir dele que se pôde sonorizar o único filme que restou em que se pode ver Noel Rosa tocando - para vê-lo, clique aqui.

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(Fabio Gomes/ Agência de Notícias Brasileirinho)

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