Brasileirinho - PrincipalBoletim de hoje * Mande Notícias!

 

Agência de Notícias Brasileirinho

Boletim de 14/11/08

MORAES MOREIRA CONTA EM CORDEL
A HISTÓRIA DOS NOVOS BAIANOS

Moraes Moreira, depois de consagrado como cantor, compositor e violonista, lançou-se um desafio: o de ser, também, escritor. Nasceu assim o livro A História dos Novos Baianos e Outros Versos, que teve programação especial de lançamento nesta quinta, 13 de novembro, na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. A partir do final da tarde, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Moraes conversou com jornalistas, realizou recital e autografou o livro.

- Eu tenho quase quarenta anos de carreira, lancei 40 CDs, mas nenhum desses trabalhos me deu tanto prazer quanto fazer este livro - revelou, durante o recital.

Para contar a história dos Novos Baianos, Moraes escolheu a forma poética do cordel, por ser esta, no seu entender, a que melhor permite tratar de amor, humor, informação, verdade. Todos estes ingredientes compõem a trajetória do grupo que trocou a Bahia por São Paulo e depois pelo Rio de Janeiro, onde viveu em comunidade, primeiro num apartamento em Botafogo e depois num sítio na zona oeste, até que a chegada dos primeiros filhos dos vários casais que formavam o grupo tornaram a experiência comunitária inviável.

No recital, Moraes contou episódios desta história, intercalando na conversa com o público trechos do livro. Uma das passagens que arrancou mais gargalhadas da platéia foi o contato dos jovens músicos com João Gilberto, conterrâneo de Galvão (ambos nasceram em Juazeiro, BA). João voltava, no começo dos anos 1970, de longa temporada nos Estados Unidos e Galvão fez questão de apresentá-lo ao grupo. Primeiramente, houve um encontro de João com Galvão, Moraes e Paulinho Boca de Cantor, fora do apartamento; na ocasião, João revelou que sempre sonhara em viver em comunidade - "criar um grupo que tocasse junto e morasse junto" -, dizendo que se sentia realizado com o fato de os Novos Baianos, mesmo sem saber, terem colocado em prática sua idéia. Na primeira vez, porém, que João foi ao apartamento de Botafogo, o baixista Dadi, que não o conhecia, deu um falso alarme, achando que alguém de terno batendo ali só podia ser da polícia... (as várias outras visitas de João foram mais tranqüilas).

No recital, Moraes esteve excelente. Mostrou que está mesmo em fase literária - abriu a apresentação com uma música inédita em que fala dos grandes escritores brasileiros, como Machado de Assis, João Guimarães Rosa, Vinicius de Moraes, Erico Verissimo e muitos outros, e leu seu poema inédito "A Grande Arma é o Livro" (ouça o poema na voz de Moraes na Rádio Jornalismo Cultural).

Como cantor, Moraes continua muito bom, à exceção de algumas músicas que compôs mas não gravou (por exemplo, "A Menina Dança"), em que o tom que escolheu não lhe dava o conforto vocal necessário. Já o compositor consagrado, que fez a platéia cantar do começo ao fim clássicos como "Preta Pretinha" e "Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira", mostrou-se também um artesão capaz de compor uma jóia como uma música em que, através do mote "em todo o lugar do Brasil tem samba", combina citações de melodias as mais diversas, com uma unidade final e beleza impressionantes. O verso inicial, que fala do Brasil, cita o "Hino Nacional"; ao mencionar Ary Barroso, cita "Aquarela do Brasil"; quando se fala em Lupicínio Rodrigues, a linha melódica de "Felicidade" é referida; na vez de Adoniram Barbosa, passa o 'Trem das Onze"... Todas essas nuances só conseguem ser claramente transmitidas, é necessário dizer, através da excelente técnica que Moraes atingiu no violão - como exemplo, bastariam as citações de Ravel ("Bolero") e Jobim ("Insensatez") em "O Brasil tem Concerto". E não era preciso mais que seu violão e sua voz para garantir a animação do bloco carnavalesco final ("Bloco do Prazer"/ "Coisa Acesa"/ "Festa do Interior"/ "Eu Também Quero Beijar").

Exclusivo

Moraes Moreira fala a Fabio Gomes de seu contato com Waldir Azevedo, autor de "Brasileirnho"

(Fabio Gomes/ Agência de Notícias Brasileirinho)

Copyright © 2008. É proibida a reprodução total ou parcial
do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais