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Mistura e Manda

Nº 118 - 12/9/2005

CAMPEÕES DA SEMANA
Mais lidos entre 4 e 10/9

1) Roberto Carlos e a Religião - 340
2) Dicas - 166
3) Samba e Indústria Cultural (1916-40) - 144
4) Palco - 139
5) O Trabalho na Música Popular Brasileira - 137

Obs: em número de acessos

Novidades no Brasileirinho

Entrou no ar na segunda, 5, o artigo de Dani Lima e Vera Barbosa Adriana Partimpim: Encantador do Começo ao Fim, sobre o show de Adriana Calcanhoto, atualmente em cartaz em São Paulo. Publicamos três fotos do show, todas de autoria de Dani: uma ilustra o artigo, outras duas estão em nossa página de Fotos.

Já na sexta, 9, estreamos novo curta na página de Filmes: O Dia em que o Bambu Quebrou no Meio, documentando o velório de Bezerra da Silva. Um tema composto especialmente sobre a ocasião ressalta a ironia do destino: o sambista que mais cantou o "171" (estelionato) morreu num dia 17/1...

(Fabio Gomes)



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Comunicado do Clube da Sombra

Amigos, colegas e colaboradores.

O clubedasombra, sítio virtual de difusão da arte, comunica para NÃO ABRIR nenhuma mensagem, que contenha texto em inglês no campo assunto. Essa mensagem NÃO foi endereçada pelo clubedasombra. É mais um vírus que se instala automaticamente e envia mensagens em nome do usuário, causando um grande transtorno.

O conteúdo da mensagem refere-se a um arquivo de imagens que algum conhecido está enviando. NÃO ABRA!

Se isto já houver ocorrido, pedimos desculpas em nome do clubedasombra e solicitamos que alertem seus contatos para evitar mais incomodações.

Direção do Clube da Sombra

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Sergio Endrigo (1933-2005)(1)

Na quinta, 8, faleceu em Roma Sergio Endrigo, certamente entre os italianos o cantor e compositor (ou cantautore, como eles dizem) mais identificado com a música brasileira.

Uma de suas vindas ao Brasil foi em conseqüência de uma aposta. Pouco antes do Festival de San Remo, em fevereiro de 1968, como Endrigo demonstrasse pouca esperança de vencer com "Canzone per Te", sua parceria com Sergio Bardotti que Roberto Carlos defenderia no certame, ouviu o cantor brasileiro prometer que, caso vencessem, ele seria convidado para ficar um mês no Brasil, com direito a uma participação em um programa de televisão. Vitória confirmada, promessa cumprida: em abril, Endrigo participou da estréia de Roberto Carlos-68 (TV Record). Há referência de que ele teria então deixado outra música para Roberto gravar, mas isso não chegou a acontecer.

Ambos, Endrigo e Roberto, tinham motivos de sobra para festejar aquela vitória. No caso de Roberto, era a primeira vez que um cantor estrangeiro vencia um festival na Itália - e cantando em italiano! Além disso, nos festivais brasileiros da canção, que se inspiravam no modelo italiano, Roberto nunca foi além de um 5º lugar. Endrigo, por sua vez, teria em 1968 seu único primeiro lugar em San Remo. Conseguiria o 2º lugar em 1969 e o 3º em 1970, quando apresentou "L'arca di Noè" (guarde esse nome!), também premiada pelo júri como melhor letra. Mais do que isso, porém, era a superação do impasse que levou Roberto a desistir de concorrer no festival em 1967. O Rei iria defender "Dove Credi di Andare", de Endrigo, mas não concordou com a exigência dos editores da música de que a cantasse juntamente com Memo Remige.

(F.G.)

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Sergio Endrigo (1933-2005)(2)

Voltemos a "L'arca di Noè", uma versão de "A Arca de Noé" (Toquinho - Vinicius de Moraes - Ernst Nahle). Endrigo trabalhara com Vinicius em 1969, num disco em que o poeta italiano Giuseppe Ungaretti homenageava seu colega brasileiro: La Vita, Amico, è l'Arte dell'Incontro. Ungaretti lia, em tradução sua, poemas de Vinicius, enquanto Endrigo cantava músicas vertidas por Bardotti. Em busca de um fundo musical adequado, Bardotti recebeu de Chico Buarque, então vivendo na Itália, a indicação de Toquinho, que assim foi chamado para completar a gravação. Foi o primeiro disco que juntou Toquinho & Vinicius, embora os dois não tenham se encontrado no estúdio.

Em 1970, já parceiros, poeta e violonista voltaram à Itália. Endrigo estava fazendo enorme sucesso com sua gravação de "A Casa" ("Era una casa/ Molto carina...") e Bardotti os convocou para compor músicas que em seguida receberiam versões em italiano, para lançamento imediato no disco infantil L'arca di Noè. A rapidez era possível porque as letras de Vinicius já estavam prontas: constituíam o livro A Arca de Noé, ainda inédito, que seria lançado no Brasil, ainda em 1970, após o sucesso do disco na Itália. Os dois LPs brasileiros A Arca de Noé só sairiam em 1980 e 1981.

As sucessivas temporadas de Toquinho e Vinicius na Itália, nos anos 70, consolidaram sua amizade com o cantautore, resultando no "Samba para Endrigo" que a dupla compôs para o LP Exclusivamente Brasil, de 1979, que Endrigo gravou aqui. Outra pérola que ele teve o privilégio de lançar nesse disco foi "A Rosa" (Chico Buarque). A voz de Endrigo também esteve presente no LP Toquinho/Vinicius & Amigos (1974), cantando a parte em italiano de "A Casa", mas como se tratava de um disco de fim de contrato (Vinicius trocava a RGE pela Philips), tudo indica que a gravadora tenha aproveitado o fonograma do LP italiano.

(F.G.)

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