Brasileirinho - PrincipalMisture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 114 - 15/8/2005

CAMPEÕES DA SEMANA
Mais lidos entre 7 e 13/8

1) Roberto Carlos e a Religião - 324
2) Bachianas Brasileiras - 221
3) Samba e Indústria Cultural (1916-40) - 210
4) O Pessoal do Ceará - 201
5) O Trabalho na Música Popular Brasileira - 199

Obs: em número de acessos

Novidades no Brasileirinho

Comemorando os 40 anos da Jovem Guarda, colocamos no ar na quarta, 11, o esquete teatral Brilhantina, de autoria do editor do Brasileirinho, Fabio Gomes. Este texto pode ser utilizado sem custo pelos grupos que tiverem interesse; somente pedimos, porém, que comuniquem sua utilização através do e-mail cujo link está junto ao texto.

Também entrou no ar a página de divulgação das outras peças de Fabio Gomes, através da qual é possível ler as 3 primeiras páginas das comédias Minha Própria Filha e O que a Gente não Faz por Amor. Os grupos que queiram montá-las podem solicitar os textos completos e obter outras informações através do formulário que consta na página de divulgação dos textos.

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Brasileirinho no mundo

Esta semana registramos o primeiro acesso da Oceania: um internauta da Nova Zelândia leu o texto de Marcello Campos sobre Elza Soares. Como em janeiro já havíamos recebido um e-mail de leitora de Angola, podemos enfim dizer que o Brasileirinho já foi lido em todos os cinco continentes!

Nessas duas primeiras semanas de agosto, fomos acessados também pela primeira vez em Honduras e na Eslováquia.

(Fabio Gomes)

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Mestre Guto

O músico porto-alegrense José Augusto Pereira da Silva, mais conhecido como Mestre Guto, foi indicado pelo vereador Maurício Dziedricki para receber o prêmio artístico Lupicínio Rodrigues da Câmara Municipal de Porto Alegre.

Guto destacou-se na vida artística desde a infância, tendo iniciado aos 5 anos na bateria mirim do Estado Maior da Restinga. Hoje domina diversos instrumentos e há cinco anos é Mestre de Bateria da Escola Estado Maior da Restinga.

(F.G.)

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Raio-X: "Eu Queria um Retratinho de Você"

Alguns compositores gostam de usar expressões que estão na moda; já outros recorrem, por vezes, a expressões só conhecidas por uma específica categoria profissional. Em ambos os casos, a letra de tais músicas pode se tornar uma espécie de "mensagem cifrada" com o passar do tempo. Pretendemos fazer uma espécie de "raio-X" de algumas destas composições, tentando melhorar sua compreensão.

Inauguramos a série com um samba recheado de expressões jornalísticas: "Eu Queria um Retratinho de Você" (Noel Rosa - Lamartine Babo), gravado em 1933 por Mário Reis com os Diabos do Céu:

"Eu quero um retratinho de você/ Pois vou mandar fazer o seu clichê/ E publicá-lo no meu jornal.../ Você é uma figura original!/ Retrato em um tamanho especial/ Que vai deixar o mundo inteiro mal (bem mal)./ Vai ser um sucesso porque/ Figura só vê quem não lê.../ Eu quero um retratinho de você."

Exímios letristas (e melodistas também, por favor!), Noel e Lamartine jogam com as palavras "jornal" e "diário" - em francês, journal significa, além do periódico noticioso, o diário em que uma pessoa relata seus mais secretos atos e pensamentos. O clichê era uma chapa metálica com material gravado para facilitar sua impressão repetidas vezes, embora em geral o termo fosse utilizado para se referir a imagens, fotos (como neste samba) ou desenhos. Não há como saber o que era o tal "tamanho especial", mas devia ser bem grande, a ponto de chamar a atenção mesmo de quem pegasse o jornal só para "ler as figuras" (quando nos livraremos do analfabetismo???).

"Sou o principal redator/ Do 'Correio do Amor',/ Escrevo artigos de sensação,/ Só recebemos visita/ De moça bonita/ No meu coração é a redação."

O principal redator também já foi chamado de redator-chefe e hoje atende por "diretor de redação" ou "editor responsável". Ou seja, alguém que manda na redação, o que permite ao sujeito apresentar-se como homem cobiçado (mesmo que estejam no singular na letra, percebe-se que as "visitas" de "moças bonitas" eram freqüentes). "Artigos de sensação" talvez remeta ao efeito causado pelos textos do sujeito; de qualquer forma, parece reforçar sua idéia que, sendo ele poderoso e influente, tinha mais que ser cobiçado mesmo.

"O seu olhar tão profundo/ É artigo de fundo/ É grande furo em qualquer diário,/ Seu nome é cabeçalho/ Extraordinário/ São de dez milhões as edições."

"Artigo de fundo" é um antigo sinônimo de editorial - o espaço onde o jornal expressa sua opinião. Já "furo" é termo mais conhecido: trata-se da notícia que um veículo consegue publicar com exclusividade ou antes dos concorrentes. "Cabeçalho", aqui, me parece que equivaleria a "manchete". Agora, se uma edição de 10 milhões seria um espanto mesmo hoje, imagine em 1933 - quando a população do Brasil inteiro não chegava a 40 milhões de pessoas!

Em suma, o sujeito, que se apresentava como poderoso, influente e cobiçado, dirigia-se a sua amada pedindo-lhe um retrato que se tornaria um clichê do jornal dele (=figurasse indefinidamente no diário, ou seja, na vida dele). E mais: ele não tinha dúvidas a respeito dos sentimentos dela, pois os lia em seu olhar (que era "o editorial" da moça!), com exclusividade (seria "grande furo em qualquer diário"). Sendo assim, o retrato serviria para noticiar com estardalhaço ("cabeçalho extraodinário") o romance de ambos, para que todos, mesmo os analfabetos ("quem não lê"), soubessem do fato (edições de "10 milhões") - o que, o sujeito tinha certeza ("vai deixar o mundo inteiro mal"), causaria inveja generalizada .

(F.G.)

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