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Mistura e Manda

Nº 165 - 19/7/2007

Andréa del Puerto (1975 - 2007)

O falecimento, no domingo, 15 de julho, da bailarina de flamenco Andréa Del Puerto, passou praticamente em branco na imprensa de Porto Alegre. Algo injustificável, tendo em vista que se tratava de uma profissional com 10 anos de atuação na cena cultural da capital gaúcha, que há seis anos mantinha uma companhia com seu nome - a estréia foi em agosto de 2001, com A Nuestro Aire. O mais recente projeto da companhia foi Flamenco del Puerto homenageia o Centenário de Mário Quintana, no ano passado, com a poesia de Quintana dando novo brilho ao espetáculo Flamenco del Puerto, em que Andréa desde 2003 propunha aos espectadores lançar um "olhar flamenco" pelos espaços histórico-culturais da cidade.

Outra iniciativa de Andréa foi a escola que leva seu nome, com sede na Av. Cristóvão Colombo, 757, bairro Floresta. Inaugurado em 1999, o prédio chama a atenção de quem passe por ali, pelas criativas pinturas de bailaores flamencos que suas paredes ostentam.

A missa de sétimo dia por Andréa será realizada na Paróquia São Geraldo (Av. Farrapos, 2611, quase esquina com Av. São Pedro), às 16 horas do sábado, 21 de julho. Os integrantes da Companhia e colegas da Escola pedem, aos que puderem, levar uma rosa, de qualquer cor.

(Fabio Gomes)

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O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol

No dia de São Pedro (29 de junho), a comunidade do Amaro Branco, nos arredores do sítio histórico de Olinda, pôde assistir ao documentário O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol. Dirigido por Mariana Fortes, o filme aborda a produção secular de coco de roda na comunidade onde residem cerca de 2 mil pessoas.

O título, grande e cheio de referências circulares, assim é justificado pela diretora:

- O nome do filme sintetiza a comunidade do Amaro Branco, suas origens e sua rica produção cultural. Folguedo típico das regiões praianas, o coco de roda é produzido no Amaro Branco há mais de cem anos. O Farol ilumina as embarcações e marca a paisagem do bairro de pescadores, os quais encontraram no mar um pneu de avião trazido ao Amaro Branco. O objeto foi colocado sob uma árvore cuja sombra servia de abrigo para os brincantes que se reuniam para cantar loas e, assim, deram início ao tradicional Coco do Pnêu.

A escolha da data não se deveu ao acaso: São Pedro, o padroeiro dos pescadores, é o santo de devoção da comunidade. Todos os anos, seu dia é marcado pela procissão em homenagem ao Santo, que parte da Colônia Z-4, à beira-mar, por volta das 16h. Depois, os fiéis sobem rumo ao Amaro Branco, onde festejam até o dia amanhecer embalados pelo contagiante Coco do Pnêu, coordenado há 18 anos pelo Mestre Lú do Pnêu. Ele e outros mestres do coco que participaram do filme, como Ana Lúcia, Ferrugem, Dona Glorinha, Dona Montinha, Beth de Oxum e Pombo Roxo, puderam enfim se ver na tela grande. O mesmo não aconteceu com Mestre Dédo; morto em janeiro deste ano, ele recebeu uma homenagem especial nesse dia. Outra sessão especial foi marcada para a Sambada de Coco de Beth de Oxum, no Guadalupe, também próximo ao sítio histórico de Olinda.

O filme não estreou nessa exibição na praça central de Amaro Branco. O Coco, a Roda, o Pnêu e o Farol já recebera em abril, o prêmio Gilberto Freyre do festival Cine PE 2007, em razão da importância que atribuiu à música como elemento de miscigenação cultural das raças brasileiras. De lá pra cá, o filme já foi visto em mostras como o 4º Panorama Recife de Documentários (junho) e 4º Festival de Belém do Cinema Brasileiro (julho). Em outubro, será uma das atrações da Mostra de Cinema Nordestino, a ocorrer em São Paulo.

(F.G.)

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As 4 Grandes

O site da Collector's Studios está com uma enquete curiosa. A partir de um consenso de que os cantores Carlos Galhardo, Francisco Alves, Orlando Silva e Sílvio Caldas seriam realmente os melhores da fase áurea da Era do Rádio, cunhou-se a expressão "OS 4 GRANDES" para designá-los (quando isso aconteceu, e quem o fez, não o sei, nem eles informam - e talvez nem importe muito). O que importa é que a iniciativa da Collector's se destina a definir quem seriam, das nossas cantoras da Era do Rádio, "AS" 4 GRANDES. Para participar, acesse o site da Collector's.

Ao meio-dia de 19 de julho, a enquete já havia recebido 194 votos (o que indica que nem todos estão votando em quatro nomes, já que 196 é que é múltiplo de 4); as quatro grandes naquele momento eram Carmen Miranda e Dalva de Oliveira (35 votos cada), Aracy de Almeida (34) e Dircinha Batista (25). Logo atrás, vêm Linda Batista (23) e Isaura Garcia (22). É bem possível que dessas seis saiam as quatro "vencedoras", já que as outras têm muito menos votos. De certo modo, me espanta que Aurora Miranda tenha só 1 voto, enquanto Odete Amaral tem 9. O restante não oferece muitas surpresas: Araci Cortes tem 5 votos; Carmen Barbosa, 3; Elisa Coelho e Marilu, 1 cada. No final, sem voto, estavam Cynara Rios, Neide Martins, Silvinha Mello e Sônia Carvalho - todas com carreiras relativamente breves e concentradas no início da radiodifusão brasileira, sendo até difícil entender sua inclusão na enquete. Sem contar as inexplicáveis ausências de Emilinha Borba, Elizeth Cardoso e Marlene, se a idéia era se restringir aos anos 1930 cabia ao menos incluir Marília Batista.

(F.G.)

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Rancho de amor a Florianópolis

Em Uma canção para Porto Alegre, vocês afirmam que a única capital com hino conhecido é o Rio de Janeiro, mas não é verdade. Florianópolis tem como hino o "Rancho de Amor à Ilha", de Zininho. Até pode não ser conhecido nacionalmente, mas todo mundo em Florianópolis sabe cantá-lo de cor. Se quiser dar uma olhada, está no site Guia Floripa .

Um abraço e parabéns pelo trabalho!

(Marcel Ribas, Florianópolis)

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Tem frevo no samba da Mangueira

A comemoração do centenário do frevo ocorreu oficialmente em 9 de fevereiro, mas pelo visto não tem data pra acabar. É que a Mangueira escolheu o ritmo pernambucano como tema de seu desfile 2008. O tema proposto aos compositores da escola tem o título provisório de "100 Anos do Frevo É de Perder o Sapato – Recife Mandou me Chamar".

Para desenvolver o enredo, a escola conta com o apoio da prefeitura do Recife, que enviou à escola um dossiê sobre o frevo, incluindo CDs, livros e a idéia da agência de publicidade 3 Pontos. O apoio não ficou só nisso: o prefeito do Recife, João Paulo, já esteve no barracão da Mangueira na Cidade do Samba (Rio de Janeiro) em 18 de junho, quando recebeu a sinopse do desfile das mãos do presidente da escola, Percival Pires. A convite de Percival, João Paulo deve retornar ao barracão em 26 de julho, quando a Mangueira fará homenagem a seus parceiros.

(F.G.)

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Tambor de crioula é reconhecido como bem imaterial

Um cortejo com mais de 3 mil pessoas marcou as comemorações do registro do Tambor de Crioula no Livro das Formas de Expressão do Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro, na noite de 18 de junho, em São Luís do Maranhão. Agora já são onze os bens culturais de natureza imaterial inscritos nos quatro Livros de Registro do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial. Antes, já haviam sido registrados: o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras (ES); a Kusiwa - Linguagem e Arte Gráfica da tribo Wajãpi (AP); o Círio de Nazaré (PA); o Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA); o Modo de Fazer Viola-de-Cocho (MT); o Ofício das Baianas de Acarajé (BA); o Jongo no Sudeste (RJ); a Cachoeira de Iauaretê - lugar sagrado dos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri (AM); a Feira de Caruaru (PE) e o Frevo (PE).

Depois da reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), realizada no terreiro mais antigo da capital maranhense (a Casa das Minas, na Rua de São Pantaleão, 857), o ministro da Cultura, Gilberto Gil, anunciou o registro para os milhares de brincantes que tomaram as ruas do centro de São Luis com seus tambores e coreiras.

Gil participou da procissão em que integrantes de 62 grupos percorreram a Rua de São Pantaleão. Fechada ao trânsito nesse dia, a rua foi ornamentada com 50 painéis homenageando os brincantes do tambor e decorada com flores e chita. O cortejo teve como ponto final a capela de São Benedito na Casa do Tambor de Crioula, onde foi depositado o andor com a imagem do santo. Em seguida, o ministro da Cultura lançou o selo comemorativo dos Correios em tributo ao tambor de crioula, participando ainda da solenidade de celebração do registro, na Casa do Tambor de Crioula.

- Um Plano de Salvaguarda do Tambor de Crioula deverá contemplar políticas que assegurem a transmissão dos saberes, o estímulo a novos compositores e o apoio ao registro fonográfico e audiovisual. Não é o registro que vai garantir a sobrevivência do Tambor de Crioula, mas é a responsabilidade de todos nós - afirmou Gil durante a solenidade (leia aqui a íntegra do discurso).

Diversos mestres do Tambor destacaram a importância do registro para a sustentabilidade dos grupos e das comunidades. "O registro do Tambor veio para melhorar as condições do grupo e divulgar ele em todo Brasil", disse o mestre Amaral. Já o mestre Felipe, do Tambor de Crioula União de São Benedito, lembrou da função social que o Tambor exerce na vida dos jovens: "Hoje temos muitas crianças carentes no grupo e o tambor tira essas crianças da marginalidade". Ele, que é um dos mestres mais antigos da região, destaca, orgulhoso, que "essa é uma dança que todo o Brasil deveria conhecer".

O Tambor de Crioula envolve dança circular, canto e percussão e sua prática remonta ao período da escravatura; sua origem se liga à resistência cultural dos negros e de seus descendentes. No ano passado, foi criado o memorial Casa do Tambor de Crioula. Instalada em uma antiga fábrica no centro de São Luís, a casa, também chamado de Fábrica das Artes, fica em um conjunto de prédios tombados, situados no coração do centro histórico de São Luís. Atualmente, existem no Maranhão mais de 60 grupos de Tambor de Crioula catalogados; a manifestação vem atraindo pessoas da classe média, estudantes, artistas e intelectuais. O Tambor também já tem seu dia próprio: 6 de setembro.

(Redação final: Fabio Gomes, a partir de textos de Marcelo Lucena - com edição de Carol Lobo -, e Comunicação Social do MinC)

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Music Jobs Brasil

Entrou no ar em maio o site Music Jobs Brasil, um portal de oportunidades e empregos para o mercado musical do país. A idéia é propiciar que músicos, profissionais e técnicos, gravadoras, selos, produtoras e diversas empresas que trabalham na indústria da música brasileira (escolas, estudios, lojas, editoras, agências de talento, produtoras de eventos, teatros, casas de shows, bares, festivais, serviços de iluminação e áudio, fabricantes de instrumentos musicais e qualquer serviço ligado ao mercado musical) possam fazer cont(r)atos com maior facilidade.

Para se candidatar a ou anunciar uma vaga, é preciso fazer um cadastro grátis - o mesmo é exigido caso você queira fazer uma página de divulgação de sua banda. Sem cadastro, você pode até ler os anúncios e ouvir músicas, mas não tem como ter acesso aos contatos dos artistas.

(F.G.)

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