Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 26 - 8/12/2003

"Minha Parte" vence 6º Festival de Música de Porto Alegre

"É boa a expectativa de ganhar, melhor até que a própria vitória", afirmou o compositor Roberto Porcher no debate de avaliação sobre os 5 primeiros anos do Festival de Música de Porto Alegre, na sexta, dia 5. Mal imaginava Roberto que, 48 horas depois, sua música "Minha Parte", em parceria com Fernanda Ramos, venceria a 6ª edição do Festival, interpretada por Fernanda com vocais de Roberto e acompanhada pela banda Viramundel com participação do percussionista Binho.

O maior destaque, porém, coube a "Rap Cidadania" (Nélson Ávila), interpretada pelos Gaviões do Rap, que ganhou o 2º lugar e o prêmio de melhor música na votação do público. O prêmio de melhor intérprete coube a Álvaro Neves, que cantou com a banda Soul Roots seu soul-black "Tudo Vai Mudar (Acabou)". "Falta" (Amaro Neto - Luciana Pauli) recebeu o prêmio de melhor arranjo, enquanto Risomá Cordeiro foi considerado o melhor instrumentista por sua atuação em "Ziguezagueando", parceria sua com Orestes Dorneles. O prêmio de melhor letra coube a "Blues Marinho", música de Eduardo Cabeça e letra dele em parceria com Vilson Quadros, Nelnie Viale Lorensoni, Mariana Soares e Samy Cassali. Essas músicas foram selecionadas entre 566 que concorreram à Eliminatória, 34 das quais apresentadas no Auditório Araújo Vianna nas noites de 6 e 7 de dezembro.

(Fabio Gomes)

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O profissionalismo da Camerata

Os músicos do grupo ainda denominado Camerata Alma Brasileira são, merecidamente, o destaque do Brasileirinho nesta semana. Além de terem comandado de forma esplendorosa as comemorações do Dia Nacional do Samba em Porto Alegre, eles nos concederam uma entrevista falando da situação de ter de adotar outro nome, ainda não escolhido (leia mais em Por que a Camerata Alma Brasileira vai mudar de nome).

Eles têm pouco mais de um ano de estrada, mas já possuem muita história para contar. Como a profunda emoção que causaram ao veterano chorão pelotense Avendano Jr. ao executar músicas dele no Conservatório de Música da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) completamente lotado, em 10 de setembro de 2003. Ou o profissionalismo que demonstraram no dia seguinte, ao decidir não se apresentar na Avenida Internacional em Chuí, devido à mudança de última hora no equipamento de som - o grupo, ao invés de contar com o que pedira, teria que usar uma aparelhagem cheia de fios emendados. "Não tem porque fazer algo malfeito", afirma o líder do grupo, Moysés Lopes.

(F. G.)

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Clube do Choro no Jornal do Almoço Especial de Natal

O Clube do Choro de Porto Alegre é um dos convidados para o Jornal do Almoço especial que vai ao ar no dia 25 de dezembro. O grupo vai tocar o arranjo do violonista Arthur Sampaio para "Boas Festas" (Assis Valente), a primeira música natalina brasileira. A gravação acontece nessa terça, dia 9, nos estúdios da RBS TV.

(F. G.)

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Braguinha ou João de Barro?

Um dos mais antigos compositores em atividade no Brasil é um caso curioso de duplicidade de nome - mas não por vontade própria. Carlos Alberto Ferreira Braga integrava, junto com amigos seus de Vila Isabel (Rio de Janeiro), um grupo amador, Flor do Tempo, que se apresentava em saraus em casas de família. Várias gravadoras multinacionais se estabeleciam no Brasil na época, por isso em 1929, parte do grupo resolveu se profissionalizar, adotando o nome de Bando de Tangarás. Foi estabelecido que cada um dos integrantes usaria um nome de pássaro como pseudônimo artístico. Alguns já tinham apelidos - Henrique Foreis Domingues era Almirante, Henrique Brito atendia por Violão e Álvaro Miranda se apresentava como Alvinho; já o outro integrante nunca teve e nunca quis apelidos - sempre quis ser apenas Noel Rosa (é incorreto afirmar que, na escola, Noel fosse ridicularizado com a alcunha de Queixinho). Desta forma, o único que seguiu o combinado foi Carlos Alberto, que desde então passou a assinar João de Barro. O principal motivo é que, sendo seu pai um importante empresário, ele preferia resguardar o nome da família, como era hábito.

Compositor fecundo, que teve músicas em carnaval por mais de 40 anos, João de Barro é autor de clássicos tais como "Carinhoso" (com Pixinguinha), "Copacabana" (com Alberto Ribeiro), "Pastorinhas" (com Noel Rosa) e "Linda Lourinha" (só dele), além de dirigir, na década de 1950, a mais importante gravadora nacional da época, a Continental.

Como Carlos Alberto sempre usou o nome artístico que combinou com seus amigos Tangarás há mais de 70 anos, desconheço o motivo pelo qual a imprensa passou a se referir a ele como Braguinha, seu apelido de família, gerando uma confusão para quem se interessa pela música brasileira, que pode imaginar se tratarem de duas pessoas. Seria o mesmo que, de uma hora pra outra, os jornais passarem a se referir a Roberto Carlos como Zunguinha, ao ministro Gilberto Gil como Beto, a Jorge Benjor, Babulina, a Gal Costa, Gracinha, a Antônio Carlos Jobim, Tom-tom ou a Heitor Villa-Lobos, Tuhú.

(F. G.)

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