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Mistura e Manda

Nº 140 - 11/7/2006

Sobre os Filmes

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(Fabio Gomes)

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"Nova" viagem de Ary Barroso à Bahia

Um tema recorrente aqui no Mistura e Manda é a relação de Ary Barroso com a Bahia, por dois principais motivos: 1º, a Boa Terra deu origem a memoráveis sambas de Ary (ver os Misturas nº 4 e 6); 2º, uma viagem de Ary a Salvador teria sido a causa da instituição do dia 2 de dezembro como Dia Nacional do Samba (tema do Mistura nº 122). Por isso, informo aos leitores uma "nova" viagem de Ary à Bahia, em 1933 - nova, obviamente, no sentido de que não é tão conhecida como as de 1929 e 1956. A de 1933, diferentemente das anteriores, não é citada na ótima biografia No Tempo de Ari Barroso, de Sérgio Cabral (ed. Lumiar). Aliás, curiosamente no trecho em que aborda este ano, entre as págs. 126 e 129, Cabral dá conta de que foi um ano de pouca atividade para o autor de "Faceira": teve só seis músicas gravadas e passou meses sem atividades teatrais, seja musicando ou escrevendo peças de teatro de revista.

Bem, talvez seja mais correto falar em pouca atividade no Rio de Janeiro. 1933 iniciou com uma revista de Ary em cartaz no Teatro Alhambra: Brasil da Gente, escrita em parceria com Marques Porto, Gastão Penalva e Velho Sobrinho, estreou em 30 de dezembro de 1932 e saiu do programa em 12 de janeiro. Estrelada por Mesquitinha, contava com Sílvio Caldas lançando o samba de Ary "Segura Esta Mulher". Durante a temporada, o o empresário Francisco Serrador, dono do teatro, convidou Ary a ser o diretor da orquestra da casa. Não era pouca coisa: o Alhambra era um empreendimento ousado de Serrador, já então o dono da Cinelândia. Nos oito anos em que existiu (um incêndio o consumiu em 1940), foi uma das casas de espetáculo de maior prestígio da então Capital Federal. Sua inauguração se dera em 9 de agosto de 1932, com a peça Feitiço, de OduvaldoVianna, apresentada pela Cia. Procópio Ferreira. Além de abrigar espetáculos do teatro de revista e do então chamado teatro de comédia (também dito "teatro declamado", em oposição ao "musicado" da revista), o Alhambra também funcionava como cinema. Ali estreou em 29 de maio de 1933 a produção da Cinédia Ganga Bruta, dirigida por Humberto Mauro e protagonizada por Durval Bellini e Déa Selva.

Foi justamente na qualidade de diretor da Companhia de Revistas, Sainetes e Operetas do Alhambra que Ary esteve em Salvador. Aninha Franco informa no livro O Teatro na Bahia Através da Imprensa - Século XX (1994) que a "Companhia do Alhambra apresentou um repertório de primeira, com revistas escritas e musicadas pelo próprio Ary, por Velho Sobrinho e Marques Porto, que fizeram enorme sucesso. (pág. 70)". Onde e quando teria acontecido essa temporada do grupo carioca em Salvador? O local, com certeza, era o Cine-Teatro Jandaya, preferido pelos grupos de passagem pela Bahia, devido à qualificação que lhe deu a reforma de 1931. A data, embora não mencionada por Aninha, não é difícil de deduzir, ao menos aproximadamente. A autora informa que a Cia. de Comédias de Teixeira Pinto "abriu a temporada teatral de Salvador, em 1933, (...), sucedida pela Companhia (...) do Alhambra". No teatro soteropolitano, considerava-se temporada então o período compreendido entre abril e outubro. Após a saída do Alhambra, a Cia. Palmerim Silva-Cecy Medina fez uma "temporada mais longa do que as habituais", dando lugar a Cia. de Espetáculos Modernos, dirigida por Lamartine Babo, em julho. Teria sido então em alguma data entre abril e julho de 1933 esta permanência de Ary na Bahia, possivelmente coincidindo com o período em que o filme Ganga Bruta esteve em cartaz no Alhambra (maio-junho). É certo que em setembro ele já se encontrava de volta ao Rio, pois no dia 15 daquele mês estreou no Teatro Rialto a revista Mossoró, Minha Nega, que escrevera junto com Marques Porto. Com Mesquitinha e Alda Garrido à frente do elenco, a peça ficou duas semanas em cartaz.

Enfim, não foi então dessa vez que Ary Barroso esteve em Salvador num dia 2 de dezembro...

(F. G.)

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