Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 51 - 31/5/2004

Pérolas do seminário Rumos

O Itaú Cultural promoveu uma série de 8 palestras e debates entre os dias 26 e 28 na Casa de Cultura Mário Quintana (Porto Alegre), para lançar o edital do programa Rumos 2004/2005. Desses encontros, destacamos algumas pérolas:

  • Não adianta associar pessoas que não tenham projetos pessoais claros. Quando uma pessoa se associa a algo pensando em resolver seu problema, sem que ela saiba a solução, não se chega a nada. (Benjamin Taubkin, pianista)

  • Sempre nos reunimos para falar para iguais. Quando conseguiremos reunir os diferentes? (Ruy Carlos Ostermann, professor e jornalista)

  • A primeira edição do Rumos Música (2001) produziu resultados elogiados, mas certamente sem esta nova edição de agora esta riqueza iria se perder. (Taubkin)

  • Não vejo sentido em se gravar música hoje se não for para acrescentar algo para quem ouve ou então se tratar de música de entretenimento de alta qualidade - é difícil fazer música simples sem soar pateta ou redundante. (Arthur de Faria, músico e jornalista)

  • Mesma a música mais elaborada hoje tem sua circulação pensada como a produção comercial. (Taubkin)

  • Desde D. João VI, a política cultural no Brasil privilegia os produtores de bens culturais, mas não o acesso do público aos bens culturais produzidos. (Felipe Lindoso, escritor)

  • A idéia inicial do Rumos era fazer os artistas se encontrarem, para que a partir disso pudessem pensar em novos projetos, sem depender de secretarias e institutos. Isso ocorreu timidamente. (Taubkin)

  • No último MIDEM, a sensação foi o interesse pelas empresas de telefonia celular em incluir música nos telefones, seja através de rádio FM ou em MP3 - sem a possibilidade de envio de músicas entre usuários. (Pena Schmidt, presidente da Associação Brasileira de Música Independente)

  • Geralmente nos propomos objetivos muito difíceis: queremos sair na capa da Folha de São Paulo, vender 100 mil discos. Poderíamos nos propor metas mais próximas: em vez de vender 100 mil, vender primeiro 2 mil. (Taubkin)

  • Os músicos da Amazônia firmaram um pacto: cada um toca pelo menos 60% de repertório de autores da região em suas apresentações em bares. Isso aumentou o interesse do público pela música local. (Sérgio Oliveira, diretor de marketing cultural da Amazônia Celular)

    (Fabio Gomes)

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    Fumproarte na ABMI?

    Ainda no seminário Rumos, uma rápida polêmica no dia 26 envolvendo o Fumproarte. A pianista Dúnia Elias quis saber como ela poderia se associar à ABMI. "Possuindo um selo ou gravando por um", respondeu o presidente Pena Schmidt. O jornalista Juarez Fonseca informou a Pena que, em Porto Alegre, muitos artistas gravam com recursos do Fumproarte, sem ter uma produtora associada, e perguntou como eles fariam para serem sócios. Pena sugeriu então filiar o Fumproarte à ABMI, ou ao menos fazer um convênio. Mas Álvaro de Santi, ex-coordenador de Música da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, esclareceu que isso é impossível, tendo em vista que o Fumproarte é um fundo, ou seja, uma destinação orçamentária de recursos à produção cultural (além de CDs, financia filmes, livros, peças, espetáculos, exposições etc.), e não uma gravadora.

    (F. G.)

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    Choro no cofre

    Tudo bem que o choro seja um gênero dos mais preciosos, mas desta vez o Santander Cultural (Porto Alegre) não quis deixar dúvidas: colocou-o no cofre! Expliquemos: agora tem roda de choro no último sábado de cada mês no Café do Cofre, no Santander. Desta forma, o público poderá conhecer os alunos da Oficina de Choro que o violonista Luís Machado (do Grupo Reminiscências) vem ministrando desde o início do ano.

    A estréia da roda, no sábado, 29, contou com Luís Barcelos (bandolim), Luís Henrique (violão), Fernando Garcia (cavaquinho) e Adriano Martins (pandeiro). Barcelos estava numa tarde inspirada, improvisando com categoria em "Naquele Tempo" e "Cochichando" (ambas de Pixinguinha) e em "Tico-Tico no Fubá" (Zequnha de Abreu) - nesta, ele nem chegou a fazer a segunda parte escrita por Zequinha, já começou a improvisar logo depois de apresentar o tema. Também foram boas as execuções de músicas de Jacob do Bandolim: "Vibrações" e "Doce de Coco" (esta, aliás, não foi boa: foi só excelente!).

    Nesta primeira edição, os músicos tocaram sem equipamento de som, para testar a acústica do café. Acredito que já no próximo mês eles solicitem o equipamento, pois ele fez falta.

    (F. G.)

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    Samba da Minha Terra estréia dia 5

    A Rádio América de São Paulo (1.410 AM) passa a transmitir todos os sábados, a partir do próximo dia 5, um programa de samba que tem tudo para ser um grande sucesso. Samba da Minha Terra irá ao ar das 13 às 15 horas. Para a estréia, entrevista com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, sobre a campanha de reconhecimento do samba como patrimônio cultural do Brasil; especial sobre o noventão Dorival Caymmi (no quadro Nossa Gente do Samba); e uma roda de samba, em estúdio montado especialmente no Consulado da Cerveja, com a presença dos compositores do Samba da Vela, Grupo Quinteto em Branco e Preto, Luizinho SP, Evandro, Thobias da Vai-Vai, Douglas Sampa, Grupo Turma do Pagode e Grupo Estatuto do Samba.

    Entre os quadros fixos do programa, estão ainda Papo de Bamba (entrevistas de artistas e personalidades do meio), Sambando pelo Brasil (notícias do samba em diversas regiões do país), e Nas Ruas de São Paulo (transmissão externa de restaurantes, bares, shows e escolas de samba), além da participação ao vivo de ouvintes.

    A apresentação do Samba da Minha Terra é da jornalista Claudia Alexandre, com passagem pelas principais emissoras de São Paulo, co-autora do livro Vai-Vai, o Orgulho da Saracura e editora das revistas SP Folia e SP, Samba e Carnaval. Completam a equipe o coordenador artístico Pedro Vaz, a produtora e repórter Cristiane Molina e a redatora Beth de Freitas.

    (F. G.)

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    Euforia em Porto Alegre

    Impossível dizer quem anda mais eufórico:

  • Marisa Rotenberg, com a excelente repercussão de seu show no Circuito Cultural Banco do Brasil, no dia 19;

  • Alexandre Barreto, convidado pela cantora Lúcia Helena para produzir o show Santos de Casa, na Casa de Cultura Mário Quintana, em 15 de junho;

  • eu, Rafael Mallmith e a turma do Bebendo do Samba, pelo show de Monarco no Santander, anunciado para 27 de junho.

    (F. G.)

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    Respeitem o público!

    Isto definitivamente não é da tradição de Porto Alegre. Pelo segundo mês consecutivo, o início da apresentação do Concerto CEEE, com a Orquestra de Câmara Theatro São Pedro e convidados, atrasou. Em abril, 20 minutos; neste domingo, 30, quase o mesmo: 19 minutos. Motivo: ainda a falta de prática com o sistema de distribuição antecipada de ingressos que o próprio Theatro adotou para esta série de apresentações. Outras instituições, como a UFRGS, também na capital gaúcha, e o Itaú Cultural, em São Paulo, trabalham desta forma e o horário é cumprido. Será assim tão difícil?

    (F. G.)

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