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Mistura e Manda

Nº 171 - 27/10/2007

Grêmio Recreativo Estudo do Samba Bernardo Alves

Bernardo Alves, o autor do livro A Pré-História do Samba, recebeu uma justa homenagem em sua terra natal. O Grêmio Recreativo Estudo do Samba Bernardo Alves foi fundado por sambistas de Recife para valorização do samba de raiz.

Seus integrantes realizam mensalmente o projeto Na Roda de Samba, para promover intercâmbio entre sambistas pernambucanos e cariocas, revelar novos talentos e alertar o poder público para a situação das escolas de samba de Recife. Como já falamos no Mistura e Manda nº 170, o lançamento do projeto aconteceu em 1º de setembro no Clube Líbano, com a presença da Velha Guarda da Mangueira. Neste mês, Recife recebeu a visita de Almir Guinéto e Velha Guarda do Salgueiro. A próxima edição está confirmada para 10 de novembro, com a Velha Guarda Musical de Vila Isabel.

(Fabio Gomes)

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Altos e baixos no especial da Globo sobre Nara Leão

O especial Por Toda a Minha Vida - Nara Leão, escrito por Patrícia Andrade, dirigido por João Jardim, apresentado por Fernanda Lima e exibido pela TV Globo na sexta, 26, surpreendeu, teve seus méritos, mas também escorregou em alguns pontos.

As surpresas começaram já pelas atrizes que interpretaram Nara nos trechos encenados. Inêz Viegas decepcionou: sua voz era muito mais grave do que a de Nara, fisicamente ela não lembra a cantora e não foi convincente como atriz. Já Pérola Faria, que fez a Nara adolescente, esteve ótima. Além de ter ficado mesmo muito parecida com a cantora, ela soube valorizar em especial, aquele que considero o grande momento do programa: a reconstituição da primeira vez que Nara cantou em público. Colocou-se o áudio original do show de 1959, isso foi informado ao telespectador, e a sincronia da voz de Nara com a interpretação de Pérola foi primorosa. Somado a isso, após os primeiros segundos um pouco hesitantes, a Nara real mostrava mesmo que já era uma grande cantora nessa sua versão de "Se é Tarde me Perdoa" (Carlos Lyra - Ronaldo Bôscoli). Pérola Faria poderia muito bem, daqui a alguns anos, viver Nara no cinema.

Outra reconstituição interessante foi a do programa Pra Ver a Banda Passar, que Nara e Chico Buarque (interpretado por André Engracia) apresentaram na TV Record logo após a vitória de "A Banda" no Festival da Música Popular Brasileira de 1966. O Pra Ver a Banda Passar durou poucas semanas, porque, sendo os dois muito tímidos, não tinham realmente o perfil para segurar o programa, volta e meia ficando vários minutos em silêncio (isso no ar ao vivo!).

Um pecado técnico do programa apareceu nos depoimentos. Quando, por exemplo, Chico contou como escreveu "Com Açúcar, com Afeto", por encomenda de Nara, houve cortes entre um e outro trecho de sua fala. Isso faz com que a imagem dê "pulos" na tela - um amadorismo que não combina com o "padrão Globo de qualidade".

(F.G.)

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Cesar Faria (1919 - 2007)

Quando Benedicto Cesar Ramos de Faria começou a estudar violão, aos 17 anos, entrando pouco depois para o regional de Jacob do Bandolim, já havia um Benedito famoso no choro - o Lacerda - o que o levou a destacar o nome do meio. Do mesmo, quando seu filho Paulo César começou a ser notado no Zicartola, lá por 1964, o melhor a fazer era enfatizar o primeiro nome, no apelido-nome-artístico Paulinho da Viola. Afinal, aos 45 anos, o violonista já era o César do choro e do samba; na época, foi convidado para integrar o Conjunto Época de Ouro, formado por Jacob, que pretendia voltar a ter um grupo próprio, e não mais gravar com o Regional do Canhoto. Com a morte de Jacob, em 1969, César passou a ser o líder do Época de Ouro, até falecer no domingo, 21.

A trajetória de César esteve sempre ligada à de seu compadre Jacob. Mesmo quando chegou a ter um regional próprio, o César Faria e Seu Conjunto, entre 1947 a 1951, acompanhava o mestre do bandolim na Rádio Mauá e nas gravações da Continental. Além de César, atuavam no grupo Fernando Ribeiro (violão), Pingüim (cavaquinho) e Luna (pandeiro). Em algumas gravações de 1950, como "Pé-de-moleque" e "Numa seresta", César formou um trio de cordas com Jessé e Canhoto.

Já a partir de 1961, Jacob começou a reunir o grupo que viria a formar o Época de Ouro, com craques do porte de Dino Sete Cordas, César Faria e Carlos Leite (violões), Jonas da Silva (cavaquinho), Gilberto d'Ávila (pandeiro) e Jorginho (ritmo). O grupo chegou a suspender as atividades quando Jacob morreu, voltando com força total a partir de 1973. Nesse ano, a convite de Paulinho da Viola, participando do show Sarau, no Teatro da Lagoa. Nesse show, Paulinho e Sérgio Cabral tiveram a idéia de criar no Rio de Janerio um Clube do Choro, primeiro de tantos que depois seriam criados no país.

Entre os discos lançados pelo Época, destacam-se Época de Ouro interpreta Pixinguinha e Benedito Lacerda (1977), Dino 50 Anos (1987) e Café Brasil (2001).

Agradecemos a Egeu Laus, do Instituto Jacob do Bandolim, o envio das informações que permitiram a redação desta nota.

(F.G.)

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Livro analisa carnaval paulistano

O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará Christian Dennys Monteiro de Oliveira, ligado ao Laboratório de Estudos Geoeducacionais, informa o lançamento de seu livro Geografia do Turismo na Cultura Carnavalesca, em que situa em 1968 a adoção do carnaval carioca como padrão a ser buscado pelas escolas de samba de São Paulo. Além do estilo de desfile, Oliveira observa as motivações políticas e simbólicas que levaram à construção do Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo, o Sambódromo do Anhembi.

Abordando origem, significado, ocupação e desafios desse palco, o autor aponta também o que define como "carência de um projeto político e cultural para potencializar seu uso no mundo do samba, o que se revelou claramente na organização do Carnaval de 2004, em homenagem aos 450 anos da cidade de São Paulo." A partir disso, Oliveira propõe a discussão de novas estratégias de apropriação desse espaço simbólico por parte do mundo do samba e das possibilidades de investimento educativo no turismo cultural.

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Pierrô de São José destaca o frevo de bloco

Frevo não é só música de carnaval, nem precisa ter só instrumento de sopro no acompanhamento. Provou isso o Bloco Pierrô de São José ao utilizar violões, percussão e instrumentos de sopro para embalar as evoluções das passistas ao se apresentar no Cais da Alfândega (Recife), no fim da tarde da segunda, 22. O evento integrou o projeto semanal Alfândega de Blocos Líricos.

(F.G.)

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