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Mistura e Manda

Nº 138 - 22/5/2006

Parceria com a Biscoito Fino

Desde a quarta, 17, os leitores do Brasileirinho contam com banners e links em diversas páginas apontando para o site da gravadora Biscoito Fino, que vem se notabilizando pela qualidade de seus CDs. Se precisar de exemplo, basta citar o excelente Carioca, do mestre Chico Buarque, que chegou às lojas no início deste mês. Outros links foram incluídos em textos que já estavam no ar sobre lançamentos anteriores da gravadora.

Ao adquirir CDs no site da Biscoito Fino através dos links que publicamos, você ajuda a manter o Brasileirinho, pois recebemos comissão sobre a venda.

(Fabio Gomes)

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Camerata grava CD em Recife

Sabe aquela história de expandir fronteiras musicais? Pois a Camerata Brasileira decidiu levar ao pé-da-letra, mais uma vez. O quarteto porto-alegrense iniciou na segunda, 15, temporada de duas semanas em Recife (PE), onde gravará o seu segundo CD, Noves Fora. A bolachinha autoproduzida, que terá pelo menos oito faixas e um videoclipe, vai mergulhar em águas ainda mais profundas na fusão de estilos que tem marcado a música do grupo desde a sua fundação (2002), com composições próprias e releituras combinando generosas doses de choro, jazz, ritmos regionais, ecos porteños, Hermeto Pascoal, tradição, ruptura, experimentalismo e psicodelia que desafiam qualquer rótulo.

Para isso, a Camerata escolheu o estúdio Onomatopéia, que já mixou trabalhos de nomes como Cordel do Fogo Encantado, Quinteto Violado e DJ Dolores. A oportunidade surgiu a partir de contrato de representação internacional com a pernambucana Produção & Arte, que tem resultado em série de apresentações do elogiado show Noves Fora pelo Nordeste.

- O intercâmbio com os sons de outras regiões potencializou ainda mais o processo criativo do grupo, que tem como ponto-de-partida o choro tradicional mas investe em vários rumos, sem pretensão de soar puro ou original - faz questão de salientar Moysés Lopes (violão), co-fundador do grupo ligado ao chamado choro-novo. A turma é completada por Rafael Ferrari (bandolim), Rodrigo Siervo (sopros) e Edgar Araújo (bateria/percussão).

(Marcello Campos)

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Lindonéia em Porto Alegre

A obra que inspirou a música "Lindonéia" está exposta em Porto Alegre. Foi o quadro Lindonéia - A Gioconda do Subúrbio, feito por Rubens Gerchman em 1966, que levou a cantora Nara Leão a encomendar um bolero a Gilberto Gil e Caetano Veloso em 1968, no auge do movimento tropicalista. Nara gravou esta canção no disco-manifesto do movimento, o LP Tropicália ou Panis et Circensis (Philips).

Gerchman criou Lindonéia com um visual de noticiário policial. No centro da obra, há uma figura de mulher jovem, marcada (por grãos de impressão) junto ao olho esquerdo, ao lado esquerdo do nariz e próximo ao lábio inferior, como se houvesse sido agredida. O olhar da moça é algo entre o susto e a irritação. O estilo do desenho é próximo da caricatura, lembrando um pouco Alcy Linhares. A figura da moça tem uma moldura espelhada, com alguns detalhes florais beirando o rococó. O espectador do quadro se vê refletido tanto no espelho como no próprio vidro que protege a figura de Lindonéia. Eu tinha falado em "noticiário", certo? Certo: no quadro lêem-se os seguintes dizeres: "UM AMOR IMPOSSÍVEL - A BELA LINDONÉIA - DE 18 ANOS MORREU INSTANTANEAMENTE". A partir daí, podem se elaborar mil e uma histórias.

A letra de Caetano incorporou boa parte de sugestões emanadas da própria obra. Podem-se identificar claramente o espelho (na primeira estrofe - "Na frente do espelho/ Sem que ninguém a visse/ Miss/ Linda, feia/ Lindonéia desaparecida" - e na última - "No avesso do espelho/ Mas desaparecida/ Ela aparece na fotografia/ Do outro lado da vida") e até a cor parda do papel que Gerchman utilizou (no verso que abre a terceira estrofe: "Lindonéia, cor parda"). Já os dizeres devem ter colaborado na opção por imagens fortes como "Despedaçados/ Atropelados/ Cachorros mortos nas ruas/ Policiais vigiando/ O Sol batendo nas frutas/ Sangrando...", na segunda estrofe.

A obra Lindonéia de Gerchman integra a mostra É Hoje na Arte Contemporânea Brasileira e pode ser vista no Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028, Centro, Porto Alegre – 3287-5500), até o domingo, 28, das 10 às 19h (2ª a 6ª) e das 11 às 19h (sábado e domingo).

(F.G.)

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Homenagem a Cara de Cavalo

Há outra obra com ligações tropicalistas na mostra É Hoje: trata-se de Homenagem a Cara de Cavalo, de Hélio Oiticica. Aliás, B33 Bólide caixa 18. A ligação é porque outro trabalho de Oiticica retratando esse criminoso famoso nos anos 1960, uma bandeira com os dizeres "Seja marginal, seja herói", foi a causa alegada para a suspensão de show dos tropicalistas Caetano Veloso, Gilberto Gil e Mutantes na boate Sucata em 1968.

O Bólide é uma caixa sem tampa onde nas quatro faces internas há uma foto de Cara de Cavalo morto, sem camisa e com os braços abertos qual uma cruz, deitado no chão e rodeado por curiosos. Uma das faces da caixa está aberta e estendida em direção ao observador, que vê então Cara de Cavalo de cabeça para baixo. Um pano de nailon coberto de pigmento alaranjado (sugerindo sangue?) cobre sutilmente a foto. Dentro da caixa, há um saco plástico contendo o mesmo pigmento, tendo impresso os dizeres: "AQUI ESTÁ, E FICARÁ! CONTEMPLA! SEU SILÊNCIO HERÓICO".

(F.G.)

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