Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 20 - 20/10/2003

Letícia arrasa n'A Grande Final

A cantora Letícia Oliveira proporcionou a todo Brasil um momento emocionante no sábado, 18 de outubro, ao cantar "Folhas Secas" (Nelson Cavaquinho - Guilherme de Brito) no programa Raul Gil, da Rede Record. Com uma interpretação segura, fraseando com invulgar competência na segunda parte do samba, Letícia carimbou seu passaporte para a próxima etapa do concurso A Grande Final, promovido pelo veterano comunicador.

Nas semanas anteriores, Letícia cantou "Primavera" (Cassiano - Sílvio Rochael), "As Curvas da Estrada de Santos" (Roberto Carlos - Erasmo Carlos) e "I Say a Little Prayer (For You)" - nesse dia, conta ela, "me compararam a Elis Regina. Aí 'caiu a ficha' de manter o repertório de música brasileira!!!".

O Brasileirinho está na torcida por Letícia. A próxima eliminatória acontece no sábado, dia 25, a partir das 13h.

(Fabio Gomes)

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Dez mais do nosso 1º ano

Os dez artigos mais lidos nesse primeiro ano de Brasileirinho são: 1º, Roberto Carlos e a Religião - 1.706 acessos; 2º, O Mago da Flauta - 510; 3º, O Trabalho na Música Popular Brasileira - 491; 4º, Tom e Chico - 480; 5º, Elis Vive - 385; 6º, Villa-Lobos - 309; 7º, Elza Soares: Gargalhadas e Lágrimas - 262; 8º, Tiago Piccoli: Solos de Violão Brasileiro - 235; 9º, Inusitado na Roda do Choro - 231; 10º, Nelson Cavaquinho - 231 (o Inusitado ficou em 9º porque entrou no ar em junho de 2003, obtendo em quatro meses o mesmo volume de leitura do Nelson, disponível há um ano). Os dados são parciais até 15 de outubro.

Já a charge mais acessada (401 cliques) é a da Usina do Gasômetro, que pra comemorar voltou neste fim de semana à página principal do Brasileirinho.

(F. G.)

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Chicomania

Há um movimento espontâneo em todo o Brasil, a chicomania (exaltação a Chico Buarque). Ela, pelo que se pode notar, independe de qualquer coisa, inclusive do próprio Chico. Ele não comemorou nenhum aniversário "redondo" - completou 59 anos em 19 de junho -, não lançou CD novo (lançou foi é um livro, mas a chicomania é anterior), não conclamou as massas, nada.

Muito legal constatar que, sem forçação de barra nenhuma, o povo brasileiro, sempre que pode, está rendendo homenagem a um de seus grandes integrantes vivos. Não se passam duas semanas sem que cheguem a nosso conhecimento, para inclusão nas Dicas, pelo menos um show inteiramente dedicado ao autor de "Injuriado", isso quando não é peça de teatro, debate ou etc. e tal.

Em Porto Alegre, o cantor Dudu Sperb e o violonista Toneco da Costa aderiram à chicomania, apresentando no Café Concerto Majestic, em 16 de outubro, um repertório só do mestre, com e sem parceiros. Chamaram a atenção as versões da dupla para "Samba e Amor", "Atrás da Porta" (Francis Hime - Chico), "Morena dos Olhos d'Água" e "Deixa a Menina". Já em "Vai Passar" (Francis Hime - Chico), "Trocando em Miúdos" (Francis Hime - Chico) e "Eu te Amo" (Tom Jobim - Chico), uma surpresa: no início das canções, a voz de Dudu chegou a lembrar o timbre de Chico! Isso e muito mais deve ser conferido em breve, com a adesão do superbom Jorginho do Trumpete. Acompanhem pelas Dicas!

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Carnaval paulista 2004

Os quatro séculos e meio da fundação de São Paulo serão o tema único comum a todas as 25 escolas de samba da cidade em 2004. As entidades apresentaram maquetes de seus carros alegóricos na Semana do Folclore, evento promovido pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo no Anhembi em setembro.

Na ocasião, um júri formado por carnavalescos e historiadores da Universidade de São Paulo elegeu as melhores maquetes. O primeiro lugar, por unanimidade, coube à Prova de Fogo, com uma réplica do Museu da Imigração - Memorial do Imigrante; seguiram-se: em 2º, Acadêmicos do Tucuruvi; 3º, Império da Casa Verde; 4º, Águias de Ouro; 5º, Rosas de Ouro; e 6º, Camisa Verde e Branco.

(F. G.)

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Um piano para o Santander!

Wagner Tiso saiu do palco do átrio do Santander Cultural (Porto Alegre) comemorando que, no dia 25, no Rio de Janeiro, terá à disposição um piano acústico. "Não sei tocar nesse negócio", disse, referindo-se ao teclado com o qual se apresentara havia poucos instantes. Cometo essa inconfidência (Tiso é mineiro e saberá compreender) porque não é admissível que uma instituição do porte e com uma programação de qualidade como é o Santander Cultural não tenha um instrumento à altura dos pianistas que ali se apresentam. Neste ano, o mestre João Donato, com elegância, disse em pleno palco que preferia tocar um piano... O tal teclado é um Kurzweil PC 88, cuja relação mais próxima com a música parece ser a semelhança de sua marca com o nome do compositor alemão Kurt Weil...

(F. G.)

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Continuações (2)

A continuação, uma especialidade do cinema americano, nunca foi o forte no cinema brasileiro. Contam-se nos dedos filmes como Vai Trabalhar Vagabundo 2 - A Volta ou Xuxa e os Duendes 2 (desculpem!). Já na música, a continuação é bem mais freqüente.

Um tipo curioso de música de continuação é a feita por outro autor. É um tipo raro também, localizei apenas três casos. Um deles é "Cotidiano nº 2 (Como dizia o Chico...)" de Toquinho e Vinicius, de 1972, continuando o sucesso de Chico Buarque "Cotidiano", de 1971. Ainda em 1972, Caetano Veloso compôs "Janelas Abertas nº 2", cantado por Chico no show que deu origem ao LP Caetano e Chico Juntos e ao Vivo. Caetano referia-se a uma canção de Tom Jobim e Vinicius de Moraes que fora gravada por Elizeth Cardoso no LP Canção do Amor Demais (1958) - mas, se nesta, as janelas seriam abertas para que o sol viesse iluminar o amor do poeta e sua adorada, na canção de Caetano elas dariam ingresso a todos os insetos... O caso mais antigo é "Cabo Laurindo" (Haroldo Lobo - Wilson Batista, 1945), samba com o personagem que Herivelto Martins criou em "Laurindo", no carnaval de 1943. E quem era Laurindo? Ah, não perca o próximo Mistura e Manda. Continuações continua...

(F. G.)

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