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Mistura e Manda

Nº 131 - 6/3/2006

Monumento a Elis Regina

Recebemos na segunda, 6, release da Câmara Municipal de Porto Alegre, dando conta de foi aprovada por unanimidade projeto da vereadora Clênia Maranhão para a criação de um monumento em homenagem à cantora Elis Regina. De acordo com o texto assinado pela jornalista Rejane Silva, "Será uma escultura de Elis, como se estivesse cantando, integrada a um fundo feito em concreto e com o seu nome em alto relevo". O local será ainda definido pela Prefeitura.

A homenagem com certeza é mais do que merecida, afinal é vergonhoso constatar o pouco que existe em Porto Alegre lembrando sua ilustre filha, a maior cantora do Brasil: além do Acervo Elis Regina, na Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ), há apenas o nome de dois espaços em centros culturais (a própria CCMQ e Usina do Gasômetro) e uma placa na Vila do IAPI, seu segundo e último endereço porto-alegrense.

Agora, o que me causa espanto é um dos itens do projeto ora aprovado: "A obra será doada pela iniciativa privada, por recursos de captação com base na Lei de Incentivo à Cultura (LIC)". Não sei se deveria me espantar, afinal, de uns tempos pra cá é assim que as coisas têm funcionado na área cultural no Brasil. Mas não consigo achar natural o ente público criar coisas que só vão existir se pagas por entidades privadas. Se não houver interesse publicitário de empresas colocarem sua marca junto ao monumento, Elis seguirá sem homenagem na cidade onde nasceu. Triste.

(Fabio Gomes)

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Ainda o Carnaval de Belo Horizonte

Em razão de discordar da forma como vem sendo conduzida a gestão do Carnaval na capital mineira, não desfilaram neste ano os blocos Corsários do Samba e Corsários Mirins, e as escolas Inconfidência Mineira (a mais antiga em atividade em BH) e Unidos do Arco-Íris. O presidente desta agremiação, Osmar Rezende, expôs no Mistura e Manda nº 130 os motivos que o levaram a decidir por não levar a escola à avenida.

A insatisfação atingiu também quem desfilou. A escola que ficou em segundo lugar, Acadêmicos de Venda Nova, recorreu do resultado, pois a tricampeã Canto da Alvorada não teria o mínimo regulamentar de componentes na ala de crianças. Nosso colaborador Mestre Affonso (não deixe de ler seu artigo Carnaval de BH Precisa Renascer das Cinzas) conta como foi a reunião que julgou o recurso, na quarta-feira, 1:

- Na quarta-feira de Cinzas foi realizada na Belotur uma reunião extraordinária da Comissão do Carnaval 2006, para julgar os recursos impetrados pelo GRESMI Bem-te-vi e pelo GRES Acadêmicos de Venda Nova, que reclamavam contra os resultados. Os dois recursos foram indeferidos. Depois de muito papo, a própria Comissão descobriu que o regulamento para o Carnaval de 2006 estava com muitos erros, por culpa da própria Comissão do Carnaval. Moral da história: o regulamento não foi usado, ninguém foi rebaixado e ninguém sofreu as punições estabelecidas no regulamento. A Comissão decidiu que ficaria mantido o resultado dado na apuração: 1º Canto da Alvorada; 2º Acadêmicos de Venda Nova; 3º Império da Nova Era; 4º Cidade Jardim; 5º Imperatriz de Venda Nova; 6º Bem te vi; 7º Unidos do Onça; 8º Unidos Guaranis. Mas nem tudo está resolvido porque Bem-te-vi e Acadêmicos de Venda Nova prometeram entrar na justiça para brigar pelos seus direitos. Isso porque, se o regulamento tivesse sido cumprido o resultado seria diferente. Fazer Comissão de Carnaval sem levar em conta o currículo de cada participante, dá no que deu!

A própria Belotur, em comunicado em seu site no mesmo dia 1, admitia que "o regulamento, (...) elaborado pelas agremiações carnavalescas, previa a presença de no mínimo 400 componentes para o desfile. Porém, nenhuma das escolas cumpriu esta determinação. Baseando-se na impossibilidade de penalizar uma escola especificamente, a Comissão Organizadora do Carnaval decidiu por valorizar os votos do jurados e manter, assim, o resultado divulgado nesta terça-feira, dia 28 de fevereiro."

Em tempo: na premiação dos melhores do Carnaval - Troféu Clara Nunes - o programa Acir Antão, da Rádio Itatiaia, do qual Mestre Affonso é colaborador, recebeu prêmios como Melhor Programa de Samba e Melhor Cobertura de Rádio.

(F. G.)

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Sandrinha Sargentelli no Carnaval

Sandrinha Sargentelli, a sobrinha de Oswaldo Sargentelli que dá continuidade à obra de nosso grande mulatólogo, foi a principal atração do Bloco da Ressaca que percorreu os arredores do bairro do Cambuci (São Paulo) no sábado, 18 de fevereiro. Já no final de semana seguinte, ela apresentou o show Brasileirinho no Novo Hotel Jaraguá nos dias 24 e 25, seguindo depois para o Sambódromo Paulistano, de onde estava ausente desde 1994.

Em geral, essas ausências foram causadas por compromissos, como o de 2005 no exterior:

- No ano passado nossa companhia estava em turnê no Conrad Casino Punta Del Este (Uruguai). Estou feliz de curtir a festa de Momo 2006 no Brasil, não existe energia igual! Minha cidade está promovendo um carnaval maravilhoso, saudável e de qualidade impecável – comentou Sandrinha.

Neste ano, ela desfilou na segunda, 27, como destaque da Primeira da Aclimação, que levou à avenida o samba-enredo “Nada se cria tudo se transforma...”. Para encerrar com chave de ouro a folia, na terça, 28, Sandrinha voltou com suas mulatas ao Ópera São Paulo, registrando novo sucesso com o Brasileirinho, e isso que sua apresentação seguiu-se à do consagrado Jerry Adriani.

(F. G.)

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Expresso 25 na Europa

O grupo porto-alegrense Expresso 25 retornou voltou na terça, 27, de viagem a Alemanha e Portugal. Foram 19 shows de grande repercussão em cidades maiores e menores dos dois países. Segundo o maestro Pablo Trindade: "fomos com a certeza de levar a música que produzimos. Se inicialmente tivemos alguma dúvida sobre a compreensão da nossa proposta Imaginário Sonoro do Brasil esta se desfez na primeira apresentação. Levamos música brasileira da melhor qualidade, num estilo renovador, o que foi imediatamente compreendido."

O tamanho da repercussão também pode ser medido pelas críticas publicadas na imprensa. Os espetáculos eram anunciados com matérias comedidas mas, em geral, no dia seguinte, uma enorme reportagem noticiava o acontecimento de um espetáculo surpreendente. Em conseqüência da boa aceitação, dezenas de pessoas se deslocavam para cidades dos próximos eventos, para rever o grupo, viajando, às vezes, 200 km e levando amigos.

A originalidade estética era citada em todas as críticas publicadas como contraponto ao cristalizado modelo coral. Também falaram da beleza das melodias, da riqueza das harmonias trabalhadas por Pablo Trindade, da suavidade, da comunicação dos cantores, muitas vezes citados como atores, e dos ritmos da música brasileira.

Se em Portugal o conhecimento da música e de tantas coisas que se referem ao Brasil fazem parte do cotidiano, em razão dos inúmeros programas televisivos exportados para lá, a Alemanha insistia em se valer do futebol para criar um elo conhecido de todos. Como país sede da Copa do Mundo, é compreensível que tudo neste ano gire em torno da bola.

Em cidades menores também eram explorados os laços de parentesco, uma vez que o Expresso 25 tem no Centro Cultural 25 de Julho a sua casa, entidade voltada aos valores éticos e artísticos semeados por imigrantes alemães e seus descendentes.

O Imaginário Sonoro do Brasil será apresentado na Sala Álvaro Moreira (Porto Alegre) nos dias 5 e 6 de abril.

(Susana Frohlich)

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