Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 10 - 11/08/2003

Fume Ary, cheire Vinicius

Na letra do baião “Paratodos”, Chico Buarque começa definindo suas origens familiares e musicais, para encerrar com uma homenagem muito abrangente a artistas que influenciaram Chico ou com ele convive(ra)m, arrematada por uma definição pessoal No início das homenagens, Chico sugere “usos” para nomes da música brasileira, como se eles fossem medicamentos. Pois bem, uma das estrofes finda com os versos “Fume Ary, cheire Vinicius, beba Nelson Cavaquinho”.

Sabendo-se que Nelson Cavaquinho bebia e Ary Barroso fumava, isso poderia nos levar a concluir que Vinicius de Moraes cheirava. Foi essa, por exemplo, a impressão do cineasta Luís Fernando Goulart, quando, em 1977, visitou o poeta, que lhe informou que dali a pouco estaria embarcando para Buenos Aires. Nesse momento, Lygia, irmã de Vinicius, entregou-lhe um pacote com um quilo de um pó branco. Constrangido, Goulart fingiu nada ver, mas chegou a comentar o fato com amigos, que ouviam consternados. Quando Vinicius morreu, em 1980, Goulart disse à esposa que “Com aquele vício em overdose, não podia viver muito mesmo”, mas jamais voltou a tocar no assunto com ninguém. Anos depois, o cineasta viu, num especial de TV, Luciana, filha do poeta, relatar como Mãe Menininha do Gantois orientou Vinicius a superar seu medo de avião: ele deveria, antes de cada vôo, passar farinha de trigo em todo o corpo. Só então Goulart entendeu o que presenciara e pôde ficar tranqüilo.

(Fabio Gomes)

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Grande festa no aniversário do João 7 Cordas

O cantor e violonista João 7 Cordas, líder do grupo Puro Samba, comemorou seu aniversário na quarta, dia 6, no restaurante Marco Zero, altos do Mercado Público de Porto Alegre. A festa contou com a presença de grandes nomes da noite da capital gaúcha, amigos de João que cantaram ao som do violão do aniversariante: Paulinho do Banjo, “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues; Marisa do Ilê, “Força Estranha”, de Caetano Veloso, “Olodum”, do Tonho Matéria, e “Saigon”, entre outras. Aliás, também cantaram “Saigon” o próprio João 7 Cordas e Zé Carlos, o Cara 6, que interpretou ainda “Eu Sei que Vou te Amar” (Tom Jobim – Vinicius de Moraes). Também de Tom, Cristóvão Colombo cantou “Wave”. A produtora Cris Galvão defendeu um clássico da boemia: “Ronda” (Paulo Vanzolini). Moisés Vieira lembrou “Ouça” (Maysa). Zé da Terreira apresentou a sua “Camilinha” (inclusive imitando trombone); Miguel cantou “Depois do Prazer” e “Final Feliz”, do Jorge Vercillo, música que também foi interpretada por Marcelo Kará. Kará mandou bem ainda em “Que nem Maré” (Jorge Vercillo), “Andança” (Danilo Caymmi – Edmundo Souto – Paulinho Tapajós) e “Um Dia de Domingo” (Michael Sullivan – Paulo Massadas). Também marcaram presença Beto Balaca e Walter Calixto, o Borel. Haydée Guedes encantou a todos com “O Poder da Criação” (João Nogueira – Paulo César Pinheiro) e “Nem Morta” (Michael Sullivan – Paulo Massadas), além de puxar oficialmente o “Parabéns pra Você”. O aniversariante João 7 Cordas brilhou com músicas de Jorge Ben, Lulu Santos, Tim Maia (a quem imitou no final) e Paulinho Nogueira (“Menina”). Paulinho foi um dos homenageados da noite, ao lado de Marta, baiana dos Imperadores do Samba, “mulher guerreira”, nas palavras de Lanna Campos, esposa do João e que também comemorava seu aniversário nesse dia (embora a data oficial seja dia 16).

(F. G.)

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