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Nº 174 - 23/12/2007

Projeto Brasileirinho recebe Prêmio Cultura Viva 2007

O Projeto Brasileirinho - Os Tons da Aquarela Cultural de Nosso País, uma iniciativa da professora Vânia Corrêa Pinto desenvolvida desde 2005 no Colégio Estadual Vicente Jannuzzi (Rio de Janeiro), foi anunciado na terça, 18, como o terceiro melhor projeto inscrito na categoria Escola Pública de Ensino Médio na 2ª edição do Prêmio Cultura Viva - Educação e Cultura. Na cerimônia, realizada no Museu do Conjunto Cultural da República (Brasília) e que contou com a presença do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, Vânia recebeu o Selo Prêmio Cultura Viva e um troféu das mãos do presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli. Os R$ 10 mil a que o projeto fez jus por obter a terceira colocação serão entregues em data ainda a ser definida.

Temos muito orgulho pelo sucesso alcançado pelo projeto, ao qual em boa hora oferecemos um espaço em nosso site (www.brasileirinho.mus.br/projeto-brasileirinho/menu.htm) para que divulgasse os trabalhos produzidos pelos alunos. Mais uma vez nossos parabéns à professora, à direção da escola e a todos os alunos que participaram nas diversas etapas do projeto ao longo desses três anos.

A relação completa dos vencedores do Cultura Viva está disponível no site Jornalismo Cultural - por sinal, um dos primeiros sites do Brasil a divulgar o resultado completo do Prêmio, na tarde da sexta, 21.

(Fabio Gomes)

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Chame-Chame estréia no Carnaval de BH

O diretor de bateria Mestre Affonso, colaborador do Brasileirinho, não tem mais idéia de quando passará a ser apenas um espectador do Carnaval. Ele chegou a imaginar que seria já em 2008 - isso até receber o convite para ser o carnavalesco da mais nova entidade a desfilar no carnaval de Belo Horizonte, o G.R.E.S. Chame-Chame.

Bastou uma visita à comunidade do bairro Salgado Filho (onde, como afirma, encontrou "Uma quadra linda, comunidade pulsando, trabalhos sócio-culturais em pleno andamento. Era tudo que sonhei durante toda a minha vida de sambista.") para Affonso resolver topar o desafio e ir para a avenida disputando o título pela 48ª vez consecutiva. Ele é inclusive um dos autores - junto com Fabinho do Terreiro, Rosalvo Braga, Patrício Thomé e Jussara Leão - do samba deste ano, "Eu Amo BH", cujo refrão diz: "Ô ô ô, ô ô ô/ É BH, uai sô/ E se quiser chame, chame/ De bela Belô".

A Mestre Affonso, à escola e à comunidade, nossos votos de uma excelente estréia no carnaval da capital mineira!

(F.G.)

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Samba indígena em debate

Uma das novidades da programação do Dia do Samba este ano em Salvador foi o ciclo de debates Samba: Tradição e Modernidade, realizado pela TV UFBA no Palácio Rio Branco, centro histórico da capital baiana. O evento foi resultado de uma parceria entre o sambista Edil Pacheco, que promove a festa desde 1972, com a emissora, ligada à Universidade Federal da Bahia.

Participei da abertura do ciclo, na terça, 27 de novembro, em que o tema em debate era O Samba Indígena. Em linhas gerais, minha fala reproduziu o que eu já havia dito em Santo Amaro (BA) em setembro, no seminário Os Sambas Brasileiros, atualizando alguns dados e acrescentando informações novas - como a notícia de que, em dezembro de 2006, os índios Kapinawá, da cidade de Buíque (PE) lançaram um CD com 24 sambas de coco, produzido pelo pelo Centro de Cultura Luiz Freire, de Olinda.

A novidade mesmo foi a possibilidade de debater o tema, o que não chegou a acontecer em Santo Amaro. Tive o privilégio de dividir a mesa com o sambista Luiz Carlos da Vila e o professor Milton Moura, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. Milton lamentou que não haja a menor possibildade de sabermos ao certo como eram as músicas cantadas e tocadas até o surgimento das gravações sonoras; mesmo descrições detalhadas como as de Manuel Antônio de Almeida no romance Memórias de um Sargento de Milícias não preenchem essa lacuna.

Sobre minha hipótese de que o maior contato entre o índio e o negro (e, portanto, o ambiente mais propício a trocas culturais mútuas) tenha se dado nos quilombos, principalmente em Palmares, Luiz Carlos comentou que teve notícia dessa convivência quando elaborava o samba-enredo "Kizomba, Festa da Raça" (em parceria com Rodolpho e Jonas), com o qual a Vila Isabel foi campeã do Carnaval do Centenário da Abolição (1988). Informou também que, de certo modo, intuíra essa troca cultural dois anos antes ao compor o samba "Nas Veias do Brasil", gravado por Beth Carvalho: "Os negros/ Trazidos lá do além-mar/ Vieram para espalhar/ Suas coisas transcendentais/ Respeito ao céu, à terra e ao mar/ Ao índio veio juntar/ O amor à liberdade...".

(F.G.)

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Carlinhos de Jesus ensina o Recife a sambar

A pista de patinação do Parque da Jaqueira (zona norte do Recife) se transformou, na noite de 28 de novembro, em um grande sambão verde e rosa. O coreógrafo e dançarino carioca Carlinhos de Jesus ensinou os primeiros passos do ritmo para ninguém passar vergonha no desfile da Escola Estação Primeira da Mangueira, que em 2008 vai homenagear o Centenário do Frevo. O aulão, gratuito e aberto ao público, foi promovido pela Prefeitura do Recife e faz parte das comemorações do Projeto 100 Anos do Frevo, que se encerra dia 9 de fevereiro do próximo ano.

A aula começou por volta das 19h e lotou a pista de patinação. O público acompanhava todos os passos do coreógrafo, que disse ensinar o frevsamba (mistura de frevo com samba). Carlinhos deu dicas de como desfilar na avenida sem fazer feio e explicou o que era marcação, evolução, setores e ala. Para o coreógrafo da Mangueira, o apoio da Prefeitura do Recife é muito importante. “As pessoas daqui cultuam o frevo, que é a sua cultura. E o prefeito João Paulo está desenvolvendo e valorizando isso na cidade. Os recifenses podem esperar que terão uma surpresa que jamais a escola fez na sua história. É uma retribuição minha ao Recife”, disse Carlinhos, que esteve pela primeira vez na cidade em 1989 em turnê junina com Elba Ramalho. “Essa foi a primeira cidade que conheci no Brasil, saindo do eixo Rio-São Paulo e aqui sempre fui bem recebido. As pessoas são muito calorosas”, contou.

Foram quase duas horas de muito samba, com pausa para o passo-a-passo. “É mais fácil dançar samba do que frevo. Os recifenses não têm dificuldade porque quem dança frevo, dança qualquer coisa”, disse o coreógrafo. Ele ainda sugeriu, para o folião que for curtir o Carnaval no Recife ou no Rio de Janeiro, que beba muita água, se alimente bem e “freve um pouco antes de sair de casa”.

O suor era a prova de quem tentava acompanhar o bailarino. Uma dessas pessoas era a publicitária Carol Paes Barreto, 29 anos. “Mudei o horário da minha caminhada para aprender com Carlinhos de Jesus. Adoro samba”, afirmou. A fonoaudióloga Bruna Resende, 30 anos, disse que a iniciativa da Prefeitura é muito boa. “Sentimos o samba da Mangueira aqui e quando fui para o Rio, semana passada, visitei a quadra da escola e me identifiquei com o Recife. Tocava o samba-enredo falando daqui e vi várias sombrinhas de frevo verde e rosa”, contou.

O refrão do samba-enredo da Mangueira ("É frevo, é frevo, é frevo") sempre era ouvido aqui ou acolá. “É a parte que mais gosto da música”, revelou a aposentada Tide Campos, de 72 anos, que não poupou esforços e se “jogou” no palco para dançar com Carlinhos de Jesus, vestida de verde e rosa. A atriz e humorista Fabiana Karla também esteve por lá, já se aquecendo para desfilar na Mangueira. “Arranho melhor no frevo do que no samba”, disse.

De acordo com a secretária municipal de Gestão Estratégica e Comunicação, Lygia Falcão, o aulão faz parte de uma parceria que a Prefeitura do Recife tem com a Mangueira. “O objetivo é promover um intercâmbio entre o samba e o frevo. É uma forma de valorizarmos os ritmos e darmos um retorno à cidade. Já levamos o nosso carnavalesco para conhecer as oficinas de preparação da escola”, declarou a secretária. Para um dos diretores da Mangueira, Marcos Oliveira, “esse é um momento de encontro de duas culturais que nasceram de classes menos favorecidas”.

Sobre a relação entre as duas cidades, Carlinhos declarou, ainda antes da aula, que "o Rio de Janeiro tem muito o que aprender, à medida em que assiste à religiosidade e à seriedade da cultura no Recife. Principalmente neste momento em que vivemos em cima de modismos".

(Assessoria de Comunicação da Prefeitura do Recife)

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