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Mistura e Manda

Nº 161 - 28/4/2007

Mudando as mudanças

No Mistura e Manda nº 158, informamos as alterações que aconteceriam a partir dali nas Dicas e no Palco. Pois bem: noticiamos hoje novas mudanças, sempre no intuito de levar a você o melhor conteúdo sobre cultura brasileira de raiz.

Tanto nas Dicas quanto no Palco, colocaremos as chamadas para os eventos tão logo o recebamos (a idéia é fazer atualização diária). Nas Dicas, atrações que se repitam regularmente na mesma cidade serão claramente identificadas; no Rio de Janeiro, por exemplo, há uma roda de choro semanal do grupo Gambá Partiu Chora Gamboa, no Trapiche Gamboa, toda terça. Já no Palco, onde a maior parte das chamadas é para temporadas teatrais que geralmente duram semanas, a programação de cada cidade abre com as apresentações que sejam de único dia ou curta temporada.

Não havendo mais atualização semanal desses informativos, também não teremos mais novos Arquivos das Dicas e do Palco. O que já está no ar continua.

(Fabio Gomes)

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Festa no Quilombo São José homenageia Pretos-Velhos

No dia 12 de maio, acontece no Quilombo São José (Valença, RJ) a Festa de Jongo em Homenagem aos Pretos-Velhos. No Quilombo, 200 negros, todos da mesma família, vivem no local há mais de 150 anos mantendo vivas tradições como jongo, umbanda, calango, terço de São Gonçalo, medicina natural, rezas e benzeduras, agricultura familiar e artesanato. A eletricidade foi instalada há dois anos, mas hábitos antigos como candeeiro, o ferro à brasa e o fogão de lenha ainda marcam presença no local.

A programação inicia às 10h com missa afro ao ar livre, seguindo-se feijoada em beneficio da comunidade (12h30)(pagamento à parte); e apresentação do Boi-Pintadinho de Miracema, Samba de roda, Capoeira Angola, Maculelê e Samba de roda (15h). Depois começam os jongos: Jongo de Pinheiral (16h30); Jongo do Quilombo São José (17h); os grupos confraternizam a partir das 17h30. Mãe Terezinha, a matriarca da comunidade, abençoa a fogueira às 19h.

A Homenagem aos Pretos-Velhos começa às 19h30, com a Roda de Jongo na beira da fogueira e todos os presentes participando. A partir das 21h, alternam-se o Baile de Calango e Roda de Jongo junto à fogueira, até o sol raiar. Além das batatas assadas na fogueira, todos poderão degustar comidas típicas vendidas nas barraquinhas (algumas delas comercializam itens de artesanato também).

Acha que acabou? Não, não: na manhã do dia 13, após o café (8h), ainda tem um jogo de futebol (9h), encaminhando para o encerramento da festa ao meio-dia.

Para ir de ônibus a partir do Rio de Janeiro, reserve seu lugar pelos fones 21-3852-0043 ou 21-3852-0053. Sairão dois ônibus da Fundição Progresso (Lapa), no sábado, às 8h da manhã. Um deles retorna às 20h de sábado e o outro na manhã de domingo. Outra opção de ônibus é a partir de São Paulo. A saída é na virada da sexta para sábado, voltando no domingo. São R$ 75 até a segunda, 30/4. Reservas pelos fones 11-9294-7207 ou 11-2167-2236 (Angela) ou 11-3333-1568 (Fabiano) ou ainda [email protected].

Querendo ir de carro (são 2h30 do Rio ao Quilombo), pegue a estrada Rio-São Paulo e suba pela Serra das Araras. Entre na saída para Piraí - Barra do Piraí e atravesse Barra do Piraí em direção a Valença. Após o trevo, pegue a direção da cidade de Conservatória (importante: há uma placa indicando Valença à direita, mas para chegar ao Quilombo você precisa mesmo entrar à esquerda para Conservatória). Atravesse a cidade de Conservatória e suba a Serra da Beleza (é uma estrada de terra). Após a quarta ponte, no km 18 dessa estrada de terra, vire à esquerda na estrada secundária de acesso ao Quilombo São José. São mais duas porteiras e pronto, você chegou!

Outro modo de chegar é ir do Rio via Volta Redonda. Cruze essa cidade em direção ao bairro Voldac. Ali você pega a estrada nova asfaltada para Santa Rita do Zarur – Amparo – Santa Isabel do Rio Preto. Em S. Isabel, você pega a estrada de terra da Serra da Beleza e em 10 minutos estará na entrada da estrada secundária de acesso ao Quilombo.

(F. G.)

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70 anos sem Noel Rosa

Eu sei, você já ouviu isso: é espantoso constatar que Noel Rosa, em menos de 27 anos de vida, foi autor de mais de 200 músicas, boa parte delas obras-primas. O espanto é maior ainda se pensarmos que, na real, de seus 26 anos, ele só compôs mesmo em 8 (1929 a 1937) - ou menos, porque fora viagens para shows, ele fez vários períodos de repouso para se tratar da tuberculose, que o vitimou em 4 de maio de 1937.

Boa parte de sua fantástica produção cai em domínio público a partir de 1º de janeiro de 2008. O que isso quer dizer exatamente? Significa que tudo o que Noel Rosa escreveu sozinho (como "Com que Roupa?") ou com parceiros que morreram antes dele (é o caso de "Queixumes", parceria com Henrique Brito, falecido em 1935) poderá ser gravado em CD e incluído em shows e trilhas sonoras de filmes, shows e peças (entre outras utilizações possíveis) sem a necessidade de pagamento de direitos autorais ou consulta aos herdeiros do compositor. Isto porque já terá se cumprido o prazo de 70 anos que a lei nº 9610/98, que regula o direito autoral no Brasil, estipula para proteção da obra intelectual. Porém, obras com parceiros que tenham morrido depois de Noel (ou eventualmente ainda vivos) seguem protegidas: é o caso de "Pastorinhas", que Noel fez com João de Barro, falecido no final de 2006; esta obra só estará liberada em 2077!

Provavelmente assistamos a partir do ano que vem, portanto, uma overdose positiva de shows e discos com músicas do autor de "Palpite Infeliz" - e creio que ela não acabe em seguida, como muitas vezes acontece, isto porque estaremos a dois anos do centenário de Noel, a ser comemorado em 2010.

O fato tem grande repercussão devido ao conjunto da obra de Noel, de extrema qualidade e, digamos, em moldes similares aos da música posterior a ele. Nos últimos anos, a obra de vários compositores que foram expoentes em seu tempo também entraram em domínio público - podemos citar: Sinhô (2001), Nilton Bastos (2002), Ernesto Nazareth (2005) e Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu (2006) -, mas a repercussão foi escassa. Nilton tem obra quase toda em parceria com Ismael Silva (falecido em 1976) e Francisco Alves (morto em 1952), enquanto as composições de Nazareth, Chiquinha e Zequinha são predominantemente instrumentais. De Sinhô, pouco ou nada se toca além do "Jura".

Impacto semelhante à liberação da obra de Noel no Brasil talvez só se encontre na Argentina, onde caiu em domínio público no ano passado a obra de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera (ambos desaparecidos em acidente aéreo em 1935).

(F. G.)

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