Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 19 - 13/10/2003

Brasileirinho, 1 ano

O Brasileirinho completa um ano na próxima sexta, dia 17 de outubro. A comemoração oficial acontece na quarta seguinte, dia 22, com o Clube do Choro de Porto Alegre e participação especial do flautista Plauto Cruz, na Cia. de Arte (Andradas, 1780, Porto Alegre), a partir das 20h30. Venha festejar conosco!

A bem da verdade, aqui na página a festa já começou e quem ganha os presentes é você! Neste final de semana, entraram no ar nosso diretório de Fotos e o mecanismo de busca, facilitando suas pesquisas no site.

(Fabio Gomes)

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Vinicius, 90 anos

No domingo, 19 de outubro, o auto-intitulado Poetinha Vinicius de Moraes (1913-80) estaria completando 90 anos. Muitos espetáculos em todo o Brasil serão feitos em sua homenagem (ver Dicas).

Além de ser um dos grandes nomes da poesia brasileira do século 20 (o único poeta a viver como poeta, no dizer de Carlos Drummond de Andrade), Vinicius dedicou-se intensamente à música popular, primeiro apenas como letrista, depois passando a cantar também, formando dupla com Toquinho por mais de 10 anos.

Considero que Vinicius foi o maior letrista da música brasileira. Certo, alguém pode perguntar: E Noel Rosa? E Chico Buarque? São excelentes letristas, igualmente, mas Vinicius os superou, pelo seguinte: 1º, ele, ao contrário dos outros, não compunha música (fora raras vezes, como "Valsa de Eurídice" e "Pela Luz dos Olhos Teus" - páginas que nos fazem pensar o que ele teria sido capaz de fazer se resolvesse levar a composição a sério); 2º, seu período de atuação (embora o maior parte de sua obra musical tenha sido feita entre 1956 e 1980, Vinicius assinou músicas com Haroldo e Paulo Tapajós em 1932, um ano antes de publicar o primeiro livro, O Caminho para a Distância) - quase 50 anos!; 3º, a variedade e qualidade dos parceiros - basta citar o que ele chamava a sua Santíssima Trindade, Tom Jobim, Carlos Lyra e Baden Powell, à qual depois se juntou Toquinho, mas ainda há Pixinguinha, Ary Barroso, Adoniram Barbosa, Chico Buarque, João Bosco, Edu Lobo, Francis Hime, Ronaldo Bôscoli, Fagner... ; 4º, a coerência temática de sua produção - são inúmeras as músicas em que ele incentiva o ouvinte a romper barreiras internas e externas para começar a realmente viver e/ou amar (praticamente sinônimos em sua obra) - citemos "Mundo Melhor", "Como Dizia o Poeta", "Chega de Saudade", "Formosa", Marcha da Quarta-Feira de Cinzas"; 5º, a enorme quantidade de músicas assinadas por ele conhecidas pelo grande público ainda hoje - além das citadas, "Garota de Ipanema", "Berimbau", "Primavera", "Tarde em Itapoan"...

(F. G.)

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Continuações

No filme Alô, Alô, Carnaval, de Adhemar Gonzaga (1935), atualmente em exibição na Casa de Cultura Mário Quintana (Porto Alegre), Mário Reis canta a marcha "Cadê Mimi?" (João de Barro - Alberto Ribeiro), talvez o primeiro caso de continuação na música brasileira. Num filme anterior, Estudantes, de Wallace Downey (1935) Mário cantava "Linda Mimi" (João de Barro), para Mimi, a personagem vivida por Carmen Miranda.

O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia. São seis os sambas: "O Rei do Gatilho" (1962), "O Último dos Moicanos" (1963), "Os Intocáveis" (1968), "Morengueira contra 007" (1968), "O Seqüestro de Ringo" (1970) e "Rei do Cangaço" (1973). Além desses, o cantor gravou outra música do compositor e publicitário, "O Conto do Pintor" (1960), uma sátira ao endeusamento de artistas plásticos de talento discutível pela alta sociedade.

Além desse, naturalmente há muitos outros casos de continuação na nossa música - e, para ser coerente com o tema, o assunto continua... em outro Mistura e Manda.

(F. G.)

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