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Mistura e Manda

Nº 105 - 13/6/2005

CAMPEÕES DA SEMANA
Mais lidos entre 5 e 11/6

1) Mistura e Manda nº 3 - 398
2) Viva São João! - 388
3) Roberto Carlos e a Religião - 330
4) Samba: Origens, Transformações e Indústria Cultural (1916-40) - 243
5) O Trabalho na Música Popular Brasileira - 215

Obs: em número de acessos
Kiko Ferreira assume Inconfidência FM

O jornalista e novo diretor artístico da rádio mineira Inconfidência FM, Kiko Ferreira, solicita a músicos e produtores o envio de material para a emissora, com programação voltada 100% para MPB.

Kiko já criou dois programas, o Instrumental Brasil, com música instrumental contemporânea, e o programete Conexão Brasil, para tocar a música de outros estados.

CDs podem ser encaminhados para o endereço Rádio Inconfidência FM - Av. Raja Gabaglia, 1666 - Luxemburgo- 30.350-540 - Belo Horizonte- MG a/c Kiko Ferreira; e releases enviados para o e-mail [email protected].
(Fabio Gomes)

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Reuniões de músicos gaúchos

Nova plenária do Fórum Permanente de Música do RS está marcada para esta segunda, 13, às 18h30, na Sala Oeste do Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028, Centro, Porto Alegre). Na pauta, questões como o Dia Nacional de Mobilização e eleições na OMB (antecipadas de novembro para julho) e a definição do representante do Fórum na Câmara Setorial: Trabalho. Também será analisado o projeto do Circuito Gaúcho de Música Independente, lançado na quarta, 8 na Assembléia Legislativa. Leandro Maia, representante do Fórum na Câmara Setorial - Formação, fará um relato aos presentes.

Já na terça, 14, acontece a prestação de contas da OMB, na sede da entidade (Rua Vasco Alves, 235, Centro), às 15h.

(F. G.)

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Em ritmo de leitura

Neste mês, mais seis salas de leitura serão inauguradas nas quadras e barracões de escolas de samba da capital paulista. A iniciativa é do programa "São Paulo: Um Estado de Leitores". Na última sexta-feira, 3/6, foi aberta a unidade de leitura da Escola de Samba Leandro de Itaquera. E, no dia 10, é a vez da Escola de Samba Prova de Fogo, na Vila Jaguará. Os moradores da Bela Vista se beneficiarão com a sala de leitura da Vai-Vai no dia 14. No dia 17, quem faz a festa é a Escola de Samba Torcida Jovem do Santos, localizada no Jardim Aricanduva. Já o bloco carnavalesco Caprichosos do Piqueri terá sua sala de leitura inaugurada dia 24. A escola Dom Bosco, da Cohab Itaquera, ganha seu espaço literário no dia 2/7. A primeira sala de leitura "sambista" foi inaugurada na Rosas de Ouro, no bairro da Freguesia do Ó, em abril.

(Notícia do CBL Informa Semanal nº 386, de 6/6/05
- boletim eletrônico da Câmara Brasileira do Livro)

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Erico e a velha a fiar

O escritor Erico Veríssimo (1905-75) acompanhou em 1966 a celebração da Páscoa judaica no kibbutz de Gan Chmuel, como relata no livro Israel em Abril (1969). Durante o Seder, a ceia ritual, eram lidos trechos do Agadá (parte do Talmude que não contém leis religiosas). O anfitrião de Erico, o paulista Henrique Steinberg, explicou-lhe que, para que as crianças se mantivessem interessadas em toda a cerimônia, incluiu-se no final da celebração o que Erico classificou como "jogo verbal":

"O pai comprou por dois zuzim/ Um cabrito só, um cabrito só/ Então veio o gato e comeu o cabrito/ Então veio o cão e mordeu o gato/ Então veio o pau e bateu no cão/ Então veio o fogo e queimou o pau/ Então veio a água e apagou o fogo/ Então veio o boi e bebeu a água/ Então veio o açougueiro e matou o boi/ Então veio o anjo da morte e matou o açougueiro.// Então veio o Senhor,/ Abençoado seja/ E destruiu o anjo da morte/ Que matou o açougueiro/ Que matou o boi/ Que bebeu a água/ Que apagou o fogo/ Que queimou o pau/ Que bateu no cão/ Que mordeu o gato/ Que comeu o cabrito/ Que o pai comprou/ Por dois zuzim/ Um cabritinho/ Só um cabritinho."

Este jogo verbal fez lembrar ao autor de O Tempo e o Vento um outro que ouvia na sua infância em Cruz Alta (RS), que pelo jeito era praticado por duas crianças, uma perguntando e outra (ou um coro de várias) respondendo:

"Cadê o toucinho que estava aqui? - O rato comeu. Cadê o rato? - O gato comeu. - Cadê o gato? - Foi pro mato. - Cadê o mato? O fogo queimou. - Cadê o fogo? - A água apagou. Cadê a água? - O boi bebeu. - Cadê o boi? - Está moendo trigo. Cadê o trigo? - O padre comeu. Cadê o padre? - Está dizendo missa. Cadê a missa? - A missa acabou."

Erico considera este jogo verbal de sua infância uma possível herança do que encontrou em Israel, transmitido ao Brasil via Portugal por cristãos-novos descendentes de judeus sefarditas. Curiosamente, Erico não cita a incrível semelhança desses dois jogos com o clássico "A Velha a Fiar". A música, de óbvia origem folclórica, aparece assinada por Aldo Taranto no filme A Velha a Fiar, um curta-metragem dirigido por Humberto Mauro em 1964. Matheus Colaço interpreta a velha, enquanto se ouve ao fundo o Trio Irakitan cantando:

"Estava a velha em seu lugar /Veio a mosca lhe fazer mal /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava a mosca em seu lugar /Veio a aranha lhe fazer mal /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava a aranha em seu lugar /Veio o rato lhe fazer mal /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava o rato em seu lugar /Veio o gato lhe fazer mal /O gato no rato /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava o gato em seu lugar /Veio o cachorro lhe fazer mal /O cachorro no gato /O gato no rato /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava o cachorro em seu lugar /Veio o pau lhe fazer mal /O pau no cachorro /O cachorro no gato /O gato no rato /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava o pau em seu lugar /Veio o fogo lhe fazer mal /O fogo no pau /O pau no cachorro /O cachorro no gato /O gato no rato /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava o fogo em seu lugar /Veio a água lhe fazer mal /A água no fogo /O fogo no pau /O pau no cachorro /O cachorro no gato /O gato no rato /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava a água em seu lugar /Veio o boi lhe fazer mal /O boi na água /A água no fogo /O fogo no pau /O pau no cachorro /O cachorro no gato /O gato no rato /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar //Estava o boi em seu lugar /Veio o homem lhe fazer mal /O homem no boi /O boi na água /A água no fogo /O fogo no pau /O pau no cachorro /O cachorro no gato /O gato no rato /O rato na aranha /A aranha na mosca /A mosca na velha e a velha a fiar..."

Esse tipo de melodia repetitiva com refrão crescente, que em português gerou ainda "A Árvore da Montanha", também se faz presente em outras culturas. Na serra gaúcha, os descendentes dos italianos vindos do Vêneto a partir de 1875 cantam ainda hoje "La Bella Polenta", de estrutura muito semelhante.

(F. G.)

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