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Mistura e Manda

Nº 173 - 11/11/2007

Ordem do Mérito Cultural 2007

A elevação do centenário arquiteto Oscar Niemeyer à classe Grã-Cruz foi um dos destaques da entrega da Ordem do Mérito Cultural, ocorrida no Palácio das Artes (Belo Horizonte), na quarta, 7, em cerimônia que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Alguns homenageados receberam a distinção in memoriam, por já não estarem entre nós. São eles: Cartola, Dodô e Osmar, Glauber Rocha, Grande Otelo, Hélio Oiticica, Hermilo Borba Filho, Lina Bo Bardi, Luiz Gonzaga, Orides Fontela, Solano Trindade, Tom Jobim e Walter Smetak.

Já os outros agraciados receberam, como recomendavam Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, as flores em vida. Falamos de Abdias Nascimento, Álvaro Siza Vieira, Bárbara Heliodora, Cacique Raoni, Céline Imbert, Cildo Meireles, Claude Lévi-Strauss, Jean-Claude Bernardet, Jorge Ben Jor, Judith Malina, Kanuá Kamayurá, Lia Robatto, Luís Otávio Souza Santos, Luiz Mott, Moniz Bandeira, Marcello Grassmann, Oscar Niemeyer, Ronaldo Fraga, Selma do Coco, Sérgio Britto, Tônia Carrero, Tostão e Vânia Toledo.

A Ordem é entregue também a grupos, entidades ou projetos coletivos. Nesta categoria, condecorou-se o trabalho da Associação Cultural Cachuera!, a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, o lube do Choro de Brasília, a Escola de Circo Picolino, o Grupo Nós do Morro, o Museu Paraense Emílio Goeldi e o programa Castelo RÁ-TIM-BUM.

Você pode conhecer melhor essas iniciativas coletivas no informe do MinC que reproduzimos abaixo.

(Fabio Gomes)

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Iniciativas homenageadas na Ordem do Mérito Cultural 2007

Uma associação cultural, uma orquestra de pífanos, um clube musical, uma escola circense, um grupo de teatro, um museu e um programa televisivo infantil são as iniciativas homenageadas com a Ordem do Mérito Cultural 2007.

Sediada na cidade de São Paulo, a Associação Cultural Cachuera! atua na área de preservação e difusão do patrimônio imaterial brasileiro, principalmente em relação às manifestações da música, dança e teatro popular. Seus projetos promovem a salvaguarda de importante acervo e a divulgação dos conteúdos, por meio de apresentações, exposições, produção de CDs, vídeos, livros e DVDs, além de oficinas com artistas populares. Saiba mais sobre a instituição no site www.cachuera.org.br.

A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto é um grupo folclórico e musical da cidade do Crato, no interior do Ceará. O grupo foi fundado no século 19 por José Lourenço da Silva, mais conhecido como Aniceto. São os seus descendentes que mantém a banda na ativa até hoje. O repertório é dos mais variados; música antiga, regional, religiosa, carnavalesca e, claro, o baião, fazem parte dos estilos presentes no dia-a-dia do grupo.

A revitalização, atualização e divulgação da obra de grandes compositores brasileiros como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldyr Azevedo, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Garoto, Ary Barroso e Villa-Lobos tem sido uma das missões do Clube do Choro de Brasília. Com mais de 1.200 espetáculos realizados - reunindo um público aproximado de 300 mil espectadores - o Clube é hoje uma referêrncia nacional no que diz respeito a apresentação de um repertório de qualidade. Saiba mais sobre a instituição no site www.clubedochoro.com.br .

Criado em 1986, o Grupo Nós do Morro, além de se dedicar ao teatro, realiza trabalhos voltados para o audiovisual. Possibilitar um aprendizado às pessoas que não podem pagar cursos é uma de suas várias iniciativas. Nelas sempre está presente a intenção de estimular a comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro, e aumentar a auto-estima de quem participa das ações. Saiba mais sobre a instituição no site www.nosdomorro.com.br.

Localizado na cidade de Belém, o Museu Paraense Emílio Goeldi é uma instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil. Desde sua fundação, em 1866, suas atividades concentram-se no estudo científico dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia, bem como na divulgação de conhecimentos e acervos relacionados à região. Saiba mais sobre a instituição no site www.museu-goeldi.br.

Fundada em Salvador há mais de 20 anos, a Escola de Circo Picolino oferece cursos de formação em artes circenses a crianças e adolescentes de 7 a 17 anos. Seu trabalho é voltado para a arte-educação, cultura popular, informação e cidadania. Ao final dos cursos, a Escola promove apresentações públicas que encantam crianças e adultos apreciadores da magia do circo.

Inteligente e divertido, o Castelo Rá-Tim-Bum é um programa televisivo voltado para o público infanto-juvenil que foi produzido pela TV Cultura de São Paulo entre 1994 e 1997. Noções de disciplinas escolares e outros assuntos relevantes são tratados pelo elenco de forma a ampliar o conhecimento da criança, despertando o seu interesse para as áreas fundamentais ao seu desenvolvimento. Devido ao sucesso alcançado, o programa é reprisado até hoje e gerou o longa-metragem homônimo, lançado em 1999.

(Assessoria do Ministério da Cultura)

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Porto Alegre & Vinicius de Moraes

Na sexta, 9, participei da Sexta-feira Cultural do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre, que homenageava Vinicius de Moraes. Foi muito agradável poder debater com a psicanalista Rosane Marocco (que conheceu pessoalmente o poeta, com quem por diversas vezes dividiu a mesa do lendário bar carioca Antonio's), diante de uma platéia que demonstrou, com o grau de atenção que nos dedicou, o quanto apreciou o que falamos.

Eu gosto de, em ocasiões assim, levar para o público um fato novo, ou ao menos um ângulo novo de visão sobre fatos já conhecidos relacionados com o homenageado. Isso parecia quase impossível em se tratando de Vinicius, mas posso dizer que consegui.

Em uma palestra que fiz sobre Vinicius há alguns anos, situei o início da transformação de Vinicius na viagem que ele fez com o escritor americano Waldo Franck em 1942. Percorrendo o Nordeste, conhecendo, além das lindas praias do litoral, a seca e a miséria do sertão, Vinicius começa a deixar de lado não só suas antigas posições políticas (diria depois que saíra do Rio um direitista e voltara esquerdista). Progressivamente vai se desfazendo do formalismo herdado da formação ultraconservadora e reforçado pelos circuitos sociais que freqüentava em função de suas principais atividades (a poesia e a carreira diplomática), tornando-se uma pessoa cada vez mais avessa às convenções, buscando viver com mais liberdade (o que foi decisivo para que ele encarasse com naturalidade tornar-se um letrista e depois um cantor popular, o que chocou seus antigos amigos).

Pois bem: a novidade é que Vinicius poderia não ter feito essa viagem com Franck, caso tivesse atendido um convite de Erico Verissimo para mudar-se para Porto Alegre e trabalhar na Editora Globo. Ruy Castro, ao organizar o livro Querido Poeta, que reúne a correspondência de Vinicius, estabeleceu "agosto ou setembro de 1942" como data provável da carta a Erico em que Vinicius lamenta não poder atender o convite, pois em breve sua esposa, Tati, daria à luz seu filho Pedro; além disso, preparava-se para ser promovido a cônsul, definindo-se como "presíssimo ao Rio, posto que temporariamente". A viagem pelo Nordeste não chegava a ser uma ruptura como seria a vinda para o Sul, pois era considerada "a serviço". Franck, que já estivera com Vinicius no Rio, solicitou ao ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha, que o poeta fosse seu cicerone na viagem que planejara, e houve a concordância oficial.

Obviamente, é difícil imaginar se a mudança interna de Vinicius deixaria de acontecer caso ele tivesse vindo para Porto Alegre e não para o Nordeste em 1942. Considero que o mais provável é que ela poderia demorar mais, mas encontraria outro momento para aflorar.

(F.G.)

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Porto Alegre & Carmen Miranda

Uma das revelações do livro Flores da Cunha de Corpo Inteiro (RBS Publicações), recém-lançado pelo jornalista Lauro Schirmer, é a de que o ex-governador gaúcho teria tido um romance com Carmen Miranda. A informação, de certo modo, surpreende, pois não há nenhuma menção a Flores nas 597 páginas de Carmen - Uma Biografia, lançado por Ruy Castro em 2005 (Cia. das Letras).

A única relação conhecida entre os dois até aqui era contratual: Carmen veio a Porto Alegre com Mário Reis, para cantar na inauguração da Rádio Farroupilha, em 24 de julho de 1935 (fato que já comentamos no Mistura e Manda nº 49). A emissora, criada pelo governador, tinha oficialmente como diretores seus filhos, Luiz e Antônio Flores da Cunha. A família manteve a propriedade da rádio até 1943, quando Assis Chateubriand a comprou para incorporá-la aos Diários e Emissoras Associados.

A ser real, o romance entre os dois ajudaria a entender a permanência relativamente longa de Carmen nessa passagem pela capital gaúcha. Ela estivera aqui em junho, numa passagem rápida, cantando na Rádio Gaúcha ao retornar de shows em Buenos Aires. Já para a temporada inaugural da Farroupilha, ela chegou com Mário Reis a 23 de julho num avião fretado expressamente para trazê-los (algo raro na época) e só retornou ao Rio em 1 de agosto, um dia após o show no Cine Imperial. Na despedida, Carmen deixou a promessa de voltar em setembro para participar das comemorações do Centenário da Revolução Farroupilha, o que não parece ter acontecido - aliás, até onde sei, a Pequena Notável jamais retornou ao Rio Grande do Sul.

(F.G.)

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