Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 40 - 15/3/2004

Jovens chorões (1) - Henry Lentino

O bandolinista Henry Lentino, do Tira Poeira, realizou um sonho esta semana. O gaúcho radicado no Rio de Janeiro acompanhou Maria Bethânia no show Brasileirinho, no Canecão (Rio de Janeiro), dias 9 e 10.

(Fabio Gomes)

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Jovens chorões (2) - Luís Barcelos

Outro gaúcho que vem surpreendendo no bandolim é Luís Barcelos. Integrante da Camerata Brasileira, onde começou tocando violão de 7 cordas, bem cedo demonstrava sentir-se mais à vontade no cavaquinho, até que o grupo viu que era melhor ele trocar de instrumento.

Já nos últimos meses, Barcelos tem feito alguns números ao bandolim como convidado do Grupo Reminiscências na Roda de Choro da Casa de Cultura Mário Quintana (Porto Alegre). Enquanto na Camerata ele segue fielmente os arranjos ensaiados, no Reminiscências o rapaz pode exercer o solo e o improviso em maior grau, mas sempre em poucas músicas.

Aliás, sempre não: em função da desenvoltura que vem demonstrando, Luís Barcelos será um dos convidados especiais do espetáculo que comemora 20 anos do Reminiscências, dia 30 de março, no Theatro São Pedro. Ele atua ao lado da Camerata e depois recebe um espaço amplo o suficiente para que ninguém tenha dúvidas que estamos diante de um talento que cada vez se afirma mais completo.

(F. G.)

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A saudação esquecida de Vinicius a Mãe Menininha

Definitivamente, posso afirmar que o ideal é ouvir Vinicius de Moraes nos discos originais (embora, eu sei, isso seja um pouco difícil...). Já comentei aqui a localização num LP de uma estrofe pouco conhecida de "A Felicidade" (Tom Jobim - Vinicius de Moraes).

Fato semelhante acontece com "Tatamirô". A música é sempre creditada a Toquinho e Vinicius, tanto nas reedições em CD quanto no Livro de Letras de Vinicius de Moraes (organizado por José Castello para a Cia. das Letras em 1991). Porém, no selo original do LP São Demais os Perigos desta Vida... (RGE, 1972), consta:

2. TATAMIRO (em louvor de Mãe Menininha do Gantois) "Ponto de Caboclo" da Bahia, em arranjo de Edinho do Gantoi: (Toquinho e Vinicius);

(OBS: reproduzi fielmente como está no selo, faltando o acento em "Tatamirô" e com o erro na grafia do sobrenome de Edinho)

E mais: na abertura desta música que é a 2ª faixa do lado A, ouvimos a seguinte fala de Vinicius, que também não consta nas reedições nem no livro citado:

- Salve, minha Mãe Menininha! Epa, Babá! Nós estamos aqui, eu e Toquinho, gravando essa saudação pra senhora, em que sua filha Gesse e o Edinho, aí do Gantois, também colaboraram, e com sua permissão pedimos nessa hora sua proteção e sua bênção.

Gesse Gessy era esposa de Vinicius na época e a grande responsável pela "fase baiana" do poeta. Já Edinho, ou melhor, Édio Gantois, foi quem primeiro acolheu Vinicius em Salvador, até que sua nova casa, em Itapuã, ficasse pronta. Gantois era o sobrenome belga do avô de Édio, antigo dono das terras em que foi erguido o terreiro Ilê Iyá Omim Axé Iyá Massê, dirigido à ocasião por Mãe Menininha.

Obs: leia a correção desta nota no Mistura e Manda nº 47.

(F. G.)

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