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Mistura e Manda

Nº 122 - 28/11/2005

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10) Carnaval, Samba e Comunicação no Morro da Mangueira - 335
Obs: em número de acessos

Novidades no Brasileirinho

Desde a sexta, 25, as matérias novas que entram no Brasileirinho - como Klébi Nori: Fertilidade em Nosso Jardim, de Vera Barbosa - são anunciadas por manchetes ao centro da página, logo acima da charge. O antigo sistema de Destaques animados só funcionava a contento para leitores que usam o Internet Explorer.

Também "enxugamos" o número de links na página principal. Você vai constatar que não estão mais ali os links para os Arquivos das Dicas, do Mistura e Manda e do Palco. Afinal, estes menus podem ser acessados tanto pelas edições atuais quanto pelas antigas desses informativos.

(Fabio Gomes)

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Dia do Samba - as versões

Nesta semana, comemoraremos, no dia 2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba. Mas por que exatamente nesse dia? Bom, há duas versões a respeito.

A mais conhecida diz que, na primeira viagem de Ary Barroso à Bahia, assim que ele botou o pé lá, um vereador propôs uma lei declarando aquele dia como o Dia do Samba na Bahia. A partir do ano seguinte, a data foi adotada pelo país todo.

Outra quer fazer crer que esta seria a data da gravação do primeiro samba, "Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida.

(F.G.)

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Dia do Samba (2) - o mistério

Lamento, mas devo informar que ambas as versões só podem ser consideradas como lenda.

Em relação à mais conhecida: a primeira viagem de Ary Barroso à Bahia foi em 1929, em janeiro, não em dezembro. Em março ele já estava de volta ao Rio de Janeiro. Ele ainda não era conhecido a ponto de dar margem a uma homenagem deste porte. Outra viagem conhecida de Ary à Bahia foi em 1956, no mês de junho. Ambas são mencionadas no livro de Sérgio Cabral, No Tempo de Ari Barroso (Ed. Lumiar, s/d): à pág. 47, o mês da viagem de 1929; à pág. 49, trecho de carta do compositor escrita do Rio de Janeiro no início de março de 1929; sobre a viagem de 1956, em que Ary recebeu homenagem, ver pág. 358. Lógico que ele até pode ter ido outras vezes, mas ninguém consegue dizer em que ano teria se dado essa viagem que inspirou a lei. Além disso, a lenda incorre num erro crasso: vereador só pode legislar no município, de sorte que ou foi um vereador que propôs a lei para Salvador, ou foi um deputado estadual que a postulou para o Estado da Bahia. (A respeito das relações de Ary Barroso com a Bahia, leia os Mistura e Manda nº 4 e o nº 6!)

Quanto à outra, o samba "Pelo Telefone", sucesso no carnaval de 1917, foi gravado originalmente em janeiro daquele ano, apenas como instrumental, pela Banda Odeon, e a seguir, em fevereiro, pelo cantor Bahiano e o conjunto da Odeon. O registro do samba na Biblioteca Nacional, no Departamento de Direitos Autorais, foi solicitado em 6 de novembro de 1916, com adendo do autor no dia 16. O registro foi emitido em 27 de novembro. A partitura foi impressa em 16 de dezembro. Como vemos, nada com o dia 2 de dezembro. Além de tudo, não custa lembrar "Pelo Telefone" NÃO FOI o primeiro samba composto, nem ao menos gravado. Existem referências ao samba na imprensa de Recife desde 1837, e gravações comprovadas desde 1913, tanto no Rio quanto em Porto Alegre, pelo menos. O valor histórico de "Pelo Telefone" é de ter sido o primeiro samba a fazer sucesso no carnaval.

Enfim, não há como saber por que o dia 2 de dezembro é o Dia Nacional do Samba. Mas, enfim, que bom que alguém resolveu dedicar um dia ao samba!!!!!

(F.G.)

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Uai, sô. Viva o Samba!

Rio de Janeiro, bairro de Laranjeiras, pagode do Toninho Geraes (autor de "Mulheres": Já tive mulheres de todas as cores...) juntamente com a rapaziada do Cacique de Ramos. De repente fomos chamados ao palco: eu, Eliana Jansem (cantora) e Fabinho do Terreiro (intérprete e compositor). Rolou samba de primeira, rolaram guetos e senzalas, o amor foi derramado pelas cordas, de felicidade choraram de alegria bordões e primas, vibraram todas as rimas. Da minha parte fui num miudinho, comendo o mingau pela beirada do prato, como ensinou o grande Mestre Marçal. Cantei Cartola, Dona Ivone e Délcio Carvalho, cantei Martinho por entender ser ele um divisor de águas. Eliana e Fabinho deitaram e rolaram porque o samba lhes corre pelas veias.

O interessante dessa história é que os cariocas, músicos e público, ficaram maravilhados. Muitos elogios, muitos abraços sinceros, incredulidade: poxa, mineiro faz samba desse jeito? Faz sim rapaziada, o Brasil faz samba. Em qualquer cantinho desse país podemos ouvir o grito das senzalas e sentir a força de uma raça que se chama resistência. Minas, particularmente, sempre engrandeceu o celeiro de bambas do samba. Ary Barroso, Clara Nunes, Ataulfo Alves, Toninho Geraes e tantos outros e outras que a mídia não reconhece formam um mosaico cheio de amor e respeito pela nossa arte maior.

Com todo respeito e amizade pela Bahia e pelo Rio de Janeiro, enfim, por todos os estados brasileiros, sentimos orgulho de também fazermos parte da história do samba.

(Mestre Affonso)

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