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Agência de Notícias Brasileirinho

Boletim de 13/11/09

A CARTA MAIS CONHECIDA DE NOEL ROSA
Em Belo Horizonte, o Poeta da Vila escreve a seu médico
em 1935 brincando com a doença em versos

Muitas das cartas que Noel Rosa foram conservadas e várias até foram publicadas em biografias do Poeta da Vila. A mais conhecida é a carta que escreveu para seu médico e amigo Edgar Graça Mello, em 1935; esta também é a única que se justifica incluirmos nessa série que publicamos com a produção literária de Noel, por conter uma poesia em que, com muito humor, ele brinca com a tuberculose e o tratamento prescrito.

Não fazia muito que se soubera da doença; Noel desmaiou em meio a um show que fazia com Herivelo Martins, no Cine Grajaú, no começo de novembro de 1934. Chamado de imediato pela família de Noel, Edgar logo suspeitou de algo grave, que foi confirmado em seguida pelos exames: o diagnóstico de tuberculose, incurável na época. Edgar tranquilizou o paciente, pois pela sua idade (Noel completaria 24 anos no começo do mês seguinte) e pelo fato da tuberculose ter sido descoberta logo no início, seria possível contê-la observando-se alguns cuidados. Um deles era a mudança para uma cidade de clima mais ameno, um dos fatores decisivos para a mudança para Belo Horizonte. Também influiu o fato de que lá morava Carmen Corrêa de Azevedo, irmã mais velha de dona Martha, mãe de Noel. Foi na casa de Carmen e seu marido, Mário Brown, que os recém-casados Noel e Lindaura Rosa moraram entre janeiro e abril de 1935, quando retornaram ao Rio.

Ainda por recomendação de Edgar, Noel saiu outras vezes do Rio em busca de clima mais favorável: em março de 1937, passou alguns dias em Friburgo (uma ideia que se revelou desastrosa, pois o clima frio daquela cidade serrana fluminense, mesmo no começo do outono, só fez agravar o quadro de Noel) e entre o final de abril e começo de maio, em Piraí. Na cidade, Noel escreve suas duas últimas músicas (cujas melodias se perderam, se é que ele chegou a escrevê-las: "Mas Quem te Deu Tudo Isso?" e "Chuva de Vento") e também sofre forte hemoptise, que faz Lindaura apressar o regresso ao Rio, em 1º de maio. No dia 4, Noel morria no chalé da rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel, na presença de Edgar, que faz seu atestado de óbito. Na mesma casa, em 11 de dezembro de 1910, o pai de Edgar, José Rodrigues da Graça Mello, então no último ano de Medicina, atendera o chamado de dona Martha para fazer-lhe o parto, ajudando a trazer Noel ao mundo.

A carta que publicamos hoje foi escrita em 27 de janeiro de 1935, quando Noel visitou o Conservatório Mineiro de Música, onde sua tia Carmen era professora de violino. Reproduzida em 1962 por Almirante no livro No Tempo de Noel Rosa, a carta foi musicada em 1978 por João Nogueira, que lhe alterou algumas palavras e lhe acrescentou uma estrofe, onde saúda Noel, que entrou no lugar do endereço, ao final da carta. Com o título de "Ao Meu Amigo Edgar", foi gravada pelo próprio João Nogueira em LP Odeon lançado ainda em 1978. Nogueira tornou-se assim o terceiro, e até agora o último, parceiro póstumo de Noel. A primeira foi Marília Batista, que musicou "Balão Apagado" em 1961 e "João Teimoso" em 1962, e o segundo Hamilton Sbarra, que 1969 escreveu nova melodia para "Uatch!", rebatizando-a de "Atchim! (Cor de Leite com Café)".

(Fabio Gomes/ Agência de Notícias Brasileirinho)

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