Misture e Mande

Arquivo

Mistura e Manda

Nº 43 - 5/4/2004

Curso Panorama Histórico da Música Brasileira - turma de abril

O curso Panorama Histórico da Música Brasileira inicia nesta segunda, 5, as aulas da turma de abril, na Palavraria Livraria-Café (Rua Vasco da Gama, 185, Bom Fim, Porto Alegre - 51-3268-4260), a partir das 19h. Solicitamos aos interessados no curso que compareçam nesse horário, mesmo que não tenham efetivado a inscrição, pois ainda restam vagas.

(Fabio Gomes)

***

Promoção Rádio Cabeça: primeiro ganhador

Recebemos poucas participações em março para o primeiro sorteio da promoção Rádio Cabeça. Apenas dois leitores nos disseram quais as músicas que não saem da sua cabeça. Em sorteio realizado na quinta, 1, o ganhador foi o leitor Marcelo Xavier, de Porto Alegre. Ele indicou a música "Serenata" (Sílivio Caldas - Orestes Barbosa), lançada por Sílvio em 1935.

Nesta semana, Marcelo receberá seu prêmio: um CD exclusivo do Brasileirinho, com a radiofonização da vida de Nelson Cavaquinho, uma entrevista exclusiva com Lucélia Santos e algumas surpresas.

Você também pode participar, sugerindo até 30 de abril suas músicas preferidas para o sorteio a ser realizado em 1 de maio.

(F. G.)

***

Golpe de 1964: 40 anos

Na semana que passou, o golpe militar de 1964 completou 40 anos. O pior desta data é constatar que mais da metade dessas quatro décadas - 21 anos, para ser mais exato - foram sob ditadura. Os militares tomaram o poder num momento de afirmação cultural nacionalista, que acontecia espontaneamente até ali e passou então a ser usada como forma de resistência política. Até a decretação do AI-5, em 1968, a repressão não era tão feroz e ainda era possível pensar e dizer o que se estava pensando. Depois disso, era melhor nem tentar pensar, sob pena de prisão, exílio, tortura ou morte (ou "desaparecimento").

Me causa espanto toda vez que ouço alguém começar a falar que, nos anos 60, a música brasileira era mais criativa, relacionar isso com a existência da ditadura e concluir deixando no ar (ou mesmo afirmando, felizmente em tom de brincadeira) que seria bom que tivéssemos nova ditadura para melhorar a qualidade da música atual. Por favor! Em primeiro lugar, continuamos tendo música de excelente qualidade - agora, se ela não consegue chegar às rádios e TVs comerciais é outra discussão -; segundo, a ditadura não tornou ninguém mais criativo nem estimulou coisa nenhuma.

Para deixar isso bem claro, basta ver a cronologia de composições de Chico Buarque ano a ano, que Humberto Werneck apresenta ao final do livro Chico Buarque - Letra e Música (Cia. das Letras, 1989): depois de manter uma média de 12 músicas novas por ano entre 1965 e 1972 (e outro tanto entre 1972 e 1973 para sua peça Calabar, escrita com Ruy Guerra), Chico fez só três músicas em 1973: "Joana Francesa", para o filme de mesmo nome de Carlos Diegues, "Cálice" (com Gilberto Gil), que foi censurada, e "Valsa Rancho" (com Francis Hime). É que Chico estava muito visado pela Censura desde que um cochilo do censor de plantão deixara passar "Apesar de Você" em 1970.

Quando da peça Calabar, ambientada no período da ocupação holandesa, mas passando bem a atmosfera de um tempo de repressão, os censores estavam bem alertas, sacaram a metáfora e proibiram a peça a poucas horas da estréia, em 1973. Para conseguir reaver parte do dinheiro perdido na produção, Chico lançou as músicas (ou o que sobrou delas após as tesouradas dos censores) num LP que se chamaria Chico Canta Calabar, mas, como até o título da peça fora proibido, o disco foi lançado com o nome meio estranho de Chico Canta (como se até ali ele nunca houvesse cantado). Ficava evidente que a assinatura "Chico Buarque" já era motivo para proibição; foi então que nasceu o pseudônimo Julinho da Adelaide, "autor" de uma das músicas do LP Sinal Fechado, em que Chico interpretava apenas canções de outros compositores. Em pouco tempo, a jogada foi descoberta e Chico teve que partir para um pouco comentado auto-exílio na Itália, entre o final de 1974 e o início de 1975. Ao voltar, após se apresentar no Canecão ao lado de Maria Bethânia, decidiu parar de fazer shows, situação que perdurou por nove anos. Em suma: um profissional estava sendo estimulado pelo governo da época a preferir não trabalhar. Como ele, tantos outros.

Mais tarde, sobre a pouca produção do período, Chico declarou que muitas vezes iniciava um samba, mas conforme ia escrevendo a letra percebia que ele seria vetado e abandonava a idéia. Era o que eles queriam: em vez de dar trabalho às autoridades, o próprio compositor já praticava a autocensura.

(F. G.)

***

Milton: o que tinha de ser

No final de 1942, a empregada doméstica carioca Maria do Carmo Nascimento encaminhou seu filho Milton, nascido em 26 de outubro daquele ano, para adoção. A família Campos, que o acolheu, morava no Rio de Janeiro, mas, sendo seu pai adotivo, Josino Brito Campos, bancário, não demorou a haver uma transferência. Quando o garoto tinha um ano e meio, a família mudou-se para Três Pontas (MG). Com quatro anos, ele ganhou uma sanfoninha de brinquedo, de dois baixos; mais tarde, já adolescente, começou a cantar como crooner no conjunto de baile de seu vizinho Wagner Tiso.

Curioso verificar neste caso como às vezes a vida vai encaminhando a pessoa para o melhor caminho a seguir. Vejam só: primeiro, a mãe adotiva de Milton, Lília Silva Campos, era professora de música; depois, ele sai do Rio para ir morar ao lado da casa de Wagner Tiso; sem contar que alguém com o nome de MIlton NAScimento não podia mesmo ficar longe de Minas Gerais...

(F. G.)

Copyright © 2004. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais