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Mistura e Manda

Nº 143 - 27/8/2006

Chorões em filme

Na quinta, 24, estreou em nossa página de Filmes o curta Chorinhos e Chorões, que Antônio Carlos Fontoura dirigiu em 1974. Vivia-se um momento de explosão de vendas de discos de choro, resgatando o trabalho de veteranos, e de realização de vários festivais dedicados ao gênero, revelando novos talentos. Os melhores momentos do filme são justamente quando revelações e experientes se encontram, culminando na seqüência de encerramento, em que ouvimos o maravihoso choro "Mistura e Manda" (Nelson Alves) com Déo Rian (bandolim) à frente do Conjunto Época de Ouro. Em outros momentos, brilham os veteranos, como quando "Picadinho à Baiana" é solado ao bandolim por Luperce Miranda - e imagens de Luperce em ação são raríssimas. Um excelente programa, com certeza!

(Fabio Gomes)

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Inscrições abertas para novos cursos de Jornalismo Cultural

Estão abertas até quinta, 31, as inscrições para as novas edições dos três cursos que promovemos, com algumas novidades. A primeira é o local: nossos cursos passarão a ocorrer no espaço denominado Cursos Jornalismo Cultural (Av. Carlos Gomes, 141/1202, Auxiliadora, Porto Alegre - 51-2102-0358), qualificando o atendimento a nossos alunos. Outra é de nome: um dos cursos, o antigo Jornalismo Cultural para Não-jornalistas, agora se chama Divulgação de Eventos Culturais, traduzindo melhor o verdadeiro objetivo da atividade.

Você pode ver a programação completa de setembro - que inclui Panorama Histórico da Música Brasileira, Divulgação de Eventos Culturais e Jornalismo Cultural - na página da nossa Agenda, e reservar sua vaga através do formulário que consta na mesma página. Não deixe para a última hora, pois as vagas são limitadas!

(F. G.)

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Pérolas de Wisnik

José Miguel Wisnik é com certeza um nome diferenciado no cenário cultural brasileiro. Ele conjuga muito bem suas personas escritor-professor de literatura & compositor-cantor-pianista, sabendo dosar ambas com maestria - analisando amorosamente a arte alheia e produzindo generosamente a sua própria.

Tive mais um belo exemplo disso na manhã deste domingo, 27, em que Wisnik foi o convidado da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro (Porto Alegre), regida por Antônio Carlos Borges Cunha. Dois dos números apresentados com a orquestra são baseados em músicas muito conhecidas. A primeira é "Se Meu Mundo Cair", em que há citação integral de um verso de "Meu Mundo Caiu" (Maysa) - justamente o que intitula a composição, "Se meu mundo cair" - e se joga com o sentido do verso seguinte - o que em Maysa continua como "Eu que aprenda a levantar", em Wisnik passa a ser "Eu que aprenda a levitar". A segunda, que se chama "Assum Branco", remete logo ao clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, "Assum Preto". Nesta, seu piano chegou a lembrar a forma de tocar de Tom Jobim; melodicamente, porém, não há parentesco entre os clássicos citados e as novas obras.

Já em uma das músicas que ele cantou acompanhando-se sozinho ao piano, "Para Elisa" (parceria com Luiz Tatit), há parentesco sim: o tema inicial cita muito claramente "Pour Elise" (Ludwig van Beethoven). Também sem a orquestra, Wisnik cantou a excelente "Tempo sem Tempo" (parceria com Jorge Mautner) e a linda "Valsa Azul" - obra do pernambucano Nelson Ferreira que pretendia ser uma "resposta" à "Valsa Verde" (Capiba), e que Wisnik foi convidado a letrar recentemente.

"Laser" (Wisnik - Ricardo Breim) e "Polonaise" (poema de Adam Mickiewicz traduzido por Paulo Leminski e musicado por Wisnik) também abrilhantaram o programa, do qual destaco como grandes momentos "Pérolas aos Poucos" (parceria com Paulo Neves) e "DNA" - esta com uma carga de emoção a mais, devido à frase com que singelamente o solista a apresentou: "Esta música eu fiz para minha filha Daniela, quando a conheci, quando ela tinha 17 anos."

Os músicos convidados - Ricardo Arenhaldt (bateria), Júlia Simões (flauta) e Clóvis Boca Freire (baixo) - não chegaram a se destacar, pois os arranjos de Vagner Cunha privilegiaram cordas e piano. Só em "DNA" a percussão de Arenhaldt chegou a dar um colorido diferenciado ao som.

Ainda a propósito de grande momento: houve com certeza outro, a peça de abertura do concerto, "Adágio e Fuga em Dó Menor" (Wolfgang Amadeus Mozart), interpretada apenas pela orquestra. Não sei de outra obra em que Mozart tenha chegado mais perto da técnica de Johann Sebastian Bach.

(F. G.)

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