Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 14 - 08/09/2003

Fecha o Litterata...

Abrimos com uma nota triste: o Litterata Espaço Cultural Livraria e Café, em Porto Alegre, encerrou suas atividades em agosto. Era um local muito agradável na capital gaúcha, onde o cidadão podia a qualquer hora ler um livro, tomar um café e conversar com calma. Além disso, a casa promoveu espetáculos memoráveis, como o da Liza Maria. Tenho muito orgulho em ter sido parceiro da casa em dois eventos, um homenageando Pixinguinha, outro em honra a Chico Buarque – este, com certeza, um dos maiores sucessos da breve existência do Litterata, com público médio de mais de cem pessoas lotando a simpática casa da rua Dona Laura. Descanse em paz, Litterata!

(Fabio Gomes)

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... mas os Três Ases resistem!

Nem tudo é desencanto. Para nossa felicidade, o jornalista José Weis avisa que, devido à mobilização da comunidade cultural porto-alegrense, o samba vai continuar brilhando na Sala Radamés Gnattali, sempre no último domingo de cada mês.

(F. G.)

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Desliga o celular, Villa!

Esse negócio de você estar curtindo um espetáculo, um filme, uma peça e lá pelas tantas tocar o celular de alguém é um troço muito chato. Todos devem desligar os aparelhos (se receber a ligação é tão importante, por que o sujeito resolveu estar bem ali e não onde possa falar livremente?), não importando de quem se trate. Mesmo que seja o maestro Heitor Villa-Lobos. Como? Ah, vocês acham que, se Villa faleceu em 1959, não podia ter celular, pois este só foi inventado nos anos 90?

Bom, então escutem esta gravação de “Choros nº 11 para piano e orquestra (1ª parte)” (657KB), em que Villa rege a Orchestre National de la Radiffusion Française, tendo como solista Aline van Barentzen, gravação realizada na EMI francesa em 6 de maio de 1958, e percebam a distração do maestro, que não desligou seu celular.

(F. G.)

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Jacob x Waldir

Henrique Cazes conta em seu livro Choro – Do Quintal ao Municipal (Ed. 34, 1998), que Jacob do Bandolim e seu grupo Época de Ouro estavam tocando no palácio da Alvorada, em dezembro de 1968, quando o marechal-presidente Arthur da Costa e Silva pediu que o chorão tocasse o baião “Delicado” (Waldir Azevedo). Diz Cazes: “Jacob ficou lívido, houve alguns segundos de um silêncio aterrador até que o bandolinista disse que não sabia tocar aquela música, mas que o Jonas, cavaquinista de seu conjunto, a executaria para o presidente. Jonas tocou e desanuviou o ambiente.” (op. cit., pág. 134)

O fato é que Jacob detestava Waldir. Várias vezes, em público ou reservadamente, o do Bandolim atacou a obra do colega. Cazes acredita que isso se deu em função de, em 1949, quando Jacob deixou de gravar pela Continental, passando para a RCA, sua antiga gravadora lançou Waldir, que estourou já de cara com “Brasileirinho” – que em pouco tempo rendeu ao autor o equivalente na época a 16 mil dólares.

Obviamente, Jacob jamais gravou nada de Waldir. Mas, por ironia do destino, após seu falecimento (ocorrido em 1969), a Continental lançou uma coletânea, intitulada... Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo (1974). Sem contar que, em 2000, o selo Revivendo editou o CD Vê se Gostas, reunindo interpretações de Ademilde Fonseca, Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo. Até onde sei, Waldir nunca se manifestou a respeito de Jacob, não alimentando a polêmica.

(F. G.)

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