Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 49 - 17/5/2004

Imperial sediará novo Conjunto Cultural da Caixa

Na sexta, 14, a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Prefeitura de Porto Alegre firmaram convênio para a instalação de um novo Conjunto Cultural da Caixa, no prédio dos cinemas Imperial e Guarani, na Praça da Alfândega. O Imperial passará a ser teatro e o Guarani continua como cinema. Além disso, espaços para exposições e oficinas terão lugar no Conjunto Cultural, que deve ser inaugurado até o final de 2005.

O prédio, patrimônio histórico municipal desde abril, foi projetado na década de 1910 pelo arquiteto Theo Wiederspahn, responsável por outras belas edificações da cidade, como o Hotel Majestic (atual Casa de Cultura Mário Quintana) e o Edifício Ely (hoje Tumelero da Rua da Conceição, Centro). O primeiro Cinema Guarany funcionou ali de 1913 a 1975 (durante os anos 40 e 50, atendia por Cine Rio). O atual Guarani foi instalado no mezanino do Imperial em 1987. O banco Safra comprou o prédio nos anos 80 e, a pedido da Prefeitura, manteve e restaurou a fachada original.

(Fabio Gomes)

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Noites Brasileiras no Imperial

O Cine Teatro Imperial foi inaugurado em 18 de abril de 1931 como o mais luxuoso de Porto Alegre, com 1.632 lugares. Como novidade para a época, a disposição das cadeiras, garantindo uma visibilidade conveniente em qualquer ponto da sala. Já nos primeiros anos de funcionamento, o Imperial proporcionou a seu público espetáculos com grandes nomes da música brasileira.

Em 29 de abril de 1932, estrearam os Ases do Samba (Francisco Alves, Mário Reis e Noel Rosa), acompanhados pelo pianista Nonô e o bandolinista Pery Cunha. A idéia inicial era que o show acontecesse no dia 8, mas isso não foi possível porque houve demora na definição dos músicos (Noel veio porque Lamartine Babo precisou ir a São Lourenço, MG, por recomendação médica) e também porque o navio no qual viajavam parava em qualquer porto em que pudesse tomar ou deixar passageiros... Em função disso, o Imperial teve que publicar anúncios nos jornais onde se lia: "Eles custam... mas vêm". Após algumas apresentações no Cine Teatro Carlos Gomes e uma excursão pelo interior (São Leopoldo, Cachoeira do Sul, Pelotas e Rio Grande), os Ases retornaram para uma Noite Brasileira no Imperial, em 24 de maio.

Mário voltaria ao Imperial para outra Noite Brasileira, em 31 de julho de 1935, desta vez ao lado de Carmen Miranda.

(F. G.)

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O público exigiu

Esta apresentação de Mário Reis e Carmen Miranda atendia, sem dúvida, a uma exigência do público. A dupla havia sido o número principal do programa de estréia da Rádio Farroupilha, então a mais potente emissora da América do Sul, no dia 24 de julho de 1935. Como a Farroupilha ainda não tinha auditório, o programa de inauguração foi transmitido do estúdio, ao qual compareceram apenas convidados especiais.

Uma massa de populares ouvia a transmissão pelos alto-falantes colocados em frente ao prédio da rua Duque de Caxias, nos altos do viaduto da Borges de Medeiros. Terminado o programa, a multidão acompanhou Carmen e Mário até as proximidades da Biblioteca Pública, "vivando-os entusiasticamente e à música brasileira", como informou o Diário de Notícias do dia 25. O professor Luiz Artur Ferraretto, em seu livro Rádio no Rio Grande do Sul (anos 20, 30 e 40): dos pioneiros às emissoras comerciais (Editora da Ulbra, 2002, pág. 128), considera o fato "uma das primeiras grandes manifestações de apreço a um ídolo popular da história da capital gaúcha".

Esse público merecia que os dois ídolos cantassem num ambiente mais acessível - o que aconteceu uma semana depois, no Imperial.

(F. G.)

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CD como registro

A pirataria está matando o CD como negócio. Na última década, tornou-se possível tecnicamente artistas lançarem seus trabalhos sem estarem ligados às gravadoras, inclusive conseguindo lucrar com isso; agora, porém, essa prática ficou economicamente inviável. Eu já desconfiava disso e um músico porto-alegrense me confirmou.

O CD, desta forma, fica sendo apenas uma forma de cantores ou bandas registrarem seu trabalho, que pode servir como amostra do som para um potencial contratante ou ficar como legado à posteridade.

É um retrocesso brutal. No começo do século 20, os discos, ainda muito caros, eram gravados exatamente para registro. Mesmo os sucessos de carnaval chegavam ao disco depois da festa, como forma de serem lembrados no futuro. Só a partir de 1927, com o sistema elétrico de gravação, os custos foram reduzidos e criou-se o negócio da música - cujo fim, ao menos nos padrões a que estamos acostumados, pode estar acontecendo agora, diante de nossos olhos.

(F. G.)

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