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Mistura e Manda

Nº 172 - 6/11/2007

Cia. Dançando para Não Dançar faz sucesso na Bahia

A Cia. Dançando para não Dançar, do Rio de Janeiro, recebeu o aplauso caloroso do povo baiano nas duas apresentações que realizou na Boa Terra do espetáculo em que se destacava Gabriela: Ritmos Amados (adaptação para o balé do romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado), ao lado de trechos dos balés clássicos Coppelia, Paquita, O Lago dos Cisnes, Militons e Quebra-Nozes. A primeira apresentação lotou o Teatro Dona Canô, em Santo Amaro, no sábado, 27; a própria Dona Canô, a quem o espetáculo foi dedicado, esteve presente, fazendo questão de cumprimentar pessoalmente cada um dos 25 bailarinos, que faziam reverências a ela, retribuídas com sua bênção. No dia seguinte, a Cia. dançou em palco montado junto ao Farol da Barra, em Salvador. Nem o calor escaldante do domingo impediu que o público, estimado em mais de 400 pessoas, acompanhasse o espetáculo. A divulgação da mini-temporada na Bahia teve o apoio da Assessoria de Imprensa Brasileirinho.

A música de Gabriela: Ritmos Amados foi escrita pelo pianista, maestro e arranjador carioca Leandro Braga, inspirado no romance de Jorge Amado lançado em 1958 e já adaptado anteriormente para o cinema e a TV. Braga compôs um total de 20 músicas, que vão da peça sinfônica de moldes eruditos a ritmos brasileiros tradicionais, entre eles o samba-de-roda e o xote, contando ainda com toques modernos, como o hip-hop que encerra o espetáculo completo. A coreografia criada a partir da música resultou num balé que funde ritmos e linguagens coreográficas clássicas, contemporâneas e populares, explorando a brasilidade na construção dos movimentos. A Companhia optou por tornar a história mais leve, para adequá-la à platéia infantil.

A Cia. Dançando para não Dançar é fruto do projeto de mesmo nome criado em 1995 e coordenado por Thereza Aguilar. Suas ações se apóiam na idéia de usar o balé clássico como instrumento de inclusão social e de cidadania para jovens de comunidades populares do Rio de Janeiro, contribuindo para combater a exclusão social e diminuir a vulnerabilidade sócio-econômica. Atualmente fazem parte da companhia 500 crianças e jovens, com idades entre e 7 a 19 anos, dos morros da Rocinha, Mangueira, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Chapéu Mangueira, Babilônia, Macacos, Tuíuti, Jacarezinho, Salgueiro, Dona Marta e Oswaldo Cruz. Em breve, serão atendidos também mais 30 jovens do morro do Borel. Além das aulas de dança, o projeto inclui aulas de informática e reforço escolar; assistência médica e ortodôntica e acompanhamento com assistente social, psicólogo e fonoaudióloga, inclusive para os familiares.

As apresentações na Bahia integram turnê nacional que a Dançando para não Dançar realiza a partir da profissionalização que foi possível graças ao patrocínio do Programa Petrobras Cultural. A turnê, com 15 espetáculos no total, iniciou em Brasília, com dois espetáculos no Teatro Nacional nos dias 7 e 8 de julho. No estado do Rio de Janeiro, a companhia já passou por Teresópolis, Niterói, Rio das Ostras e Macaé, além da capital, e deverá realizar espetáculo ainda em Parati. Depois da temporada na Bahia, a Dançando para não Dançar se apresenta também em São Paulo e outras cidades, encerrando a turnê em dezembro, no Teatro João Caetano, no Rio, reunindo os alunos do projeto. Antes de se profissionalizar, o grupo vinha participando como convidado de diversos espetáculos desde 2004, em praças, feiras, parques, escolas, universidades, teatros e presídios. Apenas no ano passado, foram 20 espetáculos, reunindo um público total de mais de 11 mil pessoas.

(Fabio Gomes)

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Max Sette lança webdisc

O cantor e trompetista Max Sette, integrante da Orquestra Imperial, parceiro de Wilson das Neves e de Nelson Jacobina, entre outros, aderiu de forma pioneira à revolução da indústria musical no Brasil. O músico disponibilizou seu primeiro trabalho solo inteiramente na internet, com capa, letras e ficha técnica, sem cobrar absolutamente nada pelas músicas. Max acredita que a net é um dos principais veículos de divulgação hoje, e que a tendência dos músicos é sobreviver mais dos shows do que da própria venda de CDs. O cantor espera que os fãs prestigiem o show de Parábolas ao vento dia 8 de novembro, quinta-feira, no Cinemathèque Jam Club, em Botafogo.

Quem quiser ouvir o som moldado na Lapa e essencialmente carioca do cantor, é só acessar www.maxsette.com.br e baixar de graça o webdisc, que foi projetado especialmente pra I-pods e MP3 players. A expectativa do autor aumenta a cada dia, assim como o número de acessos. A faixa "Gomalina", do próprio Max, já tem hoje cerca de 20 mil acessos. O site também abriga agenda de shows, blog e contatos.

- Por motivos de força divina disponibilizo meu álbum, CD, MP3, disco, ou sei lá que mídia é essa, enfim meu trabalho... Parábolas ao vento, na net. Os novos tempos estão aí, não acho justo vender CD a essa altura do campeonato. Baixem e sejam felizes! - provoca o autor.

Neste trabalho, Max divide espaço com parceiros e mestres. A faixa-título, composta por Jorge Mautner e Nelson Jacobina para o cantor, tem a participação dos autores e, Nelson Jacobina nas guitarras. O músico toca em várias outras músicas do disco e também assina "Divina 24" com Max Sette. "Subindo ao planeta" é uma parceria de Max com Bidú Cordeiro (voz e trombone), faixa que traz ainda Kassin no baixo e Stephane San Juan (Mpc 2000).

Além de "Gomalina", que abre o webdisc, foram compostas pelo próprio Max: "Fazer neném", "Siquizé de volta tem" e "Vacilow", entre outras. No disco há ainda "Panorama ecológico", de Roberto e Erasmo Carlos, em homenagem à dupla. Parábolas ao Vento foi gravado entre 2003 e 2004, com produção artística de Max Sette e de Rubinho Jacobina.

(Adriana Sanglard)

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Memória inacessível

A Collector's Studios tem feito realmente um trabalho digno de méritos na recuperação da memória do rádio brasileiro, principalmente programas das décadas de 1940 e 50. No domingo, 4, recebemos da empresa a divulgação de um novo lançamento, a Série Depoimentos. Os depoimentos em questão foram prestados a Lourival Marques em 1976, por ocasião dos 40 anos da Rádio Nacional, por figuras que ajudaram a escrever a história da emissora. Gente do porte de Amaral Gurgel, Brandão Filho, César de Alencar, Floriano Faissal, Giuseppe Ghiaroni, Haroldo Barbosa, Jorge Fernandes, Jorge Veiga, José Mauro, Luciano Perrone, Manoel Barcelos, Paulo Tapajós, Radamés Gnattali, Saint Clair Lopes e Silvino Neto, entre outros. Enfim, um trabalho digno de aplausos.

Porém, a possibilidade real de você vir a aplaudir é muito pequena. As 21 entrevistas, que somam mais de 30 horas de áudio, são comercializadas num CD de MP3, que custa R$ 1.400, fora os custos de envio pelo Correio. São mais de 3 salários mínimos!!!

(F.G.)

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Alceu Valença ganha medalha do Mérito Cultural de Pernambuco

Alceu Valença recebeu a medalha classe ouro do Mérito Cultural de Pernambuco no plenário da Assembléia Legislativa (Recife), na segunda, 5. Artistas, intelectuais, políticos e personalidades ligadas à cultura pernambucana estiveram presentes à cerimônia, que iniciou com frevos interpretados por Lourdinha Nóbrega e Orquestra (grupo composto por mulheres) e o Bloco das Flores.

Alceu declarou que sempre acreditou na cultura pernambucana e teve como referência "os costumes e a nossa musicalidade. Recebendo essa medalha eu me sinto mais pernambucano, na medida que é um reconhecimento pelo meu trabalho". Seu discurso de agradecimento incluiu trechos de músicas, em que teve o acompanhamento do maestro Spok (saxofone), Cláudio Almeida (violão), Beto Ortiz (acordeon) e Marcos César (bandolim). Em seguida, o quarteto acompanhou outros artistas que cantaram em homenagem a Alceu.

(F.G.)

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