Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 6 - 14/7/2003

Novidades no Brasileirinho

A rede nacional de distribuição dos folhetos do Brasileirinho continua crescendo. Agora estamos presentes em dois eventos, o Festiqueijo, em Carlos Barbosa (RS), através da assessora de imprensa Soraia Zanchi, e o Congresso Nacional dos Estudantes de Design, em Belo Horizonte (MG), onde a universitária gaúcha Márcia Pacheco está realizando intensa campanha de divulgação de nossa página. Se você quiser ser mais um integrante desta rede, comunique-se conosco pelo e-mail [email protected] e receba o material pelo Correio sem qualquer custo em poucos dias.

Sempre que houver mais de uma atualização das Dicas no mesmo dia, será colocado o horário ao lado da data, para melhor orientação de nossos leitores. Este procedimento já foi adotado no dia 8, terça.

(Fabio Gomes)


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Ary Barroso de Ubá...

Os mineiros sempre demonstraram admirar Ary Barroso, que correspondia – até documentos ele fazia em Minas (carteira de motorista, Ubá, 1924; certificado de reservista, Juiz de Fora, 1940)! Pelo jeito, os incomodados pelo amor entre Ary e a Bahia eram os moradores de Ubá.

Ninguém duvidava que ele gostasse de Ubá. Enquanto cursava Direito, Ary sempre passava lá as férias, inclusive deixando procurador para matriculá-lo no Rio. No carnaval de 1929, os ubaenses esgotavam as edições de O Jornal nas bancas para votar em “Vou à Penha”, samba de Ary que ganhou na votação dos leitores de todo o Brasil (mas não ficou entre os quatro premiados na apuração da comissão de especialistas). Um leitor de Ubá escrevera a O Jornal, manifestando esperar da comissão um julgamento “desprevenido, legítimo e sincero”...

Houve, é certo, uma grande mágoa de Ary com Ubá quando, em 1954, a Câmara de Vereadores recusou-se a dar seu nome a uma rua, quando outras pessoas vivas já haviam recebido esta homenagem. Isso o levou a recusar-se a participar das comemorações dos 100 anos do município, em 1957. As pazes só foram feitas em agosto de 1959, quando o Tabajara Esporte Clube, completando um ano, resolveu homenageá-lo. Uma avenida recebeu seu nome e inaugurou-se um monumento representando uma clave de sol. Ary levou grande comitiva do Rio e ficou seis dias em Ubá, inclusive visitando a Fazenda da Barrinha, onde passava as férias na infância. Por sinal, esta fazenda é o único local de Minas citado nominalmente na “Aquarela Mineira”.

Ary tem outra música, inédita, chamada ... “Ubá”. Uma de suas primeiras composições foi o hino do bloco carnavalesco Ubaenses Gloriosos (1919). Mas, pelo jeito, “não valiam” para os descontentes. Certa feita, Ary estava no bar Vilariño, no Rio, quando uma senhora ubaense mostrou-se indignada por tantos sambas para a Bahia e nenhum para Ubá. Ary respondeu que a conterrânea não tinha razão, pois a cidade era citada no samba “Risque”:

- Preste atenção na letra – disse Ary, passando a cantar: - “Mas se algum dia talvez/ A saudade apertar/ Não se perturbe/ Afogue a saudade/ Nos copos de Ubá...”

(F. G.)

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...e da Bahia

Ary Barroso compôs ao menos 11 músicas sobre a “boa terra” – além das 10 citadas no Mistura e Manda nº 4, descobri mais uma, “Maria”, samba de 1931 gravado por Leonel Faria homenageando o remelexo da baiana (nada a ver com a “Maria” que Ary fez com Luiz Peixoto. Mania dele de ficar colocando o mesmo nome em várias músicas e dificultando as pesquisas!).

Por essa música e outras como “No Tabuleiro da Baiana” e “Na Baixa do Sapateiro”, o compositor mineiro recebeu em junho de 1956 em Salvador o título de Cidadão Baiano. Na Ladeira de São Miguel, junto ao Pelourinho, alunos e professores de universidades promoveram um ato público, com muitos discursos e, claro, a interpretação de alguns sambas baianos de Ary por talentos locais.

(F. G.)

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Martinho Pereira

Após o 3º Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, o poeta Augusto de Campos publicou o artigo “Festival de Viola e Violência” no Correio da Manhã (26/10/1967), saudando as inovações tropicalistas, questionando os critérios do certame e criticando as vaias. Depois de destacar algumas letras, Campos arrematava: “A essa enxurrada de violas e marias prefiro, ainda, com toda a sua simplicidade, a letra do ‘partido alto’ de Martinho José Pereira”. Quem?

Quando pesquisamos, volta e meia achamos pessoas que não seguiram carreira, ficando sua vida artística resumida a uma aparição. Mas não é o caso aqui. Tudo bem que, em março de 1968, quando o artigo entrou no livro Balanço da Bossa, o cidadão ainda não fosse conhecido. Mas como é que, até pelo menos a 5ª edição da obra (já como Balanço da Bossa e Outras Bossas, Ed. Perspectiva, 1993) ninguém tenha se dado conta que Campos falava do fantástico Martinho da Vila? Em 1967, ele tivera seu primeiro samba-enredo na Vila Isabel, “Carnaval de Ilusões” (parceria com Gemeu), meses antes de defender seu partido alto “Menina Moça” no festival. Na época, ele ainda se assinava artisticamente Martinho José, afinal seu nome de batismo é Martinho José Ferreira – e não Pereira...

(F. G.)

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