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Mistura e Manda

Nº 116 - 29/8/2005

CAMPEÕES DA SEMANA
Mais lidos entre 21 e 27/8

1) Roberto Carlos e a Religião - 298
2) Samba e Indústria Cultural (1916-40) - 141
3) Bachianas Brasileiras - 140
4) O Trabalho na Música Popular Brasileira - 132
5) Carnaval e Comunicação no Morro da Mangueira - 113

Obs: em número de acessos

Choro Negro no MARGS

O grupo porto-alegrense Choro Negro, formado há menos de um ano, foi a atração do mês no projeto Música no Museu, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Porto Alegre), no sábado, 26.

É de se comemorar a oportunidade rara para um grupo surgido há tão pouco tempo, e de se lamentar que a produção não tenha providenciado amplificação para os músicos nem para o violonista Luiz Machado (do Grupo Reminiscências), que foi o mestre de cerimônias do show. O MARGS é um museu, não uma casa de shows. Existem no prédio locais que até poderiam proporcionar uma acústica melhor, mas quem optou pelo uso da pinacoteca central, com seu enorme pé-direito, deveria também ter se preocupado com equipamento adequado. Com isso, ouvir a primeira metade da apresentação ficou bastante difícil. Do meio pro fim, ou porque o ouvido foi se ajustando, ou pelo natural "esquentamento" que o músico vai imprimindo progressivamente à interpretação, já foi possível apreciar bem obras como "Choro Negro" (Paulinho da Viola), "Choro Clássico" (Plauto Cruz) e "Até Pensei" (Chico Buarque), bem como a fantástica canja do bandolinista Pedro Franco, que se somou ao grupo nos choros de Jacob do Bandolim "Noites Cariocas" e "Assanhado" (este simplesmente fantástico!). A canja também funcionou como uma espécie de "cenas dos próximos capítulos", pois Pedro será a atração da edição seguinte do Música no Museu, em 30 de outubro.

Na seqüência, Pedro, o Choro Negro e outros músicos, como as bandolinistas Daniela e Laura Saraiva, foram tocar no McDonald's da Praça da Alfândega, colaborando com uma campanha de apoio ao Instituto do Câncer Infantil.

(Fabio Gomes)


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Camerata Brasileira na Feira da Música 2005

Estar em Fortaleza para a Feira da Música 2005 foi uma experiência muito rica e proveitosa. Já na abertura percebemos que o tempo seria pouco para que pudéssemos assistir às palestras e shows desejados. Rapidamente nos enturmamos com nossos vizinhos de hospedagem, músicos de Pernambuco, do Ceará e do Rio Grande do Norte que nos apresentaram muita música e muita alegria, tudo isto compartilhado em rodas musicais (ou jams, se preferirem) que varavam a noite e se estendiam madrugada adentro. Tocávamos de tudo: de choro a rap, de reggae a frevo, de jazz a maracatu, e tivemos a oportunidade de conhecer - pessoal e musicalmente - pessoas maravilhosas.

O clima estava tão bom que nem mesmo um contratempo no dia do show - que ocorreu no sábado, 20, às 20 horas - estragou a disposição da Camerata. A bateria que seria pilotada por Demetrius estava sem caixa, e a solução foi a mais chorona possível: improvisar. Mudamos a ordem das músicas, tocamos algumas que não estavam programadas, e fomos em frente. O público foi generoso e ao final do show pediu bis três vezes. Saímos do palco completamente radiantes e ficamos ali, cumprimentando as pessoas, conversando com jornalistas, enfim: bobos, completamente extasiados.

Mas a noite estava apenas começando... Voltamos ao SESC Iparana onde estávamos hospedados e tocamos com outros músicos até amanhecer. Infelizmente, nosso vôo foi antecipado (já viram isso?) e tivemos que deixar a Feira da Música de Fortaleza sem participar da festa de encerramento que aconteceu no domingo, 21, durante todo o dia. O saldo de tudo isso? Muitos amigos, muitas experiências, idéias novas, saudades, e muita disposição em voltar ao Nordeste. Quem sabe para o Cena Musical.BR, em Olinda?

(Moysés Lopes)

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Trilha mineira premiada em Gramado

A premiação da 29° Mostra Competitiva de Cinema Super-8, realizada paralelamente ao Festival de Cinema em Gramado (RS), contemplou filmes do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Pra quem não está ligando o nome à coisa, o Super-8 é um formato (os cinéfilos mais radicais preferem "bitola") que, devido aos poucos recursos que oferece para uma boa pós-produção, estava sumindo dos festivais até ser retomado por jovens cineastas gaúchos em meados dos anos 1990. Isto fez com que em geral os filmes premiados nesta mostra fossem, quase sempre, do próprio Rio Grande do Sul. O mineiro Uma homenagem a Aluízio Netto, dirigido por André Novais de Oliveira, vem romper com esta hegemonia.

Uma homenagem... é um "falso documentário". Você sabia que em Cataguazes, na década de 1920, partidários do comunismo provocavam desordem na cidade ao alterar as cartelas com diálogos dos filmes, inserindo frases de inspiração marxista? Não sabia? Então não se preocupe, porque isso é ficção, assim como o linchamento a que teriam sido submetidos os cineastas Humberto Mauro, Mario Peixoto e Aluízio Netto, implicados pela confusão.

O curta recebeu prêmio de Melhor Filme na mostra e levou ainda o troféu de Melhor Trilha Original, assinada por Amon Siqueira (também diretor musical) e Fabiano Nascimento. O que se ouve no filme é tocado pelos dois, juntamente com os músicos Marcos Carvalho e Beto Lino.

(F.G.)

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