Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 39 - 8/3/2004

Leitora manifesta insatisfação com Tirafolia

Recebemos na terça, 2, correspondência da leitora Flávia Lage, de Belo Horizonte, relatando os transtornos que teve durante a realização do Tirafolia, evento do carnaval em Tiradentes (MG). Encaminhamos a mensagem de Flávia à nossa fonte, a empresa que divulgou o evento. Na quarta, 3, nos foi enviado um comunicado oficial da promotora do Tirafolia, a Nat Promoções e Eventos. Os dois textos são reproduzidos a seguir.

(Fabio Gomes)

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Tirafolia

Estou escrevendo para falar sobre o Tirafolia e sobre a empresa Nat Promoções, organizadora do evento.

O local escolhido para a realização do evento não era apropriado, era um pasto, sem drenagem. Como aconteceu de chover nos dias de carnaval, o local se transformou numa lama, com mata-burros e valas que ameaçavam a integridade física das pessoas que foram ao evento. Diante disso, resolvemos (eu, minha irmã e 3 amigas que vieram de outros estados especialmente para o evento) não ir aos shows.

Já no segundo dia do evento, tentamos entrar em contato com a organização para a devolução dos abadás. O escritório do evento em Tiradentes estava fechado, o telefone não atendia. Resolvemos deixar para resolver o assunto em BH, junto à empresa organizadora.

Em BH, entramos em contato com a organização, depois de várias tentativas, conseguimos finalmente conversar com um dos organizadores (Vinícius). Isso só foi possível depois de deixar recados com a secretária, que informou que talvez os organizadores não entrassem em contato, e que havia mais reclamações a respeito do evento. Um detalhe é que o telefone informado no site (www.tirafolia.com.br) não atendia e precisei buscar na lista telefônica. Além disso, o site foi retirado do ar, pois já na quarta-feira não consegui acessá-lo. A informação da diretoria foi que não haverá devolução do dinheiro. Fiquei muito decepcionada com a organização do evento pois não considero esse procedimento o de uma empresa séria e idônea.

Estou escrevendo para vocês, para deixá-los a par da atitude dessa empresa, pois considero importante que vocês saibam que tipo de pessoas são essas que organizam eventos em Minas Gerais.

Desde já agradeço a atenção. Gostaria de estar escrevendo para elogiar esse evento que com certeza é importante para o turismo em Minas Gerais, mas infelizmente isso não é possível.

Atenciosamente,

Flavia Lage (arquiteta, Belo Horizonte)

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Comunicado de Compromisso Público

A Nat Promoções e Eventos, empresa responsável pelo evento denominado "TIRAFOLIA" realizado no período de 20 a 24 de fevereiro de 2004 no trevo de acesso a Tiradentes, Sitio Córrego das Pedras no Município de São João Del Rei, vem neste momento assumir um compromisso junto aos foliões do Bloco e Camarote do Tirafolia 2004, de conceder uma bonificação (desconto) de 30% (trinta por cento) no 1º lote dos respectivos produtos para o carnaval de 2005 para os foliões cadastrados e/ou que apresentarem sua camisa de 2004 nos postos de venda do evento (edição 2005), compromisso este assumido pela empresa em função assumir seu papel moral e ético para com seus clientes que se sentiram de alguma forma prejudicados em função da situação climática que atingiu toda a região sudeste do país durante o período do carnaval de 2004.

Atenciosamente,

Nat Promoções e Eventos

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Dica do leitor: livro

Acabei de ler o livro "A Arte de Produzir Musica", de Richard James Burgess, publicado pela Gryphus, do Rio de Janeiro.

O livro foi traduzido para o português por Marcelo Carvalho de Oliveira, velho amigo meu, que é produtor musical em Brasília. Ou seja: traduzido com competência por quem entende do ramo e do jargão musical.

É uma rara publicação sobre o oficio de produtor musical, onde o autor conta e analisa suas experiências e procura fazer uma descrição e uma reflexão sobre o oficio de produção musical.

Vale a pena conferir.

(Militão Ricardo, professor)

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Por que axé music?

O termo "axé" (ordem, poder em iorubá) entrou na ordem do dia no final de 1987, quando a TV Globo chamou Martinho da Vila para criar a campanha institucional do Centenário da Abolição, a ser comemorado no ano seguinte. Martinho compôs um jongo cujo refrão era: "Axé, axé, axé pra todo mundo, axé/ Muito axé, muito axé/ Muito axé pra todo mundo, axé", a ser gravado por Martinho, Jorge Ben, Margareth Menezes, Elza Soares, Vovô do Ilê Ayê da Bahia, Milton Nascimento, Neguinho da Beija-Flor, João Nogueira, Gilberto Gil, Djavan, Emílio Santiago, Sandra de Sá, Tim Maia, entre outros. Cada cantor podia improvisar sobre a melodia.

Depois, por essas coisas que ninguém explica, o termo "axé" foi combinado com a palavra inglesa "music" (do inglês, música) para designar o tipo, ou um dos tipos, de música que se faz na Bahia. Pelo menos serviu pra esse tipo de música deixar de ser chamado pelo nome do seu primeiro sucesso, na voz de Luiz Caldas: "Fricote" (palavra de origem controversa, talvez francesa, que significa chilique ou faniquito...).

(F. G.)

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