Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 48 - 10/5/2004

Rádio Cabeça: segundo sorteio

Recebemos até o sábado, 8, quatro participações válidas para o segundo sorteio da promoção Rádio Cabeça. Duas outras inscrições não foram consideradas, uma porque indicava gravação inexistente, a outra por ser de participante de outro país (a Guiana). Como é informado no regulamento do sorteio, o custo para envio de correspondência ao exterior é proibitivo.

A vencedora do sorteio referente a abril foi a leitora Deonice Romero dos Santos, de Porto Alegre, que indicou a música "Serra do Luar", de Walter Franco, sucesso em gravação de Leila Pinheiro.

(Fabio Gomes)

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Sotaque Brasileirinho

No texto sobre a música "Brasileirinho", não cheguei a incluir a citação ao choro na música "Refavela" (Gilberto Gil), que deu nome a seu LP de 1977. Até porque não fica claro se o atual ministro da Cultura se referia realmente à composição de Waldir Azevedo:

"A refavela/ Revela a escola/ De samba paradoxal/ Brasileirinho/ Pelo sotaque/ Mas de língua internacional."

Fred de Góes, organizador do livro Gilberto Gil - Literatura Comentada (Abril, 1982), acredita que sim, comentando sobre este trecho: "Observe como o autor joga com elementos contrastantes. Refere-se a um 'Samba paradoxal', faz alusão ao choro Brasileirinho de Waldir Azevedo, para em seguida enfatizar a internacionalização da música popular."

Pode ser, mas em seu próprio comentário sobre "Refavela" no livro Todas as Letras (Companhia das Letras, 1996), Gil não se detém sobre a estrofe. Dá mais ênfase à dualidade da condição do povo negro em nossa sociedade, herdeiro de uma cultura riquíssima, mas que é dificilmente resgatada "exatamente pela manutenção reiterada da sua condição paupérrima".

(F. G.)

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Festas afro-brasileiras em Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, duas festividades de afro-descendentes lembram a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. No próximo dia 13, quinta, iniciam as festas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário e comemorando os 60 anos da Guarda de Moçambique Treze de Maio de Nossa Senhora. Os festejos vão ocorrer na rua Jataí, 1.309, no bairro Concórdia, até o dia 16, domingo. A Guarda de Moçambique é uma associação cultural e religiosa, sem fins lucrativos, que busca a preservação e a divulgação da religiosidade popular, cultuando a Virgem do Rosário com músicas, danças e tudo que represente a cultura africana. Guardas de Moçambique de várias cidades do interior de Minas vão participar da celebração.

Conta-se que, no tempo da escravidão, os negros viram uma imagem da Senhora vagando pelo mar. Os brancos a resgataram e a levaram para uma capela construída pelos negros, mas estes não podiam freqüentá-la por serem escravos. Apesar das preces e hinos oferecidos, a imagem sempre desaparecia do altar e voltava para o mar. Após várias tentativas de mantê-la na capela, os senhores brancos permitiram que os negros fizessem sua oferenda à beira-mar. Nas comemorações do Reinado do Rosário há coroação de reis e rainhas, novenas, levantamento de mastros, cortejos solenes, cantos, dança e cumprimento de promessas. Toda essa estrutura faz parte do ritual de saudação à Virgem Maria, que corresponde à rainha das águas nas religiões africanas.

Já no dia 15 de maio, sábado, a Comunidade Umbandista do Estado de Minas Gerais realiza a 23ª Festa do Preto Velho – Noite da Libertação, na praça 13 de Maio, também conhecida como praça do Preto Velho, no bairro Silveira, a partir das 19h. A festa é um marco da tradição afro-brasileira. Todas as casas, tendas, ylês, cabanas, centros e terreiro de umbanda reverenciam seus ancestrais, num ritual de preservação da identidade cultural e religiosa herdada dos africanos.

(F. G.)

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Festa do Divino no Espaço Cachuera!

Uma das mais tradicionais festas religiosas populares brasileiras, a Folia do Divino Espírito Santo, será comemorada com tudo a que se tem direito no Espaço Cachuera! (Rua Monte Alegre, 1094, Perdizes, São Paulo - fones 11-3872-8113 e 11-3875-5563), numa promoção conjunta da Associação Cultural Cachuera! e das Caixeiras do Divino da Casa Fanti-Ashanti – MA (Família Menezes).

No próximo domingo, 16, um cortejo saindo às 12h da rua Manoel Gonçalves Foz, 3, travessa da rua Bartira, leva o mastro ao Cachuera! Em seguida, às 13h, os Impérios, caixeiras e seus convidados almoçam. Apresentações musicais às 15h e às 19h (esta com tambor de criola) emolduram a cerimônia de levantamento do mastro, às 18h. Já a coroa do Divino será buscada na Universidade Anhembi Morumbi (Rua Casa do Ator, 275, Vila Olímpia). O cortejo que irá buscá-la sai do Cachuera! às 19h do sábado, 22.

A partir daí, tudo estará pronto para a Festa do Divino, no domingo, 23. As comemorações se iniciam cedo, às 6h, com alvorada no salão do Espaço Cachuera!, seguindo-se missa às 10h na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (Largo do Paissandu, s/n º, Centro). Às 11h30, o cortejo sai da Rua Ministro Godoy (Perdizes, altura do Parque da Água Branca) para o Espaço Cachuera!, onde acontece ladainha às 12h e almoço às 13h30. Uma segunda alvorada ocorre às 18h, ao pé do mastro, seguida do jantar às 19h e nova ladainha às 20h.

O encerramento da folia ocorre por etapas. Primeiro, na segunda, 24, se dá o derrubamento do mastro, com ladainha, às 19h; às 20h, marcha de tambor de criola; às 21h, procede-se ao cortar e servir os bolos, entrega dos cargos e posse dos novos Impérios. A tribuna será fechada às 22h. Na terça, 25, tem lugar o Bambaê, a partir das 20h, prevendo-se o encerramento dos festejos para as 23h.

Outras atividades integram a programação: na quinta, 20, às 21h, no Espaço Cachuera!, o organista Sérgio Carvalho realiza recital comentado com obras de Johann Sebastian Bach sobre o tempo de Pentecostes. Um ciclo de palestras sobre o Divino inicia já nesta terça, 11, no Espaço Cachuera!, com apresentação da mestra em História Marise Glória Barbosa (titulada pela PUC-SP), e a presença da Prof ª Dr ª Jerusa Pires Ferreira (PUC-SP) falando de “Correntes messiânicas e o Divino” e a Prof ª Dr ª Tereza Aline Pereira de Queiroz (USP e FAAP) abordando “A iconografia do Divino na Idade Média”. O ciclo encerra na outra terça, 18, no mesmo horário e local, com a Prof ª Dr ª Maria Lúcia Montes (USP) tratando da “Cosmologia dos povos centro-africanos”.

Toda essa programação da Festa do Divino no Espaço Cachuera! tem entrada franca.

(F. G.)

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Sonata Brasil

O grupo porto-alegrense de choro Bem Brasil realizou no dia 1 de maio, no Santander Cultural, sua última apresentação com esse nome. Desde o domingo, 2, passou a atender por Sonata Brasil. De acordo com o bandolinista Andres Costa, trata-se de um trocadilho com "só nata" - ou seja, um indicativo de que os integrantes são todos de primeira linha.

Essa auto-referência elogiosa tem raízes profundas no choro gaúcho - basta lembrar que o grupo de Octávio Dutra, em 1913, chamava-se Terror dos Facões. Na gíria da época, isso significava que os músicos eram tão bons que assustavam os que tocavam mais ou menos.

A formação do Sonata continua a mesma do Bem Brasil: Andres no bandolim, Luís Arnaldo no cavaquinho, Cristiano Fischer no violão de 7 e Reloginho no pandeiro.

Obs: Depois da publicação desta nota, o grupo optou por não mudar de nome. Leia mais no Mistura e Manda nº 53.

(F. G.)

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Mães de Três Pontas

A elaboração de um livro como a Enciclopédia da Música Brasileira - Popular, Erudita e Folclórica (Art Editora/Publifolha, 2ª edição, 1999), resultando em 887 páginas impressas, não deve ser nada fácil. É natural, portanto, que aqui e ali ocorra algum cochilo, notado quando se começa a cruzar informações com outras fontes ou mesmo dentro do próprio livro.

Um exemplo: no verbete sobre Milton Nascimento (p. 551), é mencionado que sua mãe adotiva, Lília Silva Campos, era professora de música - logo, ele teria tudo para começar aprendendo em casa. Porém, linhas abaixo, somos informados de que "Foi com a mãe de Wagner Tiso que aprendeu as primeiras noções de piano". Bom, então com certeza foi Tiso que pôde iniciar-se musicalmente sem sair de casa. Só que o verbete a ele dedicado (p. 775), já abre informando: "Autodidata, realizou depois estudos mais sistemáticos de teoria musical com o saxofonista Paulo Moura, especializando-se em teclados".

A impressão que fica é que, em Três Pontas (MG) nos anos 40-50, por algum motivo não era permitido às mães ensinarem música aos próprios filhos...

(F. G.)

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