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Mistura e Manda

Nº 47 - 3/5/2004

Aos assinantes

O intenso tráfego na internet nos últimos dias da semana passada, em função do prazo final de declaração do imposto de renda, causou alguns problemas com nossos servidores (o da página e o do serviço de mensagens). Perdemos algumas mensagens e parte da relação de assinantes das Dicas e do Mistura e Manda. Isso, inclusive, impediu que atualizássemos as Dicas na sexta-feira.

Pedimos que os assinantes que tenham deixado de receber nossos informativos entrem em contato conosco, para que possamos incluí-los novamente na relação.

(Fabio Gomes)

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Penha, "novo berço" do samba?

O arquiteto Alberto Taveira, em seu artigo Sambaquis do Samba, na Penha?, no site ViverCidades, informa que o jornal carioca A Voz da Penha, reivindicou para o bairro o posto de berço do samba. O periódico, em sua edição de Carnaval deste ano, justificou que o ritmo já marcava presença "nos idos de 1906" na tradicional festa de Nossa Senhora da Penha. A festa se realiza em outubro e, nela, muitos compositores aproveitavam para mostrar suas músicas para o Carnaval seguinte. Taveira contesta de forma veemente a pretensão, citando vários argumentos, incluindo meu artigo O Samba n'Os Sertões. Leia o texto de Taveira na íntegra clicando aqui.

Bem antes de 1906 existem citações ao samba em livros e na imprensa e há partituras, tanto de composições populares quanto de música de concerto (Alexandre Levy compôs a suíte "Samba" por volta de 1879).

Imagino que esse milagre da Penha ser considerada berço do samba fica difícil para Nossa Senhora da Penha atender...

(F. G.)

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Samba antigo

"Na caixinha, um novo amigo/ Vai bater um samba antigo/ Pra você rememorar", resignava-se na música "Com Açúcar, com Afeto" (Chico Buarque) uma esposa tipo "amélia". O que talvez nem a personagem, nem seu marido e o amigo (provavelmente Chico também não) é quão antigo pode ser o samba.

Na imprensa brasileira, o gênero foi citado pela primeira vez pelo padre Lopes Gama no jornal O Carapuceiro, de Recife, em 22 de novembro de 1837. No artigo O Samba n'Os Sertões, eu citava 1838, que era a informação que eu tinha. Já está corrigido.

Como informa Bernardo Alves em seu livro A Pré-História do Samba, a referência mais antiga ao samba localizada é também de autoria de um religioso, o padre Luiz Vincencio Mamiani, no livro Arte de Gramática da Língua Brasílica da Naçam Kiriri (ou seja, sobre o idioma dos índios da nação cariri, que legaram seu nome a uma região do alto sertão de Pernambuco). Mamiani apresenta "samba" como sinônimo de "cágado" (um parente da tartaruga). Chamava-se "sambahó" a festa onde os cariri comiam o cágado e bebiam o suco fermentado da quixaba, enquanto cantavam músicas sobre aves e relatavam valentias ao som de viola, pandeiro, flauta, tamborim (ainda tamboril) e maracá. O livro do padre Mamiani foi impresso na oficina de Miguel Deslande em Lisboa em 1699.

(F. G.)

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Correção: Vinicius e Mãe Menininha

No Mistura e Manda nº 40, lamentei que fosse preferível ouvir as gravações de Vinicius de Moraes em LPs, ao invés das reedições em CDs, devido a alguns erros e omissões nos relançamentos. Ao menos no caso de "Tatamirô", preciso dizer que eu não estava certo.

No CD 10 Anos sem Vinicius (RGE), consta a informação do selo original e está lá a saudação do poeta a Mãe Menininha do Gantois. Só tive acesso a esse CD há poucos dias, numa locadora de Porto Alegre.

(F. G.)

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