Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 54 - 21/6/2004

Alunos da Feevale homenageiam Kleiton e Kledir

Na quinta, 17, gravei participação em um programa de rádio no qual os estudantes de Jornalismo da Feevale, de Novo Hamburgo, homenageiam Kleiton & Kledir. O programa, destinado a veiculação na FM Cultura, de Porto Alegre, contou ainda com a participação especialíssima de Kleiton Ramil.

Agradeço à estudante Marina Fauth o convite, formulado no dia 27 de maio, quando estive na Feevale palestrando sobre A Música como Ferramenta de Propaganda Política nas Ditaduras Brasileiras (Estado Novo e Regime Militar).

(Fabio Gomes)

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Festa do Interior

O letrista Abel Silva estava preocupado em 1981: como falar numa letra de música sobre o lamentável episódio do Riocentro (pra quem não lembra: uma bomba que seria jogada numa festa do Dia do Trabalho para incriminar sindicalistas explodiu no colo de um militar, dentro do carro onde ele estava)? A idéia de evitar a morte provocada se impôs de saída, vindo daí o primeiro verso que escreveu: "Ninguém matava, ninguém morria". O tema podia ficar meio forte para música popular, e Abel resolveu a questão por analogia com uma festa de São João: "Bombas na guerra magia/ Ninguém matava, ninguém morria/ Nas trincheiras da alegria/ O que explodia era o amor". Há mais uma "pista" da idéia de crítica ao atentado: "fagulhas, pontas de agulhas", o verso que abre a versão definitiva.

O resto é história: Moraes Moreira, ao musicar os versos, compôs um frevo contagiante; Lincoln Olivetti, num dia inspirado, misturou bem os sopros com teclados eletrônicos; e Gal Costa cantou maravilhosamente a composição no LP Fantasia (1982), obtendo sucesso desde as festas de São João até o Carnaval do ano seguinte. Do repertório das festas juninas, "Festa do Interior" é certamente o maior clássico recente não-nordestino (para quem estranhou essa afirmação envolvendo música de Moraes Moreira, deixo a frase de Caetano Veloso em seu livro Verdade Tropical: "os baianos não são nordestinos").

Só uma coisa incomoda um pouco Abel Silva em toda essa história, como ele confessou em debate realizado no Clube do Comércio de Porto Alegre em 15 de novembro de 2003: "ninguém acredita quando eu digo que uma música como 'Festa do Interior' foi feita por causa do Riocentro..."

(F. G.)

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Mistura e Manda no Vaia

Depois de completar um ano na internet, o Mistura e Manda chega à imprensa escrita. O informativo ocupa espaço nobre - a página 3 - da nº 12 do jornal Vaia, já disponível nos principais pontos culturais de Porto Alegre. Aliás, é quase uma edição sobre samba - além do M & M, temos Leandro Braga esclarecendo que O Samba é Divino!, Felipe Azevedo pergunta Cadê o Samba que Tava Aqui?, a seção Bazar comenta o CD Arrabaldeação, de Vinícius Todeschini e Marco de Menezes, e uma das entrevistas é com o cantor e compositor Alexandre Flores, que lançou na semana passada o CD Caminho dos Engenhos.

(F. G.)

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Cumprimentos pelo aniversário do Mistura e Manda

Parabéns à bela inciativa!

Com estima e admiração ao propósito em divulgar conhecimento/arte/entretenimento.

Abraços,

Jane Lapa (advogada)

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A estrofe esquecida de "A Felicidade" (3)

Esclarecida definitivamente a questão: João Gilberto GRAVOU os versos de "A Felicidade" que apontamos no Mistura e Manda nº 12 como só localizados num LP de Vinicius de Moraes. Quem informa é o jornalista Fernando Ramos, do Vaia, que os ouviu no CD Live at 19th Montreux Jazz Festival, de João Gilberto, lançado pela WEA em 1986.

(F. G.)

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