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Mistura e Manda

Nº 170 - 16/10/2007

Projeto Brasileirinho semifinalista do Prêmio Cultura Viva

O Projeto Brasileirinho - Os Tons da Aquarela Cultural de Nosso País (Projeto Pedagógico em Escola Pública), desenvolvido pela professora Vânia Corrêa Pinto no Colégio Estadual Vicente Januzzi (Rio de Janeiro), classificou-se como semifinalista do Prêmio Cultura Viva, promovido pelo Ministério da Cultura, na categoria Escola Pública de Ensino Médio, junto com outros 16 projetos de todo o país.

Somando as outras cinco categorias, são ao todo 120 projetos semifinalistas. A próxima etapa é a escolha das 42 iniciativas finalistas, que receberão visitas de técnicos e passarão pela última etapa de seleção, que premiará 18 iniciativas (três em cada categoria). O anúncio dos vencedores está programado para dezembro.

(Fabio Gomes)

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Paulinho prefere o cavaquinho à Viola no Acústico

Nelson Cavaquinho firmou jurisprudência na matéria ao mudar de instrumento e conservar o antigo apelido. Logo, não esperem que, depois do Acústico MTV que foi ao ar no domingo, 14, Paulinho da Viola passe a se chamar Paulinho do Cavaco.

Brincadeiras à parte, o fato é que Paulinho se acompanhou ao violão em poucas músicas; em "Dança da Solidão", até começou ao violão, que trocou a partir da segunda parte pelo cavaquinho. O violão ficou reservado para momentos tão emocionantes (como a junção de sambas do começo de sua carreira "14 Anos"/"Jurar com Lágrimas"/"Recado"/"Coisas do Mundo, Minha Nega") quanto belos (o lindo diálogo do violão com a orquestra de cordas em "Só o Tempo"). As cordas também se destacaram ao fazer contraponto à voz-e-cavaco de Paulinho em "Eu Canto Samba"; no restante do show, foram um toque discreto a reforçar a qualidade do projeto como um todo, sem "solar" nos finais dos arranjos (como nos que Rildo Hora escreveu para os Acústicos de Zeca Pagodinho), nem abafar a percussão.

No pouco que conversou com a platéia, o compositor aproveitou para homenagear seu compadre Mauro Duarte - apesar da proximidade, eles só fizeram juntos o samba "Foi Demais", que Paulinho cantou em seguida. Outra história saborosa foi a do samba "Talismã". Paulinho havia escrito a melodia há tempos e a deixou com Marisa Monte para que ela pedisse para Arnaldo Antunes letrar: "Imaginei que ele fosse como eu, e fosse levar meses ou anos para escrever, e poucos dias depois Marisa me liga pra dizer que a letra estava pronta - e que ela também havia entrado na parceria!". Foi um dos pontos altos do show este samba, que chegou a motivar uma matéria de capa da Bravo! ("A Hora do Samba", de Marcus Preto, no nº 111 da revista, de novembro de 2006). "Talismã" tem cara de clássico: "Eu não preciso de talismã, nem penso no amanhã/ Vou remando na maré...".

Este foi um Acústico sem cantores ou grupos convidados, o que é raro. As participações especiais estiveram integradas ao grupo que acompanhou Paulinho, com destaque para o percussionista Esguleba, uma atração à parte tanto ao se alternar entre vários instrumentos (cuíca, prato-e-faca, pandeiro, tamborim...) quanto ao dançar ao som de "Eu Canto Samba". Os filhos também marcaram presença no show do pai: João Rabello no violão e Beatriz Rabello no coro, que também teve a presença ilustre e humilde de Cristina Buarque.

(F.G.)

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Frevo até debaixo d'água

As atletas cariocas de nado sincronizado Lara Teixeira e Carolina Hildebrandt ganharam medalha de bronze em 27 de julho nos Jogos Pan Americanos do Rio de Janeiro, utilizando o frevo em sua coreografia. A escolha do ritmo pernambucano foi feita pelas próprias atletas, que pediram ao dançarino Carlinhos de Jesus que as orientasse.

Ao receber a medalha, Lara disse acreditar que "nossa idéia de usar o frevo foi muito feliz, já que o público identificou os movimentos e se empolgou durante toda a apresentação. A gente queria muito isso, que a torcida se divertisse". O objetivo foi plenamente alcançado, pois várias pessoas da platéia agitavam sombrinhas de frevo durante a apresentação das brasileiras, que também subiram ao pódio com sombrinhas em mãos.

O frevo já havia sido apresentado por elas na coreografia de outro campeonato, disputado em março na Austrália. Fora de competição, elas voltaram a frever em pleno Pernambuco, durante a abertura do 1º Festival de Nado Sincronizado da Cidade do Recife, no Clube Português, no dia 1º de setembro. O público presente foi ao delírio, emocionando as atletas. Afinal, como bem definiu Lara, "Uma coisa é utilizar o frevo longe daqui, outra é sentir pessoalmente o entusiasmo dos pernambucanos”.

Na mesma noite, as duas atletas participaram de uma festa em homenagem ao frevo, no Clube Líbano, com a presença da Velha Guarda da Mangueira.

(F.G.)

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Tem frevo no samba da Mangueira (2)

Como já dissemos no Mistura e Manda nº 165, a Mangueira vai colocar a Sapucaí pra frever no próximo Carnaval. Foi esse o motivo da festa acontecida no Clube Líbano do Recife no dia 1º de setembro - e da intensa movimentação de sambistas entre Rio e Recife que já vem acontecendo e que deve ganhar cada vez mais força quanto mais perto fevereiro estiver.

No Rio, a homenagem da Mangueira a seus parceiros aconteceu no dia 28 de julho. Na verdade, começou já no dia 26, pois quando o prefeito de Recife, João Paulo, desembarcou no Galeão, foi recebido por doze percussionistas da bateria mirim, o vice-presidente de Eventos da Mangueira, William Alves, além do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da Escola, Mateus Oliveira e Débora Santos. O samba tomar conta do aeroporto já seria surpresa, que aumentou quando todos viram o prefeito pegar um tamborim e batucar no ritmo! Já na noite de 28, a festa teve por palco o Palácio do Samba da Estação Primeira de Mangueira, aberta por clarinada da Orquestra Popular do Recife, seguindo-se a bateria da escola recepcionando o show de capoeiristas e porta-estandartes dos clubes Vassourinhas, Lenhadores, Pás e Batutas de São José, além da apresentação de passistas e do cantor Claudionor Germano, junto com o coral Edgard Moraes e Orquestra.

A citada festa no Clube Líbano, que lotou de foliões animados pela presença da Velha Guarda da Mangueira, marcou também o lançamento do projeto Na Roda de Samba, contando ainda com apresentações do grupo Mesa de Samba Autoral e da Escola de Samba Deixa Falar, atual campeã do carnaval de Recife.

Uma delegação de representantes de três escolas de samba do Recife - Deixa Falar, Galeria do Ritmo e Gigantes do Samba -, esteve no Rio no final de setembro, conhecendo barracão e quadra da Mangueira e participando de oficina de intercâmbio, conhecendo aspectos como segurança dos desfiles, esculturas, montagem de fantasias, criatividade, captação de recursos e estabelecimento de parcerias.

Coincidindo com este intercâmbio, aconteceu o desfile dos protótipos das fantasias que a Mangueira vai usar no desfile "100 anos do Frevo, é de perder o sapato. Recife mandou me chamar...". Quem acompanhou o desfile, realizado a 27 de setembro no barracão da Mangueira na Cidade do Samba, apontou o luxo como o elemento predominante no conjunto das fantasias criadas pelo carnavalesco Max Lopes.

E agora na quarta, 10, o dançarino Carlinhos de Jesus, esteve em Pernambuco para pesquisar o frevo e se inspirar para criar a coreografia da comissão de frente da Mangueira. Ele visitou a Escola de Frevo do Recife e o Balé Popular, além de ver exposições sobre o tema e conversar com especialistas.

(F.G.)

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Fim do Radioteatro

Caros amigos, colegas e colaboradores,

É com tristeza que comunico o fim do programa Radioteatro que costumava ir ao ar pela Rádio FM Cultura (Porto Alegre). Soube hoje, quinta-feira, pelo operador da rádio que o programa havia "caído" da grade e que já no sábado próximo não vai ao ar, o que não me deixa sequer a oportunidade de avisar aos ouvintes dignamente.

O Radioteatro esteve no ar durante 9 anos e mesmo com formatos variados sempre primou pela valorização de um rádio expressivo, por um espaço para a voz, a palavra e os atores. Escritores, atores, diretores sempre foram protagonistas da arte radiofônica neste programa.

Mas isto ainda não é tudo. Acredito que a eliminação do Radioteatro, junto com outros programas, faz parte de alguma coisa maior que acabará por minar o projeto de emissora pública, independente e de qualidade que sempre norteou a FM Cultura.

No período em que ali estive pude comprovar a determinação, coragem e dedicação de seus funcionários ultrapassando obstáculos de toda a ordem.

Creio que é hora de apoiar a Rádio FM Cultura antes que ela se torne nada além de um MP3 Player.

Aproveito para agradecer aqui aos parceiros que sempre tive nesta emissora em especial, Luiz Henrique Fontoura, Luis Dill, Marco Aurélio Pacheco, Elton Noal, Marinês e Denize. E também aos diretores com quem pude trabalhar em especial, Flávio Dutra, Pedro Macedo, Valci Zucolotto e Rodolfo Rospide Junior.

Por fim, as palavras de Gaston Bachelard: "O rádio está verdadeiramente de posse de extraordinários sonhos acordados". Os meus permanecem vivos.

Beijo e obrigada,

Mirna Spritzer

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Recife debate Iemanjá

153 pessoas, representando terreiros e grupos de raízes afro-brasileiras de Pernambuco, reverenciaram Iemanjá e refletiram sobre questões ligadas ao mito da rainha das águas no Recife Praia Hotel, no bairro do Pina, na capital pernambucana, nos dias 31 de agosto e 1 de setembro.

A abertura oficial aconteceu na sexta, 31, com uma cerimônia religiosa (Oriki de Exu a Iemanjá) com a presença da convidada Mãe Tânia de Iemanjá, do Rio de Janeiro. Seguiu-se a saudação dos representantes da prefeitura e da coordenação do projeto: o diretor do Grupo de Ativação Cultural (GRAC), Marcos Pereira; o assessor-executivo da Secretaria de Direitos Humanos, Luiz Roberto Silva; a coordenadora do Núcleo de Cultura Afro-Brasileira e o assessor da Secretaria de Cultura, Claudilene Silva e Lindivaldo Júnior, respectivamente. Na seqüência, uma cerimônia em honra a Xangô, Iansã e Oxalá, seguida de coquetel.

No sábado, o professor Fábio Lima, do Centro de Estudos Afro Orientais da UFBA (CEAO) palestrou sobre os mitos de Iemanjá na Diáspora Africana; o babalorixá Manuel Papai, do Sítio do Pai Adão (Recife) abordou a presença de Iemanjá na capital pernambucana; e a ialorixá Jaciara de Oxum, de Salvador, discorreu sobre os espaços sagrados e o meio ambiente.

Fábio Lima alertou para a necessidade de respeitar as diferenças das diversas culturas:

- Vivemos sob a égide de uma cultura branca, racista, homofóbica e secular. Só construiremos cidadania quando atentarmos para a alteridade. Entender que outras culturas formaram esse país

Opinião parecida com a de Mãe Lúcia de Oyá, do terreiro Ilé Axé Oyá Togum, comunidade nagô de Paulista (PE):

- A religiosidade afro sempre foi altamente discriminada. É hora de falar sobre a grandiosidade de nossa religião, que é riquíssima, de respeito total a natureza. Nossa resistência passou por décadas e décadas e vai continuar, porque é a resistência da oralidade.

(F.G.)

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Amir Domingues (1928 - 2007)

Faleceu na segunda, 10, o radialista gaúcho Amir Domingues, um dos poucos funcionários que atuaram na Rádio Guaíba AM de Porto Alegre desde a fundação da emissora, há 50 anos. Ao longo da semana, ele foi lembrado com saudade por amigos e colegas devido a sua atuação à frente do programa Agora (que apresentou de 1976 a 2006), de entrevistas sobre política, e também pelo período em que integrou o Departamento de Esportes. Quero deixar registrada a lembrança da ligação de Amir com a música carnavalesca.

Na segunda metade dos anos 1980, a Guaíba suspendia sua programação durante o Carnaval. A emissora praticamente virava um "vitrolão" dos grandes sucessos dos carnavais do passado, com destaque para o repertório carioca - sambas e marchas - de sucesso entre as décadas de 1930 a 1960. Até discos inteiros eram tocados sem interrupção (um deles: o LP Telecoteco Opus nº 1, gravado ao vivo por Ciro Monteiro e Dilermando Pinheiro em 1966). O único espaço com apresentador nesses dias era o quadro "Memória do Carnaval", que Amir fazia ao lado de Fernando Veroneze, o programador musical das Guaíbas (a AM e a FM). Ali, os dois exibiam um conhecimento invejável sobre cantores e compositores que animaram a folia do passado. O curioso é que o diálogo de Amir e Veroneze já antecipava o formato "talk and news" consagrado no rádio jornalístico atual.

O quadro tinha várias inserções ao longo de cada dia, sendo possível ao ouvinte acompanhar a evolução do carnaval a partir dos anos 20. Aparentemente, Amir e Veroneze gravaram uma longa conversa numa vez só (já prevendo, claro, o espaço para as inserções das músicas) e a dividiram em diversas partes. Estas gravações eram repetidas a cada ano. Considero esta idéia simples, aliando informação e divertimento, um marco em minha formação de ouvinte e, certamente, uma das influências do Brasileirinho. Valeu, Amir!

(F.G.)

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Forró do Arlindo reinaugurado

O Espaço Cultural Forró Arlindo dos 8 Baixos, no bairro de Dois Unidos, Recife, foi reinaugurado na quinta, 11. Toda a área de exposição do local, onde ficam os troféus, os discos de ouro e os presentes que o sanfoneiro ganhou ao longo da carreira, foi reestruturada; além disso, o local passou por ampla reforma, com pintura, ampliação da área coberta, reforma do piso do salão e do palco, melhoria na fachada, requalificação dos banheiros, ambientação do espaço receptivo, sinalização de acesso, pintura das 12 barracas e colocação dos nomes de sanfoneiros nas suas fachadas.

A obra foi realizada pela prefeitura dentro do projeto Turismo na Comunidade, que visa estruturar locais com grande potencial turístico e valor cultural.

(F.G.)

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