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Mistura e Manda

Nº 117 - 5/9/2005

CAMPEÕES DA SEMANA
Mais lidos entre 29/8 e 3/9

1) Roberto Carlos e a Religião - 279
2) Bachianas Brasileiras - 132
3) Samba e Indústria Cultural (1916-40) e
O Trabalho na Música Popular Brasileira - 129
5) Villa-Lobos - 87

MAIS LIDOS - AGOSTO

1) Roberto Carlos e a Religião - 1437
2) O Trabalho na Música Popular Brasileira - 788
3) Bachianas Brasileiras - 774
4) Samba e Indústria Cultural (1916-40) - 752
5) O Pessoal do Ceará - 539
6) Palco - 537
7) Dicas - 467
8) Carnaval e Comunicação no Morro da Mangueira - 422
9) Festas de Arromba do Samba - 421
10) O Virtual no Carnaval - 402
Obs: em número de acessos

Novidades no Brasileirinho

Entrou no ar na segunda, 29, o artigo de Vera Barbosa Zizi Possi "Para Inglês Ver e Ouvir" (e Brasileiro Questionar!), comentando o show que a cantora vem apresentando em turnê nacional..

(Fabio Gomes)


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Filmes no Brasileirinho

Já no sábado, 2, tivemos a estréia de uma nova seção do Brasileirinho: Filmes. Sim, agora você vai poder assistir aqui alguns dos melhores curtas nacionais recentes. Essa importante adição de conteúdo foi possibilitada através de parceria com o site Porta Curtas.

Inaugurando a seção, 4 películas da melhor qualidade: Aquarela (animação sobre o sucesso de Toquinho), Coruja (Bezerra da Silva apresentando os seus compositores), Nelson Sargento (o próprio mais Paulinho da Viola e Carlos Cachaça nos conduzindo pelos caminhos da Mangueira) e Rua da Escadinha 162 (a coleção e as idéias polêmicas do pesquisador cearense Christiano Câmara).

(F. G.)


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Nilton Filho recebe prêmio Qorpo Santo

Na quinta, 31, o diretor de teatro Nilton Filho recebeu na Câmara Municipal de Porto Alegre o Prêmio de Teatro Qorpo Santo, devido ao seu trabalho como realizador e como incentivador de novos talentos. Nascido Nilton Salgado Pereira Filho há 52 anos, ele trabalha com artes cênicas desde 1969 e mantém há 14 anos um teatro que leva seu nome no bairro Menino Deus. Nesse espaço, ousou uma verdadeira proeza de realização em 2003, no infantil Cinderela, adaptação do conto do francês Charles Perrault. O espetáculo desenvolvia-se em quatro palcos nos três andares do Teatro Nilton Filho, unidos por túneis de luz.

Entre suas recentes montagens, estão Solidão, a Comédia e o show Gisele Canta Clara, em que dirigiu a cantora Gisele Rodrigues interpretando o repertório consagrado por Clara Nunes.

Ao receber o pêmio, Nilton, que se revelou pouco afeito a microfones, inexistentes no dia-a-dia de seu ofício, revelou o que o motiva a seguir na luta:

- O fundamental é amar aquilo que se faz e não pensar em fama ou dinheiro.

(F.G.)

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Raio-X: "Camisa 10"

Em 1973, o técnico da Seleção Brasileira, Zagalo, foi muito contestado ao convocar os jogadores para uma excursão à Europa visando preparar o time para a Copa do Mundo do ano seguinte, disputada na Alemanha Ocidental (na época o país que vencia uma copa, como o Brasil fizera em 1970, não precisava se humilhar disputando eliminatórias, como hoje). As críticas dos jornalistas esportivos, o técnico respondeu através de uma entrevista que ganhou capa na revista Placar. Título: "Eu sou o responsável". Bom, até aí todo mundo sabia... Mas outra crítica, contida na letra do samba "Camisa 10" (Hélio Matheus - Luiz Vagner), gravado por Luiz Américo, Zagalo não respondeu. A letra, com muito bom humor, brincava com nomes e/ou apelidos dos jogadores convocados (ou não) para dar o recado ao técnico. Como de lá pra cá boa parte dessas alusões se tornou de difícil compreensão, escolhemos este samba para o Raio-X de hoje.

A advertência se impõe de cara: "Desculpe seu Zagalo/ Mexe nesse time/ Que tá muito fraco/ Levaram uma flecha, esqueceram o arco/ Botaram muito fogo e sopraram o furacão/ Que não saiu do chão". Zagalo punha muita fé no meio-campista Flecha, ex-Esportivo de Bento Gonçalves (RS), então atuando no Grêmio, mas não designou ninguém para fazer os lançamentos para ele (que seria o tal "arco" de Flecha). Outra alfinetada ("botaram muito fogo") era pelo excesso de jogadores do Botafogo. Afora o aspecto de superstição característico do técnico (acreditava-se que a presença de jogadores do "Fogão" dava sorte) - e de suas possíveis ligações sentimentais com o clube onde foi jogador e treinador -, você também pensaria muito antes de deixar de convocar Jairzinho (o "Furacão" da Copa de 70).

"Desculpe seu Zagalo/ Puseram uma palhinha/ Na sua fogueira/ E se não fosse a força desse tal Pereira/ Comia um frango assado lá na jaula do leão/ Mas não tem nada não!/ Cuidado seu Zagalo/ O garoto do parque/ Está muito nervoso/ E nesse meio-campo fica perigoso/ Parece que desliza nesse vai não vai/ Quando não cai". Palhinha era alusão ao jogador com esse apelido, então no Cruzeiro, que não estaria conseguindo se entrosar com os outros meio-campistas, todos do Botafogo (a tal "fogueira"). "Pereira": ao zagueiro do Palmeiras, Luís Pereira, os autores atribuíam a responsabilidade exclusiva pelo fato de o goleiro Leão (essa era fácil, né?) não estar engolir frangos - se bem que Leão não era disso. O "garoto do parque" que estaria nervoso era Rivelino, então ídolo máximo da Fiel torcida corinthiana.

"É camisa dez na Seleção/ Laiá, laiá, laiá/ Dez é a camisa dele/ Quem é que vai no lugar dele". O ponto forte da crítica estava nesse refrão: "Ele" era Pelé. O Rei do futebol se despedira da Seleção em 1971 e em dois anos o técnico não encontrara alguém para substituí-lo. Chegou-se a cogitar de sua ida para a Alemanha, mas, sabem como é, palavra de Rei não volta atrás!

A última estrofe, no melhor estilo malandro, ressaltava o caráter de brincadeira da crítica, deixando porém sinais de que a preocupação existia: "Desculpe seu Zagalo/A crítica que faço é pura brincadeira/ Espírito de humor , torcida brasileira!/ A turma está sorrindo para não chorar ... / (Tá devagar)".

O resto é história: o Brasil se classificou com dificuldades na primeira fase (empatou em 0x0 com Iugoslávia e Escócia e precisou golear o Zaire, 3x0, para passar), depois do que embalou na competição (venceu a Alemanha Oriental, 1x0 e a Argentina, 2x1), até esbarrar na semifinal no "futebol total" da Holanda, que naquela altura da Copa só era segredo para Zagalo. Depois de engolir o 2x0, só restou ao Brasil disputar com a Polônia o 3º lugar - e perder por 1x0, voltando para casa como 4º colocado. Bem que Matheus, Vagner e Américo avisaram!

(F.G.)

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