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Agência de Notícias Brasileirinho

Boletim de 14/2/08

"A OUTRA CIA. DE TEATRO" AGUARDA HÁ TRÊS MESES VERBA DA FUNARTE
Contemplado no Prêmio Myriam Muniz, grupo não consegue saber a causa do atraso

A Outra Companhia de Teatro, atual grupo residente do Teatro Vila Velha, de Salvador, espera desde outubro o repasse dos valores a que tem direito por ter sido contemplado no ano passado no Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz. A verba seria utilizada na montagem do novo espetáculo da Outra, O pique dos índios ou A espingarda de Caramuru, de autoria de Haydill Linhares, com estréia prevista para março; os recursos também viabilizariam a realização do seminário Memória do Teatro Baiano nas décadas de 60, 70, 80 e 90, organizado pel'A Outra Companhia e contando com os mediadores Jussilene Santana, Aninha Franco, Luiz Marfuz e Fernando Marinho, com a posterior edição de um Caderno de Registro do evento, a ser distribuído nacionalmente.

Reproduzimos na seqüência a carta sobre a situação envolvendo a Funarte que A Outra Companhia encaminhou à imprensa, artistas e formadores de opinião nesta segunda-feira, 11 de fevereiro; o texto, a nosso pedido, foi atualizado pelo grupo ontem, dia 13.

(Fabio Gomes/ Agência de Notícias Brasileirinho)

"Saudações amigos da imprensa, gestores, colegas artistas,

Somos A Outra Companhia de Teatro, grupo residente do Teatro Vila Velha (Salvador, Bahia), há apenas quatro anos em atividade, estamos passando por uma situação complicada e relativamente comum no meio teatral. Gostaríamos de aproveitar o nosso "aperto" para trazer esta questão à tona, para discutir, movimentar, denunciar, articular, comunicar. É provável que outros grupos estejam passando por situação semelhante, e é importante que a gente se veja, se reconheça.

A Outra Companhia de Teatro foi contemplada com o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz no ano de 2007. Passamos com um projeto de um seminário sobre a história do Teatro na Bahia, dos anos 60 aos 90, agregando estudiosos do tema, professores, artistas atuantes nas quatro décadas, estudantes e curiosos, que resultará, ou resultaria, em registro escrito e audiovisual da história do teatro feito aqui, através da memória. O projeto prevê ainda montagem de espetáculo - um texto baiano dos anos 70 - de uma autora que este ano completa 40 anos de teatro. Durante o processo de montagem, aconteceriam oficinas de capacitação para o elenco e artistas da cena local. Oficina, seminário, espetáculo, registro. Trabalho de sobra.

Nosso cronograma foi se flexibilizando com o passar dos dias, assim como as ações propostas, até que a realização do projeto da forma que inscrevemos e que foi aprovado se tornasse inviável.

Atrasos em repasses de prêmios e patrocínios acontecem por motivos diversos, nós sabemos. Nesses casos, produtor de teatro vira malabarista, remaneja uma coisa de lá, põe cá, e resolve, para que o dinheiro seja gasto da forma prevista, os prazos sejam cumpridos, e para que não tenhamos problemas com o público, com os profissionais envolvidos ou com a prestação de contas. Essa realidade é conhecida. Assim como já fizemos teatro sem patrocínio, sem apoio financeiro algum, do jeito que dava, pedindo emprestado, negociando permutas, como quase todo artista de teatro brasileiro faz ou fez um dia. Já pudemos experimentar - apesar de ter relativamente pouca estrada - ser bem pagos, mal pagos e não pagos.

A situação atual, no entanto, é novidade.

Com três meses de atraso de repasse do patrocínio, a única informação que obtemos da Fundação Nacional de Artes (apesar dos insistentes telefonemas e e-mails), é que no fim do mês de janeiro teríamos uma previsão de quando a verba seria repassada. Até agora continuamos sem essa previsão. Outro comunicado interessante é que não podemos saber o motivo do atraso! Fomos informados que é "um problema com a Petrobrás", que não pode ser revelado! Então para quem nós ligamos? Com quem a gente fala? Para quem a gente reclama? O que acontece com os prazos a serem cumpridos?

Fica a impressão de que não somos levados a sério e que eles mesmos não consideram importante as ações que promovem e que tanto faz ter ou não projetos acontecendo...

Pior que trabalhar sem recursos e sem estrutura, é achar que vai ter e não ter. Repasse atrasado é ruim. Repasse atrasado, sem previsão de pagamento e sem nenhum tipo de esclarecimento é absurdo, é desrespeitoso.

E aqui aproveitamos para divulgar que não estamos esperando e que a nossa estréia está prevista e marcada para o dia 6 de março - O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru, no Teatro Vila Velha.

Atenciosamente,
A Outra Companhia de Teatro
(Salvador - BA)"

IMPORTANTE

Em 13/3, a Funarte regularizou o pagamento da verba à A Outra Companhia de Teatro. Saiba mais em nosso boletim de 26/03.
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