Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 4 - 30/6/2003

O "baiano" Ary Barroso

Mineiro de Ubá, Ary Barroso (1903-1964) esteve na Bahia pela primeira vez em 1929, como pianista da orquestra Apolo Jazz, dirigida por Napoleão Tavares. Foi a semente de uma paixão pela boa terra que se refletiu em muitas músicas. Algumas delas ajudaram a construir a imagem de baiana que consagrou Carmen Miranda: o batuque “No Tabuleiro da Baiana” (1936), que ela gravou com Luís Barbosa, o samba-jongo “Quando Eu Penso na Bahia” (parceria com Luiz Peixoto, 1937), levado à cera por Carmen e Sílvio Caldas, e o superclássico “Na Baixa do Sapateiro” (1938). O cantor paulista Déo lançou outros dois sambas baianos de Ary: “Iaiá da Bahia”, em 1951, e “Bahia Imortal” (1945, gravado em dupla com Dircinha Batista). A série foi inaugurada com a gravação de “Bahia” por Sílvio Caldas em 1931, seguindo-se “Nega Baiana” (parceria com Olegário Mariano, 1931), lançado por Elisa Coelho e o Bando de Tangarás; “A Baiana Saiu de Espanhola”; e “Faixa de Cetim”, lançado por Orlando Silva em 1942. A gravação de “Quero Voltar à Bahia” em 1961, por Jorge Goulart, aparentemente encerrou o ciclo, mas é possível que existam outros.

Luiz Peixoto, letrista de “Quando Eu Penso na Bahia”, curiosamente, foi o responsável pela “desbaianização” de outro samba, que seria intitulado “Bahia”, com versos de Ary (“Bahia/ Cheguei hoje da Bahia/ Trouxe uma figa de Guiné...”), e que, com a nova letra de Peixoto, virou “Maria” (“Maria/ O teu nome principia/ Na palma da minha mão...”).

(Fabio Gomes)

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Jorge entre o Ben e o Jor

Em 1989, Jorge Ben partiu para viradas radicais em sua vida: trocou de gravadora (saiu da Som Livre e foi para a WEA) e mudou de nome, para Benjor (depois, passou a Jorge Ben Jor e finalmente estabilizou em Jorge Benjor). Radicais demais. Sem pressentir o perigo, a gravadora aprovou uma foto de capa para o LP Benjor em que apareciam apenas as palmas das mãos de Jorge Ben (digo, Benjor), com moedas e medalhas. Nas lojas, ninguém atinava de quem se tratava. Resultado: apenas 10 mil cópias vendidas. Para se ter uma idéia de como isso era inexpressivo, basta dizer que foi a mesma vendagem do primeiro LP de Roberto Carlos, Louco por Você - em 1961! Já em 1990, a WEA providenciou o lançamento de Jorge Ben Jor ao Vivo no Rio, com a foto dele na capa. Houve, entretanto, outro porém: era um álbum duplo, o que também dificultou as vendas. Só em 1993 a gravadora acertou o passo – fez uma seleção das melhores músicas do disco ao vivo, embalou como Mestres da MPB – Jorge Ben Jor ao Vivo e emplacou o megassucesso “W/Brasil” – a mesma gravação que saíra em 1990.

(F. G.)

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Correspondência

Agradecemos os comentários e sugestões que recebemos esta semana de gente da maior importância: a cantora Adriana Deffenti, o jornalista Tiago Jucá (editor manda chuva de O Dilúvio) e o radialista Glênio Reis, que produz e apresenta o programa Sem Fronteiras, na Rádio Gaúcha de Porto Alegre nas noites de sábado. Acompanho o trabalho de Glênio há mais de 20 anos, o que com certeza me influenciou na decisão de trabalhar com o jornalismo musical. A todos um grande abraço.

(F. G.)

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