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Mistura e Manda

Nº 142 - 29/7/2006

Viva Carmen!

No domingo, 23, estreou em nossa página de Filmes o curta Carmen Miranda. Dirigido em 1969 por Jorge Iléli, apresenta raras cenas das visitas de Carmen ao Rio de Janeiro em 1940 e 1954 - e a volta definitiva, seu cortejo fúnebre em 1955. A fita é recheada com números musicais clássicos ("Cantores de Rádio", de João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro, que Carmen interpreta com a irmã Aurora Miranda, e "O que é que a Baiana Tem?", de Dorival Caymmi, num filme brasileiro e em outro americano). Um material de primeira água!

(Fabio Gomes)

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Encontrabanda com Plauto Cruz: mambo, maxixe e emoção

O encontro da Banda Municipal de Porto Alegre com o flautista Plauto Cruz, atração do Teatro Renascença (Porto Alegre) na terça, 18, iniciou em clima de big band. Realmente lembravam muito o som do auge do jazz dixieland as interpretações da "Abertura Açorianos", de autoria do regente da Banda, Marcelo Nadruz, e a excelente "Seqüência de Sambas nº 4" (reunindo "Ai que Saudades da Amélia" e "Atire a Primeira Pedra", ambas de Ataulfo Alves e Mário Lago, "Leva Meu Samba", de Ataulfo, e "A Voz do Morro", de Zé Kéti). Dali por diante, alternaram-se momentos em que a atmosfera predominante ora era de mambo, ora era de maxixe. Este deu deu o tom do surpreendente arranjo de Nadruz para "Solfeggietto" (Philip Emanuel Bach), enquanto o antigo ritmo caribenho, além de ser o esperado em "Novo Mambo" (Manoel Ferreira), foi ainda utilizado para a releitura de "Kid Cavaquinho" (João Bosco - Aldir Blanc), cuja primeira parte iniciava com um dueto fantástico entre o trompete de Jorge Alberto de Paula (mais conhecido fora da Banda como Jorginho do Trumpete) e a bateria de Juarez Ferreira. Até aqui, falo da parte em que a Banda se apresentou sozinha.

A participação de Plauto se iniciou com outro ritmo caribenho, na música de sua autoria "Viajando na Rumba". Nesta, a flauta do solista estava quase inaudível, um pouco prejudicada pelo arranjo, outro tanto pelo problema no som do seu microfone. Sem merecer a devida atenção, este aspecto técnico impediu o público de ouvir o convidado com a qualidade desejada: o som da flauta chegava à caixa de som com muito ruído, meio oco. (Infelizmente não é a primeira vez que isso acontece: no lançamento do segundo CD do Clube do Choro, em 23 de junho de 2005, durante boa parte da noite o microfone de Plauto esteve simplesmente desligado!!!)

Problemas técnicos à parte, foi de muita emoção a participação de Plauto no show. Tanto na hora do seu número solo (em que tocou divinamente "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro), quanto ao interpretar "Maremy", música dedicada a sua esposa, que falecera poucos dias antes (ao bisar esta composição, Plauto chorou). Plauto e a Banda dividiram ainda "Doce Maxixe" (olhaí!), "Disparada" (Geraldo Vandré - Théo) e "Maria Fumaça" (Kleiton - Kledir), da qual o flautista fez o arranjo original para a dupla pelotense cantar no festival da TV Tupi de 1979.

Nadruz comunicou ao público que, naquele mesmo dia, recebera a notícia de que a Banda irá gravar em breve seu primeiro CD, com participação de todos os músicos que têm participado da série Encontrabanda. Além da presença de Plauto já garantida neste projeto, o maestro fez menção de realizar novo concerto, dessa vez unicamente com obras de Plauto. Saudamos a idéia e fazemos votos de nessa próxima vez o som esteja melhor!

(F. G.)

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