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Mistura e Manda

Nº 163 - 1/6/2007

22º Escambo Popular Livre de Rua

O nome escambo define as transações econômicas em que não se usa dinheiro, sendo então um produto trocado diretamente por outro. É o que acontece modernamente em algumas feiras no Norte da África; no Brasil, ele foi mais freqüente no início da colonização, durante os primeiros contatos dos portugueses com os índios do nosso litoral. Mas o escambo já foi o padrão de negociação, antes que fosse inventada a moeda - que, aliás, surgiu justamente porque um dos lados sempre ficava achando que podia estar sendo passado pra trás pelo outro.

Agora, um escambo em que ninguém engana ninguém, ao contrário, em que todo mundo sai ganhando, é o 22º Escambo Popular Livre de Rua, que acontece de 7 a 10 de junho em Carnaúba dos Dantas, no Rio Grande do Norte. O Escambo Popular é um movimento de irradiação cultural que reúne grupos de teatro de rua, poetas e artistas populares dos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Maranhão que desafiam a matemática: eles dividem suas experiências artísticas, culturais, políticas e comunitárias, mas isto em nada os diminui, antes se constitui em algo que vem a somar, pois todos se tornam multiplicadores do visto-ouvido-vivido.

É a segunda vez que o Escambo se realiza em Carnaúba dos Dantas, cidade próxima a Acari, a cerca de 250 km da capital, Natal, e bem perto da divisa com a Paraíba - a outra foi em 1991. Coerente com sua proposta de levar suas atividades artísticas-educativas aos lugares onde mais se necessita de sua presença, o Escambo tem se realizado nos sítios, assentamentos, favelas e bairros populares das pequenas e médias cidades do Ceará e Rio Grande do Norte (com duas exceções: uma para a capital, Natal, em 1993, e outra para uma cidade paraibana, Catolé do Rocha, berço de Chico César, em 1997).

Esta edição do evento homenageia alguns artistas locais, como: a cantora Maria Desidéria de Medeiros, 74 anos; a costureira Emília de Rodate Dantas de Souza, 72 e a dançarina Maria das vitórias Dantas, 68; e também pessoas de outras comunidades, como a poetisa Anália Maria da Silva, 91 anos; o violeiro Manoel Matias dos Santos, de Pilhões (Paraíba), 71 anos; o repórter José Toscano Neto, 59; o carnavalesco José Cláudio da Silva, 67; a curandeira Angélica Maria dos Santos, 98; a poetisa Gertrudes Augusta Dantas, 93; e a artesã Marieda da Silva Medeiros, 68.

A programação do Escambo inclui espetáculos teatrais (com gente e com bonecos) e de dança, Reisado, exposição, sessões de curtas, capoeira, show, cursos, vivências e palestras. Veja a programação completa clicando aqui.

(Fabio Gomes)

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Tudo no meio do nada

O que pode acontecer quando seis pessoas que só tinham em comum estarem no mesmo ônibus são obrigadas a passar juntas oito horas num local isolado, à espera de que alguém venha consertar o veículo? Ricardo Azevedo acredita que, ao longo deste período, cada um vai aos poucos tirando sua máscara social, vindo a revelar-se como realmente é; apoiado nesta idéia, escreveu o roteiro do curta-metragem Tudo no Meio do Nada. O roteiro começou a sair do papel no fim de semana passado, com as filmagens dirigidas por Márcio Weiss, com assistência de Lísia Faccin, em um sítio localizado na Costa do Ipiranga, em Gravataí (município da região metropolitana de Porto Alegre), nos dias 25 e 26 de maio. O filme deve ser finalizado ainda neste mês de junho; a idéia dos formandos é promover um lançamento oficial e depois participar de festivais.

O curta é o trabalho de conclusão de curso de uma turma do Curso Tecnológico Superior de Realização Audiovisual da Ulbra, orientada pelo prof. Frederico Pinto. O elenco conta com nomes consagrados do teatro gaúcho como Antônio C. Castilhos, Carlos Paixão, Hyro Mattos, Janine de Souza, Maju Volkmer e Nilton Filho. A produção é de Marília Bressane, tendo como assistentes Fábio Lemes e Carolina Lima; a direção de fotografia, de Jorge Moroni; a direção de arte, de Priscila Machado. Edson Gandolfi cuidou da produção do set, Queli Giuriati dos figurinos, Luciano Poletto dos microfones, Carolina Lima operou o áudio (além de ser responsável pela finalização, junto com Lísia Faccin), Bibiana Mandagará fez o making off. O desenho de som foi de Ricardo Azevedo, o roteirista - que recentemente foi premiado no 19º Set Universitário da PUC-RS por outro curta, Palavras ao Vento. Veja foto do elenco com o roteirista e a produtora.

O curso de Realização Audiovisual é coordenado por Alexandre S. Saint Pierre; a coordenação da produção executiva foi de Ivonete Pinto; Kiko Ferraz coordenou a edição e Juan Zapata, a fotografia. Para a realização, a turma obteve os apoios do Canoas Shopping, da empresa de ônibus Vicasa, do restaurante Guris Fast Food, do SENAC e do Teatro Nilton Filho.

(F. G.)

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Do lado de fora

Era assim que Torquato Neto se referia ao exterior em sua coluna Geléia Geral, que assinava na Última Hora do Rio de Janeiro no começo dos anos 70. Quando algum artista saía do país, em excursão ou exilado (vivia-se o auge da repressão), Torquato dizia que a pessoa estava "do lado de fora".

Pois bem, estiveram recentemente do lado de fora vários artistas brasileiros (felizmente, todos a trabalho, pois embora ainda haja muito a se avançar politicamente no país, ao menos com o exílio nós acabamos...):

(F. G.)

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