Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº2 - 16/6/2003

Novidades no Brasileirinho

Atendendo a um pedido da leitora Juliana Homrich, as Entrevistas estão disponíveis agora também em texto. Quem preferir baixá-las para ouvir em seu computador continua com esta opção.

(Fabio Gomes)


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O dia em que Baden "entregou" Caymmi

Dorival Caymmi sempre cantou a praia, logo deve gostar dela, certo? Talvez não. Quando esteve em Porto Alegre para sua última apresentação, em 15 de junho de 1999, no Theatro São Pedro, o violonista e compositor Baden Powell (1937-2000) "entregou" o baiano, antes de tocar "A Lenda do Abaeté":

- O Caymmi é um compositor que dedicou todas as músicas dele - quase todas, né? Quase todas - ao mar. (canta) "O mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito" e tal, né? E por aí tem... (canta) "É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar..." Eu perguntei: "Caymmi, que história é essa de agora ' É doce morrer no mar?' Como é esse negócio de morrer afogado 'doce'? Essa história você vai contar pra outro, Caymmi!". Não é que ele diz assim: "Não, Baden, isso foi um amigo meu, que no meu tempo ele falava assim, disse que era doce morrer no mar e eu coloquei na música. Mas se você souber... eu nunca fui no mar!" (risos da platéia) E é verdade. O Caymmi nunca foi à praia. Bem, ele já tirou fotografias pra capa de disco (risos), essa coisa, mas o Caymmi não freqüenta praia não, ele não gosta. Ele mora em Minas Gerais, no rio das Ostras, não tem nada a ver com mar, é serra e tal. É, casa de ferreiro, espeto de pau. Ele ficou como homem do mar, parece até que ele pesca, jangada... Que nada, ele não faz nada disso. (gargalhadas gerais)

(F. G.)

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Vergara, o fotógrafo do carnaval

 

Carlos Vergara nasceu em Santa Maria (RS) em 1941; ainda pequeno, foi com a família para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar em análise química (!). Mas seu interesse pelo desenho de jóias o levou a estudar desenho com Iberê Camargo; durante a década de 60, integrou um grupo que usava a pop art para denunciar a ditadura militar. Sua inquietação permanente o levou a experimentar outras linguagens, como o desenho e a monotipia, além de usar materiais considerados pouco nobres como o papel craft, cuja utilização mais comum é o embrulho. Em 1970, em uma das guinadas de sua longa carreira, Vergara passou a dedicar-se a fotografar o carnaval. Mas não foram as escolas de samba, cada vez mais luxuosas e gigantescas, que atraíram seu olhar. Ao longo de 12 anos, acompanhou os blocos cariocas, principalmente o Cacique de Ramos (de onde surgiria o Grupo Fundo de Quintal). Recentemente, o artista revisitou essa fase de sua carreira, aplicando efeitos digitais em algumas das fotos. Para conhecer mais o lado carnavalesco de Vergara, você tem duas opções: ler o verbete sobre ele em Ela é Carioca - Uma Enciclopédia de Ipanema, de Ruy Castro (Companhia das Letras, 1999), ou visitar a exposição retrospectiva Viajante, no Santander Cultural (ver local e horários nas Dicas).

(F. G.)

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Nem Martinho salva Acústico de Marina

Martinho da Vila era o convidado principal do Acústico MTV de Marina Lima, para com ela cantar o samba (?) "Arco de Luz" (Marina Lima - Antônio Cícero). Ao menos tudo indicava que ele fosse o mais importante: foi o último a ser chamado ao palco (aos 50 min de programa), depois de Marina falar longamente de sua admiração pelo mestre partideiro (ela mencionou as rodas de samba no final dos anos 60 em que Cícero ia vê-lo no Teatro de Arena, em Copacabana - mais conhecido como Teatro Opinião, por ali ter sido encenado o famoso musical de protesto Opinião) e cantar um trecho de "Tom Maior", cujos versos finais Martinho arrematou. O mestre de Vila Isabel cantou muito bem e foi o mais aplaudido da noite, mais até que a anfitriã ao final da função. "Arco de Luz" não é bem samba, é uma quase-bossa-nova-envergonhada. Bossa nova, aliás, que deu o tom da bateria de Cuca Teixeira durante boa parte do espetáculo, principalmente o primeiro bloco.

No geral, porém, o especial foi morno. Nem os grandes sucessos populares de Marina ("À Francesa" e "Uma Noite e Meia", que encerraram o programa, e "Fullgás", com participação de Liminha, fechando o segundo bloco) entusiasmaram. Aliás, com Liminha ocorreu a maior babada da noite. A cantora anunciou que eles tocariam duas músicas juntos. Pois bem, após o final da primeira, entrou o comercial, volta o programa e cadê o Liminha? Sumiu. Pra quem quiser conferir o desempenho de Martinho, o programa ainda vai ser repetido esta semana (ver Dicas).

(F. G.)

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